22 C
Porto Velho
quarta-feira, maio 13, 2026
spot_img

No voto livre Lula vencerá, porém, a fábrica de fake news está a mil por hora

Por Roberto Kuppê (*)

O IPEC (ex-Ibope) divulgou ontem a sua primeira pesquisa do segundo turno. Deu Lula de novo. Em votos válidos, 55% a 45%. São números que já pegam as adesões de Simone Tebet (MDB), 5 milhões de votos e Ciro Gomes (PDT), 3 milhões de votos. Ah, mas Bolsonaro (PL) pegou as adesões dos governadores dos três maiores colégios eleitorais, SP, RJ e MG. Tudo bem. Acontece que os votos que estes governadores representam já votaram em Bolsonaro no primeiro turno. É mais do mesmo, assim como as adesões dos governadores Ibaneis Rocha (MDB-DF) e Ratinho JR (PSD-PR). Não acrescentam absolutamente nada aos 51 milhões de  votos obtidos por Bolsonaro no primeiro turno.

É claro que Bolsonaro vai herdar parte de alguns votos de Ciro Gomes, Simone Tebet e Soraya Tronik (União Brasil). Mas, não serão suficientes para superar Lula que recebeu também as adesões do governador reeleito do Pará, Helder Barbalho (MDB-PA).

A grande luta será travada mesmo em São Paulo, onde Bolsonaro e Lula possuem candidatos ao governo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), respectivamente. Lá o bicho vai pegar. A avenida Paulista será palco de grandes duelos de quem lota mais quadras. É claro que o poder de aglutinação dos bolsonaristas neste campo é bem maior do que a de lulistas, mas no segundo turno a conversa será outra.

A fábrica de fake news está a mil por hora. Mas, por falta de insumos, matéria prima, a fábrica está reciclando antigas fake news, até as lançadas por Collor em 1989. Acontece que estas mentiras requentadas já foram  todas desmentidas e pouco está servindo, embora incomode. As verdades ditas contra Bolsonaro (não precisa de fake news) estão sim, abalando as estruturas da campanha do tinhoso, ôpis!. Bolsonaro produziu tanta barbaridades durante seu trágico mandato diante da presidência que não precisa de fake news para derrotá-lo. Basta rememorar suas declarações e atitudes insanas, que começaram com o “cocô um dia sim, um dia não”, até o “ápice” da sandice, ao imitar pessoas com falta de ar durante a pandemia.

Contra o Lula existem falas fora de contexto, gafes e interpretações maldosas de suas palavras. Sobre a questão do roubo de celular virou a “joia da coroa” dos bolsonaristas. Interpretada como incentivo de Lula a roubo de celulares, na verdade, foi bem ao contrário. Lula disse que os jovens precisam estudar e trabalhar, para que não roubem celulares e sejam presos por isso. Os bozolóides venderam a informação deturpando a frase, usando apenas a segunda parte, “não quero que jovens sejam presos por roubar um celular”, dando a impressão de que Lula não quer ladrão de celulares preso. Não. Lula não quer que jovens roubem para suprir suas necessidades e até tomar uma cervejinha. Lula quer que os jovens estudem, trabalhem e comprem suas coisas, com o fruto do trabalho. É isso.

Lula sabe que os jovens pobres da periferia não tem a mesma sorte dos quatro filhos de Bolsonaro, que nunca trabalharam e vivem da política desde que nasceram. Até o Carluxo, o 03, entrou para a política aos 17 anos, se elegendo vereador contra a própria mãe, Rogéria Bolsonaro, que era vereadora e não se reelegeu. Como assim? Ela perdeu em 2000 a cadeira para Carlos após Jair Bolsonaro ir à Justiça e dar ao filho a missão de vencer a mãe nas urnas. E venceu. O cara que faz isso com a mãe dos próprios filhos é capaz de qualquer coisa. Vai vendo, Brasil.

Enfim, a propaganda política no segundo turno das eleições de 2022, já está liberada e os cabos eleitorais em campo. Lembrando que o sucesso das eleições no primeiro turno deve-se ao presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, que vem conduzindo o pleito com firmeza, punindo os infratores. Não houve fraude nas urnas, como previa Bolsonaro, a não ser a estranha subida dele no último dia praticamente empatando com Lula no final das apurações dos votos. Estranho também Tarcísio de Freitas, candidato a governador de São Paulo que ultrapassou o favorito Fernando Haddad no dia das eleições. Também causou estranheza o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ), acusado de corrupção, ter sido reeleito no primeiro turno.

Aliás, a vitória acachapante de Cláudio Castro é compreensível. Além da briga da esquerda com dois candidatos ao Senado, o candidato de Bolsonaro ao governo do Rio de Janeiro contou com a ajuda de milicianos, traficantes e de toda a sorte de bandidos fluminenses. Como assim? No último dia de campanha ele contou com a presença da filha do traficante Fernandinho Beira-Mar, Fernanda Costa. Vereadora do MDB em Duque de Caxias, ela participou no dia 1 de outubro na cidade da Baixada Fluminense de carreata de Castro. Foi o aceno da criminalidade para votar em Claudio Castro, que é cantor gospel católico. Marcelo Freixo (PSB) perdeu porque passou a campanha toda falando que ia combater as milícias e a bandidagem no Rio de Janeiro. Vai vendo, Brasil.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político

 

 

 

Últimas

- Publicidade -

Relacionadas