Porto Velho-Morreu hoje, o empresário Benedito Ribeiro das Neves, fundador e ex-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Porto Velho e da Associação Comercial de Rondônia (ACR). Ribeirinho, como era carinhosamente conhecido, deixou sua marca no comércio de Porto Velho desde sua chegada do Nordeste. Seu legado é fruto de anos de dedicação e trabalho árduo, e ele foi reconhecido como referência no setor empresarial do Estado.
Ele era irmão da presidente da CDL, Joanora Neves e deixa para trás filhos, netos e bisnetos, além de uma herança inestimável de contribuição e desenvolvimento para o comércio local.
História e legado
Ribeirinho chegou a Rondônia no inicio dos anos 1960, quando Porto Velho fervilhava. Eram os garimpeiros de cassiterita que inundavam a cidade de dinheiro e em consequência, o comércio florescia a passos sem precedentes. “No tempo do garimpo de cassiterita dinheiro em Porto Velho era que nem folha caiando no outono”. Foi justamente nessa época, que o jovem Benedito Ribeiro das Neves – Ribeirinho cearense de Frecheirinha desembarcou do navio Leopoldo Peres que atracou no “Pontão” Aripuanã no porto do Plano Inclinado em Porto Velho.
Ao subir o barranco deu uma olhada para trás apreciou a beleza do Rio Madeira e disse: “A partir de hoje essa será minha terra”. Na bagagem muita correia de sandália japonesa e outras bugingangas de fácil comercialização. “Sandália Japonesa era como o povo chamava essas sandálias que hoje são do tipo Havaianas”. Decidido a se transformar num grande empresário, Ribeirinho saiu vendendo seus produtos aonde tinha oportunidade, estendeu o pano embaixo das mangueiras que existiam em frente a Feira Modelo (hoje Mercado Central) na rua Farquar, montou Box na famosa rua do Coqueiro, mas inquieto, saia vendendo de porta em porta sem esquecer dos arraiais promovidos pelos padres em homenagem ao santo padroeiro principalmente nas localidades do baixo Madeira. “Ia vender na festa de Humaitá”.
Em pouco espaço de tempo, o jovem empreendedor já contando com a parceria de todos da sua família, irmão, primos, pai, mãe tios, sogro, sogra enfim um verdadeiro clã, abriu a loja Fortaleza na rua Prudente de Moraes nas proximidades da famosa ponte Guapindaia. A Loja Fortaleza vendia de tudo, desde as correias para sandália japonesa até motocicleta, sem esquecer as bijuterias e as roupas. “A gente lançava moda em Porto Velho”.
Atualmente a família de Ribeirinho está assim distribuída em Porto Velho, de acordo com entrevista concedida ao Zé Catraka em 2010:
A loja Baú Barateiro é do irmão Lauri; Antônio tem o Formigão e a Joanora tem a Dikas, Bonzão e uma loja no Shopping também. Ribeirinho aderiu ao ramo de hotelaria e motel. Tinha o hotel Guaporé e mais dois Motéis o Savana e o Nigth And Day.
Riberinho era casado com a dona Francisca Almeida Neves que chamam de Francimar. Na entrevista ele revelou que eram primos. “Nossos pais são irmãos legítimos. São quatro filhos biológicos e uma menina que criamos. O Neto é advogado, a Rejane está comigo no Hotel o Rogério toma conta do Motel, o Ziel trabalha no estado, o Maike é sargento do exército e eu por aqui”, contou.
Trecho de entrevista de Riberinho ao Zé Katraca em 2010.





