No último dia 14, quinta feira, o governo Lula foi colocado à prova no Congresso Nacional. Neste dia, foi pautada a votação de vários vetos presidenciais a projetos aprovados pelo parlamento. Dentre estes, dois particularmente importantes para os interesses do governo – logo, para o País. O primeiro tratava-se da desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia, que já é praticada pelas empresas há vários anos. O projeto que prorrogava esta desoneração foi vetado pelo presidente Lula com o compromisso de que o Ministério da Fazenda apresentaria nova proposta no começo de 2024. A segunda votação tratava-se da derrubada do veto presidencial ao Marco Temporal, projeto que estabelece o limite da data da promulgação da Constituição de 1988 para que as áreas indígenas possam ser reivindicadas por eles.
São questões que dizem respeito ao Brasil como um todo. Mas, trazendo para o recorte do estado de Rondônia, a posição da bancada federal nestas votações diz muito sobre o ambiente político em que se encontra o governo Lula. Dos três senadores, apenas o senador Confúcio Moura (MDB) votou em defesa dos vetos presidenciais, ou seja, com o governo. Pelo perfil da bancada, teremos seguidos 2×1 no Senado e na Câmara Federal goleada dos deputados bolsonaristas de Rondônia.
Neste sentido, Confúcio Moura tem sido mais leal ao governo do que os correligionários do partido do presidente no estado, e muito mais do que as demais lideranças dos partidos da base governista, os chamados progressistas. Enquanto Confúcio Moura sofre todos os dias por ter feito a opção em apoiar o governo federal, há um silêncio político na ala progressista em se posicionar ao lado do parlamentar. Um erro estratégico.
A manutenção da parcela do eleitorado que votou em Lula em 2022 é fundamental para a sobrevivência política dos partidos progressistas no estado, incluindo o MDB confuciano. Estamos falando de 30% do eleitorado do estado que, juntos, é o bastante para se tornar competitivo. Apenas se seguir juntos. Se fragmentados, não há chances.
No entanto, além da necessidade imperativa de unidade das forças progressistas para conseguir manter os 30% do eleitorado de Lula no estado, a possibilidade real de vitória dependerá de como o governo federal estará em 2026.
Diante do quadro colocado – e avaliando os nomes e o ambiente político nos partidos progressistas no estado – apenas a compreensão desta engenharia e a organização em torno da liderança do senador Confúcio Moura conduzirão as forças progressistas à sobrevivência política.




