Por: Edson Silveira
A saúde pública brasileira é, ao mesmo tempo, uma das maiores conquistas sociais do país e um dos seus maiores desafios estruturais. O Sistema Único de Saúde (SUS) é referência internacional pela sua abrangência e pelo princípio da universalidade. No entanto, na prática, milhões de brasileiros ainda enfrentam filas intermináveis, falta de especialistas, demora em exames e carência de infraestrutura adequada.
Em alguns estados, e especialmente em Rondônia, essa realidade se torna ainda mais evidente. A distância entre municípios, a dificuldade de acesso às regiões mais isoladas e a concentração de serviços especializados na capital geram desigualdade no atendimento e sofrimento desnecessário para a população.
Defender o SUS é defender um dos pilares do Estado democrático brasileiro. Mas defendê-lo não significa fechar os olhos para seus problemas. Pelo contrário: é reconhecer que o sistema precisa de financiamento adequado, gestão eficiente e regionalização inteligente para funcionar de forma digna e resolutiva.
A ampliação da atenção básica deve ser prioridade absoluta. A medicina preventiva é mais eficiente, mais econômica e mais humana. Investir em postos de saúde estruturados, equipes de saúde da família bem preparadas e programas de acompanhamento contínuo reduz internações, evita agravamento de doenças e salva vidas.
Outro ponto fundamental é a construção de centros regionais de especialidades médicas em Rondônia. Hoje, muitos pacientes precisam se deslocar centenas de quilômetros para realizar consultas ou exames especializados. Essa concentração sobrecarrega a capital e desassistente o interior. Regionalizar o atendimento é garantir acesso mais rápido e menos sofrimento para as famílias.
A telemedicina também precisa ser ampliada, especialmente nas regiões isoladas do estado. A tecnologia permite que especialistas atendam pacientes à distância, orientem diagnósticos e acompanhem tratamentos sem que o cidadão precise enfrentar longas viagens. Em um estado com as características geográficas de Rondônia, essa ferramenta é estratégica.
Não menos importante é a valorização dos profissionais de saúde. Médicos, enfermeiros, técnicos e demais trabalhadores do SUS enfrentam jornadas exaustivas, falta de estrutura e pressão constante. Nenhum sistema de saúde funciona sem profissionais respeitados, capacitados e adequadamente remunerados. Humanizar a saúde começa por valorizar quem está na linha de frente.
É preciso também aprimorar a gestão pública. Recursos existem, mas muitas vezes faltam planejamento, controle e transparência. Saúde pública não pode ser tratada como improviso. Exige metas claras, indicadores de desempenho e compromisso real com resultados.
O Brasil tem capacidade técnica e experiência acumulada para oferecer um sistema de saúde mais eficiente. O que falta, em muitos casos, é continuidade administrativa, planejamento de longo prazo e decisão política de enfrentar gargalos históricos.
Rondônia precisa avançar para um modelo de saúde pública humanizada e regionalizada. Humanizada porque trata o paciente como cidadão e não como número. Regionalizada porque reconhece as diferenças geográficas e sociais do estado.
Saúde não pode ser privilégio de quem mora perto da capital ou tem recursos para pagar atendimento privado. Saúde é direito constitucional e condição básica de dignidade humana. Fortalecer o SUS não é discurso ideológico. É compromisso com a vida.
Edson Silveira
Advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO.




