Por Roberto Kuppê (*)
Parece que ser escroto, agir com desonestidade, transgredir as leis, ser perverso e cruel são ingredientes essenciais para se eleger no Brasil. Com raras exceções, uma boa parte dos eleitos em 2022 é a essência da maldade que nem Renato Russo imaginaria três décadas e meia após lançar “Que país é este”. Ser contra a ideologia de gênero, por exemplo, parece ser mais importante do que ser contra a corrupção. A ex-ministra da Mulher e Direitos Humanos, Damares Alves (Republicanos), que blasfemou barbaridades, que disse que nas escolas ensinam a ser bruxas, foi eleita senadora da República no Distrito Federal. O DF já teve eleitores melhores.
O ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (PL-SP), o da boiada, foi eleito deputado federal, enquanto o delegado Alexandre Saraiva (PSB-RJ), delegado da PF que o denunciou, não foi eleito. Marcos Pontes, o astronauta que nada fez, mentiu sobre a vacina do MCTI, foi eleito senador da República por São Paulo. Sérgio Moro, que foi parcial no julgamento de Lula, cometeu crimes judiciais gravíssimos, foi eleito senador da República pelo Paraná. Que país é este?
Agora, mais bizarro, impressionante e inexplicável é a possibilidade da reeleição de Bolsonaro, apesar e apesar mesmo, de tantas bizarrices, denúncias de corrupção, omissão na pandemia com direito à chacotas a quem morria por falta de ar. Passou três anos e meio falando e fazendo merda no governo. Ele, a família e parentes compraram 107 imóveis, dos quais, 51 com dinheiro vivo, em espécie. Tudo isso foi uma bobagem para 51 milhões de eleitores que votaram nele nesse primeiro turno. Crime é visitar um imóvel e não comprar. Crime é passar um verão num sítio de um amigo. Enfim, que país é esse?
Bolsonaro obteve 51 milhões de votos no primeiro turno. Não que esses eleitores concordem com o governo dele. Concordam com os erros dele. Concordam com o desmatamento. Concordam com as rachadinhas. Concordam com o Centrão. Concordam com as propinas em caixa de sapatos. Concordam com a tortura e com a ditadura militar.
No dia 30 de outubro, nós eleitores vamos voltar de novo às urnas. Agora, com a informação de que, além de tudo isso, Bolsonaro é apoiado pela maçonaria, cuja entidade é abominada pelos evangélicos que tanto o defende. Mais uma vez o eleitor passador de pano vai dizer que é uma bobagem. Perigo é o banheiro misto, proposta que nunca Lula fez em seus programas de governo. Que país é este?
Mas, agora prestem bem a atenção à bancada federal de Rondônia eleita em 2 de outubro. Dr Fernando Máximo (União Brasil), o pior secretário da Saúde que Rondônia já teve; Silvia Cristina (PL), que deu uma guinada na ideologia política, saindo da esquerda (PDT), para a extrema direita (PL). Lucio Mosquini (MDB), reeleito, mesmo pesando contra ele denúncias de corrupção na compra de tratores. Maurício Carvalho (União Brasil), que nada fez como vereador, a não ser posar de irmão da Mariana; Coronel Chrisóstomo (PL), que foi envolvido em grilagem de terras. Thiago Flores (MDB), ok, tudo bem. Cristiane Lopes (União Brasil), evangélica que prega contra direitos dos LGBTS, e, Lebrão (União Brasil). Bom, Lebrão foi aquele flagrado recebendo propina (filmado, fotografado).
Mas, no entanto, paradoxalmente, não foram eleitos candidatos que tinham como propostas melhorias na educação, saúde, ciência, tecnologia. Não se elegeram candidatos politicamente corretos, que desejavam um país com mais emprego e menos desigualdades. Não se reelegeram políticos que defendiam o trabalhador, o servidor público, o defensor das minorias. Que país é este?
Quanto ao governo de Rondônia é para acabar com o piqui de Goiás. O pior governador que este estado já teve, é candidatíssimo à reeleição. Se não for ele, será eleito o senador que defendeu Bolsonaro na CPI da Covid, que desnudou um esquema de corrupção na compra de vacinas e omissão do presidente durante a pandemia que ceifou a vida de quase 700 mil pessoas. Quer dizer, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Candidato ao governo que defendia o meio ambiente, desenvolvimento sustentável, geração de empregos e redução das desigualdades, ficou lá na rabeira. Que país é este?
Enfim, a reeleição de Bolsonaro, que é possível diante de tantas bizarrices, seria uma tragédia para o Brasil. Seria um passaporte, uma autorização para se cometer as piores barbaridades. O Congresso Nacional então, poderia até aprovar uma terceira eleição para Bolsonaro, com direito a reeleição. Base ele teria para isso e muito mais como impitimar ministros do STF.
Ou seja, estamos f….e mal pagos. Que país é este, meu Deus?
(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político
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