Rondônia não pode pagar o preço da ideologia
Por Édson Silveira
Enquanto o mundo pega fogo — literalmente — com a tensão envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã empurrando o preço do petróleo lá pra cima, aqui em Rondônia a gente assiste a um espetáculo bem conhecido: o governo estadual fingindo que não é com ele.
O diesel sobe.
O frete sobe.
A comida sobe.
E o governo? Observando. Talvez esperando um sinal divino… ou uma autorização política.
O Agro que se vire
Rondônia é movida a diesel. Não é força de expressão — é realidade econômica.
Mas parece que alguém esqueceu de avisar isso ao governador Marcos Rocha.
Porque, diante de uma proposta concreta para reduzir o impacto do diesel, o estado simplesmente… não decidiu.
E enquanto não decide:
•o produtor paga mais
•o caminhoneiro paga mais
•o consumidor paga mais
Mas calma… o importante mesmo, ao que parece, é manter coerência ideológica. Afinal, o tanque pode estar vazio, mas a narrativa precisa estar cheia.
Ideologia: O Combustível mais caro de todos
Existe hoje uma proposta na mesa. Imperfeita? Sim. Negociável? Também. Mas é uma proposta.
Outros estados discutem, negociam, avançam.
Rondônia? Travada.
E não é difícil entender o porquê.
Quando a prioridade é agradar o campo político ligado a Jair Bolsonaro, o interesse público vira detalhe. O problema é que detalhe, nesse caso, significa o bolso de toda a população.
Porque ideologia, no fim das contas:
•não transporta soja
•não move caminhão
•não paga combustível
Mas trava decisão. E trava bonito.
Governar não é fazer pose
O mais curioso — pra não dizer trágico — é ver um estado com forte vocação agropecuária agir como se o preço do diesel fosse um problema abstrato.
Não é.
É concreto. É imediato. É diário.
Cada litro mais caro é:
•menos lucro no campo
•mais custo na cidade
•mais pressão no prato do cidadão
E, ainda assim, o governo prefere ficar nesse jogo de “vou ver”, “vou analisar”, “vou avaliar”.
Enquanto isso, o produtor não pode “avaliar” se vai plantar.
O caminhoneiro não pode “analisar” se vai rodar.
O povo não pode “decidir” se vai pagar mais caro.
A Política do tanto faz
No fundo, o que se vê é a velha política do tanto faz.
Se resolver, resolveu.
Se não resolver, culpa-se Brasília.
E segue o jogo.
Mas não dá mais.
Rondônia não pode continuar sendo conduzida como se fosse uma extensão de disputa ideológica nacional.
Aqui tem gente de verdade.
Tem economia real.
Tem conta chegando todo dia.
O Tanque vazio cobra caro
O governador precisa decidir se quer governar para o povo ou para agradar bolsonarista em rede social.
Porque uma coisa é certa:
o diesel não espera.
E o prejuízo também não.
Enquanto o governo hesita, Rondônia vai ficando para trás — parada no acostamento, vendo outros estados seguirem viagem.
E, no fim, quem paga essa conta não é o governador.
É o povo.
Édson Silveira
advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO




