28 C
Porto Velho
quinta-feira, abril 9, 2026
spot_img

Rondônia decide pagar mais caro e ainda acha normal

Por Édson Silveira
Em um raro momento de unanimidade, quase todo o Brasil resolveu fazer algo para reduzir o preço do diesel. Rondônia, sempre inovadora, decidiu seguir outro caminho: não fazer absolutamente nada.
E não é exagero.
Rondônia figura ao lado do Rio de Janeiro como um dos poucos estados que simplesmente disseram “não” à proposta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para aliviar o custo do combustível.
Convenhamos, não é exatamente a companhia mais confortável.
Uma decisão que só faz sentido… politicamente
A postura do governador Marcos Rocha é daquelas que desafiam a lógica — mas confirmam a política.
Não melhora a economia.
Não ajuda o agronegócio.
Não reduz o custo de vida.
Mas mantém alinhamento ideológico.
E, pelo visto, isso basta.
Porque, em Rondônia, parece que governar virou uma espécie de prova de fidelidade política, mesmo que isso custe caro para quem trabalha, produz e paga imposto.
Diesel caro não é destino. É escolha
Rondônia passa a ostentar um dos diesel mais caros do Brasil. E não, isso não caiu do céu.
Foi decidido.
Decidido por quem poderia ter escolhido diferente.
Enquanto isso:
•o produtor rural perde competitividade;
•o caminhoneiro faz conta para não parar;
•o consumidor paga mais caro até no básico.
Mas, claro, tudo dentro da mais perfeita coerência… ideológica.
A assembleia e os nossos parlamentares federais em modo avião
A Assembleia Legislativa e os nossos parlamentares federais ?
Silêncio.
Um silêncio elegante, confortável e, sobretudo, conveniente.
Diante de uma decisão que impacta toda a economia do estado, a reação predominante foi o velho conhecido “deixa como está”.
Enquanto isso, o diesel sobe.
E a responsabilidade… evapora.
Quando o governo falha, a sociedade se levanta
Felizmente, nem todo mundo resolveu cruzar os braços.
As centrais sindicais — CUT, Força Sindical e CSB — já articulam mobilização. Outras, como CTB e UGT, devem se somar.
Ou seja, quando o governo se omite, a sociedade tenta lembrar o óbvio: Rondônia não é um palanque permanente. É um estado que precisa funcionar.
Ideologia não abastece caminhão
Pode parecer repetitivo, mas é necessário:
ideologia não enche tanque.
ideologia não reduz frete.
ideologia não barateia alimento.
Mas trava decisão. E trava bonito.
E enquanto o governo se apega a discurso, a realidade segue cobrando — no posto, na estrada e na mesa do cidadão.
No fim, quem paga sempre é o mesmo
E a conta, como sempre, não chega para quem decide.
Chega para quem trabalha.
Chega no frete.
Chega na feira.
Chega no combustível.
Chega todo dia.
E cada dia mais pesada.
Rondônia poderia estar avançando junto com o restante do país. Preferiu ficar parada.
Parada — e pagando mais caro por isso.
Édson Silveira
advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO

Últimas

- Publicidade -

Relacionadas

Publicidade