O último debate antes do primeiro turno, realizado nesta quinta-feira, 1º de outubro, pelo Sistema Gurgacz de Comunicação (SGC), com a participação de veículos parceiros, terminou como o mais importante confronto da campanha. Reuniu propostas, conhecimento, vontade política e, principalmente, embates capazes de revelar quem está preparado para governar e quem prefere se esconder atrás de discursos prontos.
Participaram Expedito Netto, Samuel Costa, Pedro Abib, Adailton Fúria e Marcos Rogério. Hildon Chaves não compareceu e perdeu a oportunidade de apresentar suas propostas diante dos adversários e dos eleitores. Em uma eleição decisiva, a ausência também comunica — e o eleitor sabe cobrar.
O debate mostrou aquilo que a propaganda eleitoral tenta esconder. Conhecer os problemas de Rondônia é obrigação de qualquer candidato. O verdadeiro teste está em explicar como enfrentá-los, sustentar compromissos e responder quando as perguntas deixam de ser confortáveis.
Foi exatamente nesse ponto que Expedito Netto se destacou.
O momento mais tenso e politicamente relevante foi o confronto entre Netto e Marcos Rogério. O petista voltou a cobrar explicações sobre R$ 1 milhão em espécie e um cheque associados a uma negociação em um frigorífico. Não se tratava de uma provocação vazia, mas de uma pergunta objetiva sobre um episódio que continua sem uma explicação capaz de convencer plenamente o eleitor.
Marcos Rogério já afirmou, em debate anterior, que o caso envolve uma relação comercial discutida judicialmente e negou qualquer irregularidade. Sua versão deve ser registrada. Mas registrar a resposta não significa encerrar o assunto. Quem construiu sua imagem política sobre o discurso de combate à corrupção precisa entender que transparência não pode ser exigida apenas dos adversários.
A pergunta de Netto permaneceu de pé. E, quando uma pergunta concreta continua sem uma resposta igualmente clara, o desconforto passa a ser de quem é questionado — não de quem questiona.
Expedito foi firme, direto e não recuou. Enquanto outros candidatos se limitaram a repetir propostas e frases de campanha, Netto teve coragem de enfrentar Marcos Rogério em um tema sensível e exigir explicações diante de todo o eleitorado. Foi o tipo de postura que diferencia um candidato disposto a governar de alguém preocupado apenas em preservar a própria imagem.
O confronto deu força ao encerramento do debate e mostrou um Expedito Netto mais seguro, mais combativo e mais preparado para ocupar o centro da disputa. A iniciativa do SGC cumpriu papel importante ao permitir que o eleitor comparasse propostas, avaliasse preparo e percebesse quem consegue manter a firmeza quando está sob pressão.
A atuação de Netto poderá produzir um efeito decisivo nos últimos dias da campanha. Ele saiu do debate maior do que entrou: com uma cobrança forte, uma postura de enfrentamento e uma mensagem capaz de alcançar os eleitores que ainda não decidiram seu voto.
Sua equipe deixou o encontro motivada e já trabalha para transformar o desempenho em crescimento nas ruas. A estratégia agora é intensificar o diálogo com os indecisos, ampliar a mobilização e mostrar que a eleição ainda está aberta. A virada não é promessa vazia: é uma possibilidade concreta para uma candidatura que ganhou força justamente quando mais precisava aparecer.
O resultado será decidido nas urnas, mas uma coisa ficou evidente: Expedito Netto não aceitou o papel de coadjuvante. Entrou no debate para confrontar, saiu fortalecido e agora parte para os últimos dias com disposição para buscar o segundo turno.
Marcos Rogério pode até tentar mudar de assunto. Mas a pergunta de Netto continua ecoando — e pode custar caro nas urnas.
Édson Silveira
Advogado, administrador, professor e assessor de comunicação.



