Por Édson Francisco de Oliveira Silveira
O debate desta terça-feira, 29 de setembro, na TV Rondônia, afiliada da Rede Globo, foi bom e esclarecedor. Permitiu ao eleitor comparar preparo, firmeza e capacidade de enfrentar perguntas incômodas. Na minha avaliação, Expedito Netto saiu fortalecido: cobrou Marcos Rogério e deixou claro seu compromisso com o presidente Lula.
Pedro Abib, do MDB, merece reconhecimento. Demonstrou ter estudado os problemas de Rondônia e apresentou uma participação técnica, com argumentos que contribuíram para a discussão. Mesmo quem discorda de suas posições pode reconhecer o valor de um candidato que procura dar conteúdo às respostas.
Samuel Costa apareceu em versão gentleman, bastante diferente daquela vista em outros debates. Fez o feijão com arroz, moderou o tom e, na minha leitura, levantou algumas bolas favoráveis a Marcos Rogério. A mudança chamou atenção; faltou, porém, transformar a cordialidade em uma atuação mais incisiva.
Marcos Rogério exibiu o repertório conhecido da velha política: pergunta-se sobre alho, responde-se sobre bugalho. Quando o assunto incomoda, a resposta muda de direção.
Foi assim na cobrança de Netto sobre a negociação envolvendo R$ 1 milhão. Marcos Rogério negou irregularidades e afirmou tratar-se de uma relação comercial discutida judicialmente. Essa é sua versão e precisa ser registrada. Mas, para este articulista, sua manifestação não esclareceu suficientemente a origem do dinheiro nem as circunstâncias questionadas pelo adversário. A cobrança permanece legítima; a existência da controvérsia, por si só, não comprova corrupção.
Quem disputa o governo precisa compreender que perguntas inconvenientes também fazem parte da democracia. O eleitor merece explicações objetivas, sobretudo quando o candidato faz do combate à corrupção uma bandeira.
Hildon Chaves, por sua vez, voltou a me causar estranheza pela dificuldade de sustentar algumas respostas. Pausas, mudança de expressão e raciocínios que não chegam a uma conclusão prejudicam sua comunicação. A questão aqui é seu desempenho político: quem pretende governar precisa transmitir clareza e segurança quando pressionado.
Fúria mantém a imagem do bom menino, mas sua relação com Marcos Rocha expõe uma contradição difícil de contornar. A criatura tenta se distanciar do criador depois de se beneficiar de seu apoio. Rompimentos podem ter razões legítimas; ainda assim, o eleitor tem o direito de perguntar quais compromissos resistem quando deixam de ser eleitoralmente convenientes. A aparência simpática não encerra essa discussão.
Expedito Netto teve um mérito decisivo: assumiu seu lado. Falou ao eleitor de Lula com clareza, apresentou-se como seu candidato em Rondônia e enfrentou o adversário em um tema desconfortável. Em uma disputa marcada por cálculos e ambiguidades, esse posicionamento pode ajudá-lo a consolidar uma identidade que o eleitor reconheça.
Na minha avaliação, foi esse o principal ganho de Netto. Sua participação pode ampliar a identificação entre sua candidatura e os rondonienses que apoiam Lula. Transformar essa aproximação em votos dependerá do trabalho de campanha, da mobilização e da capacidade de fazer essa mensagem chegar às ruas.
Um debate não garante lugar no segundo turno. Mas pode mudar a disposição do eleitor de ouvir um candidato. Netto aproveitou essa oportunidade e deu à sua militância um argumento forte para a reta final: há uma candidatura que assume suas alianças, enfrenta perguntas e também cobra respostas.
Se esse desempenho encontrar eco nas ruas, Expedito Netto poderá surpreender nas urnas.
Édson Francisco de Oliveira Silveira
Advogado, administrador, professor e militante do PT/RO. Membro da Executiva Estadual do PT/RO.



