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quarta-feira, abril 22, 2026
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O outro lado das eleições

 

De um lado, polarização, ódio, corrupção, os políticos;  de outro, quem escolhe o que lhe convêm, o eleitor.

Por Elizeu Lira

Elizeu Lira

Numa democracia em maturação as análises das eleições, em geral, sempre ocorrem pelo lado das candidaturas e do que cada uma representa sob o ponto de vista econômico, social e político para a sociedade que os escolherão. Analisa-se até as influencias de personalidades que se aproximam dos candidatos, suas frases, gestos e atos. Com isso, a outra parte da sociedade parece ser, para quem produz as análises (mídia, cientistas políticos, palpiteiros, etc.), agente passivo do evento a quem cabe receber o maior número de informações sobre os concorrentes para que, assim, possa fazer “as melhores escolhas”. As melhores para quem? Para quem fez as análises? Se foi, estas análises estavam desprovidas de interesses? Se estiverem, elas foram baseadas nas diferentes realidades dos eleitores e eleitoras?

Também numa democracia em maturação, é comum a realização de campanhas pirotécnicas, cheias de efeitos visuais, como filmes de ficção a mexer no imaginário das pessoas e a lhes oferecerem soluções para problemas que se eternizam no seu cotidiano por décadas. Escolhem-se os mais simbólicos, com maior potencial de impactar as expectativas dos eleitores e eleitoras e lhes dão um tratamento para parecer que a solução é de simplicidade assustadora. Se tão simples, por que não fora resolvido antes?, alguém perguntaria. As justificativas para tal questionamento variam, mas existem às dezenas.

Também numa democracia em maturação é comum a proximidade dos políticos com os eleitores e eleitoras, candidatos inclusive, somente na época das eleições, como se fosse proibido o dialogo entre eles ao longo de todo o ano. Há uma espécie de consenso entre os políticos, candidatos inclusive, de que antecipar a interação com os eleitores e eleitoras é danoso para a democracia e, sobretudo, para as suas pretensões eleitorais.

Numa democracia em maturação também se convencionou “investir” nas campanhas nos últimos três dias, como estratégia mais eficiente de “cabalar” votos, com foco nas comunidades mais pobres e, em geral, nas madrugas de frio ou calor. As agendas anteriores a este momento tem o objetivo apenas de justificar gastos que aparecerão nas prestações de contas a serem entregues aos órgãos de controle.

Nas democracias em consolidação também é comum a tentativa de destruição dos adversários, política, pessoal e moralmente, mesmo que para isso se recorram aos mais mentirosos e monstruosos argumentos, sempre promovidos por terceiros, de modo que as digitais do principal interessado não apareça, para quê se, por acaso for o vencedor, possa fazer o discurso da “campanha limpa” e que venceu “pelas suas propostas”.

Nos países em que a democracia ainda engatinha é comum a justiça eleitoral não julgar as questões jurídicas do pleito em tempo hábil, permitindo que candidatos desleais cheguem à vitória e se mantenham no mandato até o fim, pois a ele é possível recorrer dezenas de vezes no cargo, logo, usufruir dos recursos públicos até mesmo para bancar sua defesa.

Por fim, nas democracias em consolidação também é existem candidatos e candidatas que apregoam defender tais plataformas e, quando eleitos ou eleitas, sem constrangimento algum, se afastam das tais causas como o diabo da cruz. Deixam, com isso, milhares de pessoas que viam neles e nelas alguém que merecia sua confiança exatamente por defender as tais plataformas.

Nas democracias em maturação também existem os políticos que realizam políticas públicas como se fossem favor aos eleitores e que, por isso, estes têm obrigação de lhes retribuírem com votos. Mais ainda, se esforçam para ocultar que os recursos utilizados para realizar as políticas públicas são deles, dos eleitores e eleitoras e não dele, político.

Diante destas realidades constatadas em países com democracias em desenvolvimento, fatos que se arrastam por dezenas de anos em alguns, centenas em outros e desde sempre em quase todos os da América do Sul, Brasil incluso, a solução é difícil e exigiria muito tempo e complexa engenharia social, econômica e política. Ou não.

A pandemia iniciada em 2020, combinada com um momento de polarização política extrema, mais uma gestão pública desastrosa, que empurrou milhares para a morte, miséria e fome tem a força de transferir para os eleitores e eleitoras a capacidade de encurtar este caminho.  Basta que assumam para si o comando e reneguem os políticos que praticam os sete modos de fazer política descritos neste artigo e vão às urnas como se dono fossem dos seus destinos.

Por que são. Mesmo numa democracia em maturação.

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