Por Édson Silveira
Respeito não se declara. Se pratica.
E quando o assunto é fé, esse princípio precisa ser ainda mais sério. Porque fé não é instrumento político, não é estratégia eleitoral e, muito menos, palanque.
A fé é algo íntimo. É relação pessoal com Deus. É força na dificuldade. É esperança quando tudo parece perdido. É o que sustenta milhões de brasileiros todos os dias.
Por isso mesmo, deve ser respeitada.
Mas o que temos visto na política brasileira — e também em Rondônia — é exatamente o contrário.
Tem gente transformando religião em ferramenta de manipulação. Usando o nome de Deus para ganhar voto. Misturando púlpito com palanque. Criando uma confusão perigosa entre fé e poder.
E isso não é respeito. Isso é exploração.
É preciso dizer com todas as letras: o Brasil é um Estado laico.
Isso significa que o Estado não tem religião oficial. Significa que todas as crenças devem ser respeitadas. Significa que ninguém pode usar a máquina pública, o discurso político ou o cargo para impor sua fé aos outros.
E mais importante: significa que política e religião não devem se misturar.
Quando se mistura, quem perde é a própria fé.
Porque ela deixa de ser espiritual e passa a ser instrumento de disputa. Deixa de unir e passa a dividir. Deixa de acolher e passa a excluir.
E isso é tudo o que a fé verdadeira não é.
Respeitar quem tem fé não é fazer discurso religioso. Não é levantar Bíblia em comício. Não é usar igreja como base eleitoral.
Respeitar quem tem fé é garantir dignidade para as pessoas.
É cuidar da saúde de quem precisa.
É garantir comida na mesa.
É oferecer oportunidade para quem quer trabalhar.
É proteger a família na prática, não no discurso.
Quem tem fé sabe disso.
Sabe que cuidar das pessoas é o maior valor. Sabe que a verdadeira espiritualidade está no compromisso com o próximo. Sabe que fé sem atitude é só palavra.
O problema é que muitos políticos descobriram que falar de Deus dá voto — e passaram a usar isso como atalho.
Mas o povo não é bobo.
Cada vez mais, as pessoas percebem quando a fé está sendo usada como ferramenta política. Percebem quando há sinceridade e quando há oportunismo.
E essa diferença, mais cedo ou mais tarde, cobra seu preço.
O Brasil precisa de políticos que respeitem a fé — todas as fés — sem usá-la.
Precisa de uma política que cuide das pessoas, independentemente da religião que elas professam.
Precisa de equilíbrio, responsabilidade e, principalmente, honestidade.
Porque fé é coisa séria.
E política também deveria ser.
Edson Silveira
Advogado, administrador, professor
Pré-candidato a deputado federal PT/RO




