Parece estranho, mas a estratégia é justamente usar o mosquito contra o próprio mosquito. Porto Velho começou a receber uma tecnologia que libera Aedes aegypti com uma bactéria capaz de impedir a transmissão da dengue, zika e chikungunya.
A novidade é o Método Wolbachia, estratégia do Ministério da Saúde desenvolvida em parceria com a Fiocruz.
A técnica utiliza mosquitos Aedes aegypti que carregam naturalmente a bactéria Wolbachia. Ela impede que os vírus da dengue, zika e chikungunya se desenvolvam dentro do inseto.
Com isso, o mosquito passa a ter uma capacidade muito menor de transmitir essas doenças.
Mosquitos serão liberados nos bairros
Porto Velho já conta com um novo insetário para a produção dos mosquitos.
Os ovos são enviados de Curitiba e passam por todas as etapas de desenvolvimento até chegar à fase adulta.
Depois, os mosquitos são levados pelas equipes da Prefeitura para os bairros contemplados pelo programa.
A expectativa é beneficiar mais de 276 mil moradores em 27 bairros da capital.
“Mosquito aliado”
Depois de liberados, os Aedes com Wolbachia cruzam com os mosquitos que já circulam pela cidade.
A bactéria passa para as próximas gerações. Aos poucos, aumenta a população de mosquitos que não consegue transmitir os vírus.
Segundo o biólogo e pesquisador da Fiocruz Diogo Challegre, a proposta não elimina a necessidade de combater criadouros.
“Durante muito tempo aprendemos que era preciso eliminar o mosquito e isso continua sendo importante. A diferença é que agora existe um mosquito aliado.”
Segundo Challegre, o método já está presente em 15 países e apresentou resultados expressivos.
Em Niterói (RJ), por exemplo, houve redução de 89% nos casos de dengue. Em Campo Grande (MS), a redução chegou a aproximadamente 64%.
A expectativa, segundo o pesquisador, é alcançar resultados semelhantes em Porto Velho ao longo dos próximos anos.
Tecnologia não substitui cuidados
A secretária municipal de Saúde, Sandra Maria, destacou que a nova estratégia chega para reforçar as ações que já são realizadas contra as arboviroses.
Ela reforçou que a participação dos moradores continua sendo indispensável.
Mesmo com o Método Wolbachia, a população deve eliminar qualquer possível criadouro do Aedes aegypti.
Entre os principais cuidados estão:
- Eliminar água parada em vasos, pneus, garrafas e baldes;
- Manter caixas d’água, tonéis e reservatórios bem tampados;
- Limpar calhas e ralos;
- Colocar areia nos pratos das plantas;
- Descartar corretamente recipientes que possam acumular água;
- Manter piscinas tratadas ou cobertas.
Porto Velho aposta na ciência
A implantação do método deve alcançar 27 bairros e mais de 276 mil pessoas.
Para o prefeito Léo Moraes, a nova tecnologia representa mais uma ferramenta no combate à dengue.
“O combate à dengue exige inovação e responsabilidade. É mais uma ferramenta para proteger a nossa população, sem substituir a participação da comunidade.”
O Método Wolbachia já é utilizado no Brasil há mais de dez anos.
Agora, a expectativa é que a estratégia ajude Porto Velho a reduzir a transmissão da dengue e de outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti nos próximos anos.
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