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quarta-feira, junho 10, 2026
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Povos e comunidades tradicionais fortalecem articulação em defesa dos territórios em Rondônia

6º Encontro da Rede dos Povos e Comunidades Tradicionais reuniu 180 participantes no Vale do Guaporé para debater estratégias de resistência, direitos territoriais e fortalecimento das organizações comunitárias

Entre os dias 3 e 7 de junho de 2026, cerca de 180 representantes de povos e comunidades tradicionais de Rondônia estiveram reunidos na Comunidade Quilombola Santo Antônio, às margens do rio Guaporé, na fronteira entre Brasil e Bolívia, para a realização do 6º Encontro da Rede dos Povos e Comunidades Tradicionais de Rondônia.

Articulado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Rondônia, parceira da Fundação Rosa Luxemburgo, o encontro reuniu lideranças indígenas, quilombolas, seringueiras, extrativistas, povos de terreiro e representantes de diversas organizações da sociedade civil e instituições públicas. Participaram ainda entidades como o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN), a Escola Fé e Política, o GT-Infra, além de representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e da Defensoria Pública do Estado de Rondônia.

Ao longo de cinco dias de debates, intercâmbios e atividades culturais, os participantes compartilharam experiências, analisaram os desafios enfrentados pelos povos e comunidades tradicionais e construíram estratégias coletivas de resistência e fortalecimento das suas lutas.

A defesa dos territórios tradicionais esteve no centro das discussões. Entre as principais preocupações apresentadas pelas lideranças estão os processos de demarcação e regularização fundiária, os impactos de grandes empreendimentos de infraestrutura — como hidrelétricas, rodovias e hidrovias — e os projetos de comercialização de créditos de carbono que avançam sobre territórios tradicionais sem a devida consulta e participação das comunidades.

Mais do que um espaço de denúncia, o encontro reafirmou a importância da organização coletiva dos povos da floresta e das águas. Em um contexto marcado pelo avanço de ameaças aos territórios e aos modos de vida tradicionais, a Rede dos Povos e Comunidades Tradicionais de Rondônia fortalece sua atuação como espaço de articulação política, troca de saberes e construção de alternativas baseadas na autonomia dos povos.

Para Verena Glass, coordenadora de projetos da Fundação Rosa Luxemburgo, o encontro evidencia a capacidade de mobilização e resistência construída pelas comunidades tradicionais da Amazônia rondoniense. “O encontro demonstra a força da articulação entre os povos e comunidades tradicionais de Rondônia. Em um contexto de crescente pressão sobre seus territórios — seja por grandes obras de infraestrutura, pela expansão das fronteiras econômicas ou pelos mercados de carbono —, fortalecer redes de solidariedade, organização e resistência é fundamental para garantir direitos, autonomia e a continuidade dos modos de vida dos povos da floresta e das águas”, afirma.

Como resultado do encontro, foi constituída uma comissão de representantes dos povos e comunidades tradicionais com a missão de ampliar e fortalecer a rede em diferentes regiões do estado, consolidando processos de mobilização, formação política e incidência em defesa dos direitos coletivos.

Marcado por momentos de celebração, espiritualidade, partilha de conhecimentos e reafirmação identitária, o 6º Encontro da Rede dos Povos e Comunidades Tradicionais de Rondônia renovou o compromisso das comunidades com a resistência e a defesa dos territórios.

Como destacaram diversas lideranças presentes, trata-se de seguir “esperançando” — transformando esperança em ação coletiva — para garantir a continuidade da vida, das culturas e dos direitos dos povos da floresta e das águas da Amazônia rondoniense. Em tempos de crescentes pressões sobre os territórios tradicionais, o encontro reafirmou que a defesa dos direitos dos povos da floresta e das águas passa pelo fortalecimento das alianças, da organização coletiva e da construção de alternativas enraizadas nos territórios.

Ao final do evento foi divulgada uma Carta Política.

   ”Nós, povos e comunidades tradicionais de Rondônia e da fronteira com a Bolívia — quilombolas, indígenas, seringueiros, extrativistas, camponeses, povo de terreiro representados pela ACESACAB — reunidos entre os dias 03 e 07 de junho de 2026 no território ancestral da Comunidade Quilombola de Santo Antônio, às margens do Rio Guaporé, vimos a público declarar nossa força, nossa memória e nossa luta. Inspirados pelo tema “Bebendo da ancestralidade que vem das águas do Rio Guaporé: partilhando saberes e construindo justiça climática”, reafirmamos que a água não é mercadoria, a floresta não é entrave e a terra não é latifúndio. Somos guardiões de um território vivo, onde os rios falam, os ancestrais caminham entre nós e o amanhã se constrói com os pés no chão e o coração na roda”.
Veja Carta Política na íntegra no link abaixo:

6º ENCONTRO DA REDE DOS POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS DE RONDÔNIA

Fotos do evento:

Fontes: Mais Rondônia com Fundação Rosa de Luxemburgo

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