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terça-feira, março 31, 2026
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Janela Partidária: começou o troca-troca — e a coerência foi a primeira a sair pela porta

Por Édson Silveira

Chegamos à reta final da janela partidária. E, como já virou tradição, o que era para ser um instrumento democrático virou um verdadeiro festival de conveniências — ou, para ser mais direto, um grande troca-troca político em horário comercial.

Em Rondônia, o espetáculo está digno de plateia cheia. Nos bastidores, não se fala em projeto, ideologia ou compromisso com o povo. O assunto é outro: qual partido tem a melhor nominata, mais chance de eleição e espaço garantido na próxima legislatura. O resto é detalhe — descartável, como sempre foi.

E os exemplos estão aí, escancarados.

O deputado Eyder Brasil está deixando o PL e indo para o PSD, acompanhando o movimento do governador Marcos Rocha, que também resolveu trocar de partido como quem troca de camisa — saiu do União Brasil e pousou no PSD.
Enquanto isso, nomes como Edvaldo Neves e Ribeiro do Sinpol já aterrissaram no PRD, e outros como Gislaine Lebrinha, Rosângela Donadon, Jean Oliveira e Pedro Fernandes estão no radar da migração, avaliando onde o “vento eleitoral” sopra mais forte.

Traduzindo: ninguém quer saber de convicção — só de sobrevivência.

A ideologia, nesse momento, entra em modo avião. O importante é garantir uma vaga na nominata, um tempo de TV e, se possível, mais quatro anos encostado no orçamento público.

E aí surge a pergunta que deveria envergonhar qualquer um:
se o sujeito não é fiel nem ao partido que escolheu ontem, vai ser fiel a quem o elegeu?

Spoiler: não vai.

O mais curioso — ou trágico, dependendo do humor — é ver esses mesmos personagens tentando explicar o inexplicável. Dizem que é “realinhamento político”, “reorganização estratégica”, “nova construção”. É bonito no discurso. Mas, na prática, é só troca de endereço eleitoral.

Partido virou o quê?
Aplicativo.
Baixa, usa, avalia e desinstala quando aparece opção melhor.

Enquanto isso, a coerência segue desempregada.

E aqui está o ponto que incomoda: essa farra não é regra na esquerda, especialmente no Partido dos Trabalhadores. Pode discordar, criticar, bater — faz parte do jogo democrático. Mas não dá para negar que existe linha política, identidade e um mínimo de compromisso com aquilo que se defende.

Já do outro lado… o cenário é outro.
É rato correndo para todo lado tentando encontrar o melhor buraco antes que a eleição comece.

E depois ainda aparecem na campanha com cara de novidade, discurso ensaiado e promessa reciclada — apostando que o eleitor esqueceu tudo o que viu agora.

Só que tem um detalhe:
a janela partidária não muda só os políticos de partido. Ela revela o caráter de cada um.

E isso, diferente da legenda, não deveria mudar nunca.

Édson Silveira
Advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO

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