O parlamentar sugeriu aos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados agenda comum para o tratamento cuidadoso dos projetos que tramitam no Congresso e que impactem a população indígena
Nessa terça-feira, 19 de abril, data em que se comemorou o Dia do Índio no Brasil, o senador Confúcio Moura (MDB-RO), utilizou a tribuna virtual da Casa durante a Sessão Deliberativa Ordinária para manifestar sua preocupação com as crescentes ameaças aos povos da floresta e ao mesmo tempo declarar apoio incondicional às causas indígenas.
O senador rondoniense lembrou que no início deste mês houve uma manifestação de mais de 4 mil índios em Brasília, e que eles estão preocupados com alguns projetos em andamento no Congresso. O centro da inquietação é o PL 191/2020, que trata da autorização para exploração de garimpos em terras indígenas. Confúcio disse que juntamente com o líder do seu partido no Senado, Eduardo Braga (AM), ouviram atentamente as reivindicações.
Confúcio Moura enfatizou que, se indígenas saíram de suas aldeias de todos os cantos do Brasil para irem a Brasília numa manifestação, em um acampamento no Eixo Monumental, é justamente para chamar a atenção. “É para advertir, para mostrar ao Brasil as suas preocupações, as crescentes ameaças e os problemas vividos no dia a dia das suas aldeias, das suas etnias, dos seus territórios. Então, a preocupação é grande e está em nossas mãos cuidar para que não sejam mais agredidos do que já estão sendo”, alertou.
O parlamentar rondoniense sugeriu uma agenda comum entre o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (União-MG) e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) para observar atentamente os projetos citados pelas lideranças indígenas. “Seria muito importante, nesta data de hoje, que nós, pelo menos, déssemos a eles um alento e uma esperança e, naturalmente, o nosso apoio político para a continuidade da demarcação de suas terras, dos seus territórios, que vêm sendo, ao longo do tempo, ocupados de uma maneira progressiva por várias atividades econômicas que ferem de morte o modus vivendi dos indígenas brasileiros”, enfatizou.
Lembranças de Darcy Ribeiro
Quando era deputado federal, Confúcio Moura disse ter convivido com Darcy Ribeiro no Congresso. Na época, Darcy era senador e fazia discursos em defesa dos povos da floresta. “Darcy foi um grande antropólogo, morou em muitas comunidades indígenas – ele mesmo morou lá dentro – e foi professor emérito e fundador da Universidade de Brasília. Basta rever os discursos de Darcy Ribeiro, que são dos anos de 1998, 2000, ou de um pouco antes, para percebermos que continuam atuais”, disse.
Confúcio Moura disse que é preciso retomar os discursos e ações em defesa dos indígenas. “A partir dessa cadeia de transmissão que vem rodando ao longo da história do Brasil, principalmente pelo grito e pela manifestação de Darcy Ribeiro, e agora mais recentemente pelas lideranças indígenas jovens, que, orientadas e graduadas nas universidades, graças às leis de cotas, estão tendo maiores condições, como advogados, antropólogos, professores, para se protegerem das agressões e estão dando um grito horizontal, para todo o Brasil dito civilizado. Em relação aos índios, a nossa civilidade ainda carece avançar muito”, concluiu o senador.
Foto: Agência Senado



