Um eleitorado majoritariamente feminino, solteiro, com Ensino Médio e de meia idade. Esse é o perfil nacional de quem vai às urnas nas maiores eleições municipais da história do Brasil. As características dos eleitores, no entanto, variam conforme os estados e municípios. A Lupa, então, compilou nesta reportagem os dados sociodemográficos dos eleitores nos 26 estados e em mais de 5,5 mil cidades de todo o país.
O total de brasileiros aptos a votar nas próximas eleições municipais aumentou em 3,5 milhões de eleitores nos primeiros 130 dias deste ano, passando de 152,4 milhões em dezembro de 2023 – conforme revelou a reportagem especial Feminino, solteiro e mais velho: o perfil de quem vai às urnas em 2024, publicada pela Lupa em janeiro – para 155,9 milhões em 9 de maio, data limite para emissão ou regularização do título eleitoral. No entanto, o retrato nacional não foi significativamente alterado pelo aumento no número de eleitores nesses pouco mais de quatro meses.
As maiores eleições municipais do país terão um eleitorado 5,4% maior do que o registrado em 2020, quando chegou a pouco mais de 147,9 milhões. No entanto, o número de brasileiros no próximo pleito, é inferior tanto ao total de eleitores cadastrados na última eleição presidencial em 2022 (156,4 milhões) quanto aos 158,9 milhões de brasileiros que estão atualmente na base do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Isso se deve ao fato de que os residentes do Distrito Federal, de Fernando de Noronha (distrito estadual de Pernambuco) e os brasileiros que moram no exterior não votam para prefeito e vereador.
Mulheres seguem sendo maioria
Nas últimas duas décadas, desde 2012, segundo dados do TSE, as mulheres são maioria nas urnas nas eleições municipais. Atualmente, 52,5% do eleitorado é feminino, representando mais de 81,8 milhões de votos no país, contra 74 milhões dos homens.
O maior contingente de mulheres votantes, em termos percentuais, está no Rio de Janeiro (53,72%), seguido por Pernambuco (53,38%) e Alagoas (53,07%). Em nenhum estado brasileiro os homens são maioria, mas em cinco unidades federativas a diferença é inferior a 1%. Nessas regiões, o percentual de eleitores do sexo feminino está na casa dos 50%: Amapá (50,96%), Mato Grosso (50,92%), Roraima (50,85%), Tocantins (50,53%) e Pará (50,43%).
Solteiros são 93,9 milhões
Os solteiros são maioria nas próximas eleições. Apesar de o status de relacionamento registrado no TSE ser um retrato do momento da emissão do título ou atualização cadastral, os dados indicam que 60,25% do eleitorado está solteiro. O percentual é maior do que o registrado nas eleições de 2020 (57,21%), mas inferior ao de 2016 (62,98%) e 2012 (65,15%) – início da série histórica usada na reportagem.
Em segundo lugar, em termos percentuais, está o grupo de brasileiros que afirmou estar casado, representando 32,25% do total do eleitorado, um índice semelhante aos 32,82% do pleito realizado em 2020. Separados e divorciados correspondem a 4,96% e viúvos a 2,52%.
Menos adolescentes no pleito
As campanhas de estímulo à emissão de títulos entre adolescentes intensificadas em 2024 aumentaram o número de documentos entre brasileiros de 16 e 17 anos nos últimos meses, chegando a 1,8 milhões em maio em comparação a 1,1 milhão em dezembro passado. Apesar disso, o percentual de participação dessa faixa etária em relação às demais ficou 1,17%, menor do que o registrado nas eleições passadas de 2020 (1,78%), 2016 (1,60%) e 2012 (2,1%).
A maior parte do eleitorado está concentrada entre 35 e 59 anos (45,32%). Já a população com mais de 60 anos nas próximas eleições representa 21,9% do total, proporção semelhante à registrada em 2020 (21,03%). O maior crescimento em termos percentuais entre as faixas etárias, por sua vez, foi registrado entre 18 e 20 anos, saltando de 1,78% para 4,38%.
Baixa escolaridade entre eleitores
Como a reportagem anterior publicada no início do ano já indicava, um terço dos eleitores não completou o Ensino Fundamental. Atualmente, 32,65% não chegaram ao Ensino Médio. Desse grupo, 3,57% dos brasileiros afirmaram ser analfabetos e 6,59% disseram saber apenas ler e escrever.
A maior parte dos eleitores brasileiros aptos a votar neste ano entrou no Ensino Médio (44,81%), mas apenas 27,04% completaram essa etapa de ensino. Os dados do TSE indicam ainda que 16,12% chegaram ao Ensino Superior, mas apenas 10,75% completaram o curso.
No país, a soma de eleitores que não frequentaram a escola – grupo formado por analfabetos e os que afirmam apenas ler e escrever – corresponde a 10,16% do total do eleitorado. Em 14 estados, o número é superior ao índice nacional e, em três deles, está na casa dos 20%. Os piores índices estão em Alagoas (21,34%), Piauí (21,2%) e Paraíba (19,79%).




