Por: Edson Silveira
Falar de fome no Brasil ainda dói — e deveria doer mesmo. Porque num país que é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, ainda ver famílias sem comida na mesa não é apenas injustiça social, é uma contradição histórica que precisa ser enfrentada com coragem e responsabilidade.
Dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional mostraram que, em 2022, mais de 33 milhões de brasileiros enfrentavam situação de fome. Isso significa gente que simplesmente não sabia se teria o que comer no dia seguinte. Esse número escancara o tamanho do desafio e mostra que combater a fome precisa ser prioridade nacional.
O Brasil já provou que sabe enfrentar esse problema quando leva políticas públicas a sério. O atual esforço do governo do presidente Lula retoma justamente essa visão: o Estado tem obrigação de garantir o mínimo existencial para que nenhuma família brasileira passe necessidade.
O Bolsa Família é um dos maiores exemplos disso. Hoje, o programa atende mais de 20 milhões de famílias e é reconhecido mundialmente como uma das políticas sociais mais eficientes no combate à pobreza. Estudos econômicos mostram que o dinheiro do programa não fica parado. Ele volta para o comércio local, movimenta a economia dos pequenos municípios e ajuda a manter empregos. Ou seja, não é só política social — é política econômica também.
Outra medida importante é a redução e isenção de impostos sobre produtos da cesta básica. Quem vive com renda apertada sabe que qualquer aumento no preço do arroz, do feijão ou do óleo pesa muito no orçamento. Quando o governo reduz impostos desses produtos, ele está ajudando diretamente quem mais precisa.
Além disso, políticas de incentivo à agricultura familiar também ajudam a segurar o preço dos alimentos. Hoje, cerca de 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros vêm da agricultura familiar. Investir nesses pequenos produtores é fortalecer a economia local, gerar renda no campo e garantir comida mais acessível para a população.
Agora, é impossível falar desse tema sem mencionar uma coisa que chama atenção: ainda existe gente que insiste em atacar programas como o Bolsa Família, dizendo que ele incentiva vagabundagem. Esse tipo de discurso, além de preconceituoso, não se sustenta diante dos fatos. Pesquisas mostram que a maioria esmagadora dos beneficiários trabalha ou busca trabalho. O que essas políticas fazem não é sustentar preguiça, mas impedir que famílias afundem na miséria absoluta. Criticar políticas sociais enquanto se ignora privilégios históricos e desigualdades profundas não é defesa da meritocracia — é simplesmente fechar os olhos para a realidade do povo brasileiro.
A fome não é só falta de comida. Ela traz junto evasão escolar, problemas de saúde, aumento da violência e destruição de oportunidades. Uma criança que estuda com fome tem muito menos chance de construir um futuro melhor. Combater a fome é também investir em educação, saúde e segurança pública.
Garantir segurança alimentar é defender dignidade humana. É entender que desenvolvimento econômico só faz sentido quando chega para todos. Um país que permite que parte do seu povo passe fome não cresce de verdade — apenas concentra riqueza e amplia desigualdades.
O Brasil tem terra fértil, capacidade produtiva e conhecimento técnico. O que precisa continuar existindo é compromisso político e social para garantir que nenhum brasileiro precise escolher entre pagar uma conta ou colocar comida na mesa.
Porque comida no prato não é luxo. Não é favor. É direito básico de qualquer cidadão.
Edson Silveira
Advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual do PT/RO e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO




