24 C
Porto Velho
terça-feira, abril 14, 2026
spot_img

Respeitar a fé é não usá-la na política

Por Édson Silveira

Respeito não se declara. Se pratica.

E quando o assunto é fé, esse princípio precisa ser ainda mais sério. Porque fé não é instrumento político, não é estratégia eleitoral e, muito menos, palanque.

A fé é algo íntimo. É relação pessoal com Deus. É força na dificuldade. É esperança quando tudo parece perdido. É o que sustenta milhões de brasileiros todos os dias.

Por isso mesmo, deve ser respeitada.

Mas o que temos visto na política brasileira — e também em Rondônia — é exatamente o contrário.

Tem gente transformando religião em ferramenta de manipulação. Usando o nome de Deus para ganhar voto. Misturando púlpito com palanque. Criando uma confusão perigosa entre fé e poder.

E isso não é respeito. Isso é exploração.

É preciso dizer com todas as letras: o Brasil é um Estado laico.

Isso significa que o Estado não tem religião oficial. Significa que todas as crenças devem ser respeitadas. Significa que ninguém pode usar a máquina pública, o discurso político ou o cargo para impor sua fé aos outros.

E mais importante: significa que política e religião não devem se misturar.

Quando se mistura, quem perde é a própria fé.

Porque ela deixa de ser espiritual e passa a ser instrumento de disputa. Deixa de unir e passa a dividir. Deixa de acolher e passa a excluir.

E isso é tudo o que a fé verdadeira não é.

Respeitar quem tem fé não é fazer discurso religioso. Não é levantar Bíblia em comício. Não é usar igreja como base eleitoral.

Respeitar quem tem fé é garantir dignidade para as pessoas.

É cuidar da saúde de quem precisa.
É garantir comida na mesa.
É oferecer oportunidade para quem quer trabalhar.
É proteger a família na prática, não no discurso.

Quem tem fé sabe disso.

Sabe que cuidar das pessoas é o maior valor. Sabe que a verdadeira espiritualidade está no compromisso com o próximo. Sabe que fé sem atitude é só palavra.

O problema é que muitos políticos descobriram que falar de Deus dá voto — e passaram a usar isso como atalho.

Mas o povo não é bobo.

Cada vez mais, as pessoas percebem quando a fé está sendo usada como ferramenta política. Percebem quando há sinceridade e quando há oportunismo.

E essa diferença, mais cedo ou mais tarde, cobra seu preço.

O Brasil precisa de políticos que respeitem a fé — todas as fés — sem usá-la.

Precisa de uma política que cuide das pessoas, independentemente da religião que elas professam.

Precisa de equilíbrio, responsabilidade e, principalmente, honestidade.

Porque fé é coisa séria.

E política também deveria ser.

Edson Silveira
Advogado, administrador, professor
Pré-candidato a deputado federal PT/RO

Últimas

- Publicidade -

Relacionadas

Publicidade