O movimento político produzido por Hildon Chaves e Marcos Rocha impuseram limites às possibilidades dos demais candidatos, partidos e grupos na disputa eleitoral deste ano, com impactos inclusive nas eleições proporcionais.
Por Elizeu Lira
Já escrevi em artigos anteriores, aqui neste espaço, que esta eleição majoritária estadual será marcada mais por aglutinação de grupos políticos do que por nome ou personalidade de candidatos, ao contrário da eleição nacional – esta sim fortemente solidifica em torno dos nomes e dos perfis dos concorrentes. Em Rondônia, os nomes já colocados para a disputa, sozinhos, se nivelam no quesito votos e nem mesmo o governador Marcos Rocha, de posse da máquina estadual, se diferencia dos demais.
Na semana passada, entre o domingo e o sábado, dois fatos corroboraram com a minha tese. O primeiro deles foi o anúncio no domingo, via live, do senador Confúcio Moura afirmando que não será candidato ao governo do estado, pelo MDB. Sete dias depois, no sábado, dia 26, o prefeito Hildon Chaves declarou apoio à reeleição do governador Marcos Rocha, levando consigo o vice-prefeito Maurício Carvalho e sua irmã, a deputada federal Mariana Carvalho – e a máquina da prefeitura. Na engenharia articulada pelos dois grupos, Expedito Junior foi alijado e se mantêm no papel de “errante eleitoral”, uma vez que não é conhecida a sua capacidade eleitoral para vitórias há muito tempo.
Esta movimentação política, de fato relevante, coloca os demais candidatos e grupos na defensiva, uma vez que disputar contra duas máquinas é tarefa quase impossível, avaliam. Embora alianças políticas podem ser coladas “com cuspe” e se romperem com a mais leve das brisas, a aventada possibilidade da primeira dama do município, Ieda Chaves, ser vice na chapa de Marcos Rocha, se confirmada, transformam os dois mandatário “em um só”.
Diante dos dois fatos citados acima, o que restaria no tabuleiro político para os demais grupos ou candidatos diante da 1) ausência definitiva de Moura da disputa?; 2) da consolidação da aliança Rocha e Chaves?; e 3) da não adesão de nomes candidatáveis à esta aliança? Lembrando que a formação das federações dos partidos, a serem conduzidas pelas cúpulas das legendas, ainda não está definida e tudo pode mudar de uma hora para a outra.
Se a posição de Confúcio for definitiva, o MDB fica sem nome competitivo para a disputa e compromete, inclusive, a formação de nominatas para os cargos proporcionais. No caso da disputa majoritária, incluindo a de senador/a, restará ao partido atrair nome(s) para a legenda ou buscar compor chapa com outros partidos. Neste caso, na posição de coadjuvante e com poder de barganha bastante relativizado.
O potencial candidato Léo Morais, da forma com está hoje não chega a lugar algum. Ou se junta a grupos, ou compete apenas, inclusive se quiser disputar o senado. A obrigação de oferecer palanque ao candidato a presidente do Podemos não acrescenta nada ao projeto estadual, uma vez que Moro não alcança dois dígitos nas pesquisas. Talvez seja mais produtivo ser candidato por outro partido, logo outro grupo, ou mesmo manter sua candidatura à reeleição.
A candidatura de Cassol, ou de alguém do seu grupo, também padece do mesmo problema. Se for o próprio o candidato, melhora, mas não é suficiente para se contrapor às duas máquinas que enfrentará. Se não for Cassol o candidato, como no MDB, o seu grupo terá dificuldades para compor nominatas para os cargos proporcionais e se reduzem as chances de eleger o senador.
O potencial potencial candidato (não você não leu errado) Marcos Rogério não foge à regra. Sua estrela já brilhou muito, mas o seu empenho pró-governo na CPMI da Covid-19 o fez mais bolsonarista que o governado Marcos Rocha. Sem grupo que extrapole os eleitores do presidente, servirá apenas para dividir eleitores que admiram Bolsonaro com o governador, colocando em risco os projetos de ambos.
Embora tenha iniciado a discussão com o grupo de esquerda que trato abaixo, Vinicius Miguel parece ter decidido por carreira solo. Se isso for fato, sua situação é muito parecida com a de Léo Morais, com a desvantagem de que não possui o mandato e que o seu partido não tem a estrutura necessária para uma campanha competitiva.
Os partidos de esquerda, que se juntaram em um grupo denominado G7 e tentam costurar uma aliança, tem bons nomes para os cargos majoritários e até para os proporcionais, mas padecem do mal da discórdia e de egos inflados à altura das estrelas. Isso resulta em poucos votos e na renúncia ao capital eleitoral do candidato a presidente do PT. Ou este grupo dialoga com outros grupos, ou usufruirá do limite eleitoral que a esquerda possui no estado.
A outra possibilidade é, em função da aliança anunciada no sábado, nenhum dos candidatos querer disputar o pleito e ir se aninhar nos braços do governador e do prefeito. Afinal, são dois cofres, digo, espaços imensos para “fazer política”. Esta é uma possibilidade razoável e, se ocorrer, o WO do titulo deste artigo será confirmado.



