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segunda-feira, janeiro 5, 2026
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 Pedágio na BR-364 e a indignação tardia da bancada federal de Rondônia

Por Édson Silveira

Após anos de silêncio, reação da bancada federal surge apenas quando a concessão da BR-364 entra em fase de cobrança.

A divulgação recente de uma nota da bancada federal de Rondônia contra a cobrança de pedágio na BR-364 expõe, mais uma vez, um velho problema da política brasileira: a indignação que só aparece quando o fato está consumado — e, curiosamente, em ano eleitoral.

O pedágio na principal rodovia do estado não surgiu de forma repentina nem inesperada. Ele é resultado de um processo de concessão iniciado ainda no governo Jair Bolsonaro, período em que a privatização de ativos públicos era tratada como solução mágica para todos os problemas de infraestrutura. Naquele momento, a maioria dos parlamentares que hoje protestam não ofereceu resistência efetiva, tampouco mobilizou a sociedade rondoniense para discutir os impactos econômicos e sociais desse modelo.

Agora, com a concessão em fase de implementação e a população prestes a sentir o peso da cobrança no bolso, a bancada divulga uma nota afirmando que “Rondônia foi desrespeitada” e que buscará medidas judiciais para barrar os pedágios. A pergunta que se impõe é simples e direta: por que essa reação não ocorreu quando ainda havia tempo para interferir de forma decisiva no processo?

A ausência de enfrentamento político durante a fase de modelagem e aprovação da concessão não pode ser ignorada. O silêncio ou a conivência naquele momento contribuíram diretamente para o cenário atual. A tentativa de se apresentar agora como defensores do povo soa, no mínimo, contraditória — e, no máximo, como uma estratégia para tentar se descolar de uma decisão impopular.

É importante destacar que a BR-364 não é uma rodovia qualquer. Trata-se do principal corredor logístico de Rondônia, essencial para o escoamento da produção, o abastecimento das cidades e a mobilidade da população. Qualquer decisão que impacte essa estrada deveria ter sido amplamente debatida, com participação ativa dos representantes eleitos. Isso, infelizmente, não ocorreu na intensidade necessária.

A crítica aqui não é à divergência política em si — divergências são legítimas e fazem parte da democracia. O problema está na postura tardia, que surge apenas quando o desgaste político é inevitável e o calendário eleitoral se aproxima. Notas públicas e discursos inflamados não substituem ações concretas no momento certo.

Diante desse cenário, cabe aos eleitores de Rondônia exercerem um papel fundamental: avaliar com cuidado a atuação de seus representantes. Mais do que palavras, é preciso observar quem age preventivamente, quem assume posições coerentes ao longo do tempo e quem só se manifesta quando o prejuízo já está imposto à população.

As eleições de 2026 se aproximam. Que o debate sobre o pedágio da BR-364 sirva de alerta para escolhas mais conscientes, baseadas em responsabilidade, coerência e compromisso real com os interesses do estado e do país.

Edson Silveira
Advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual do PT/RO e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO.

 

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