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quinta-feira, março 12, 2026
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Enfrentando tabus: a urgente necessidade da esquerda no debate de costumes

Nesse processo eleitoral de 2024, observa-se que a maioria dos candidatos de esquerda demonstrou timidez em abordar temas fundamentais para o nosso campo, como inclusão social, direitos humanos, liberdade sexual, direitos das mulheres, LGBTQI+, linguagem neutra e aborto. Isso nos coloca em desvantagem, pois perdemos a chance de educar a sociedade sobre esses assuntos essenciais para uma sociedade mais democrática, inclusiva e plural.

A direita, ao pautar insistentemente esses temas de costumes, foge do debate que verdadeiramente importa para resolver os problemas da cidade, do estado, do país e das pessoas. Eles evitam discutir a fundo as questões de economia, educação, saúde e segurança, porque sabem que suas propostas não resolvem esses problemas. É aí que a esquerda se mostra mais competente, com um histórico de maior capacidade para implementar políticas que de fato melhorem a vida das pessoas.

O que muitos esquecem é que, historicamente, Jesus Cristo foi um verdadeiro revolucionário. Ele questionou os padrões morais de sua época, defendendo os marginalizados e pregando a inclusão. Isso está diretamente conectado com o que defendemos. Quando fugimos dessas discussões, permitimos que a direita se aproprie dessa narrativa e consolide sua base, especialmente entre os evangélicos. Precisamos lembrar que inclusão e compaixão são valores cristãos.

É necessário desmistificar esse debate, criando novos paradigmas e novas narrativas. Não podemos aceitar os termos impostos pela direita, que frequentemente usa o medo e a desinformação para desvirtuar discussões legítimas sobre direitos e liberdade. Precisamos mostrar que temas de costumes não são uma ameaça aos valores da sociedade, mas uma oportunidade de torná-la mais justa e igualitária. Criar novas formas de dialogar com a população sobre inclusão, respeito e dignidade é o caminho para desarmar os preconceitos e construir um debate mais construtivo e racional.

Filósofos como Michel Foucault explicam que o poder não se manifesta apenas nas instituições, mas também nas normas sociais que ditam o que é “normal” ou “aceitável”. Quando não enfrentamos esses debates, perpetuamos essas estruturas de opressão. John Stuart Mill, em “Sobre a Liberdade”, também nos ensina que a diversidade de opiniões é essencial para o progresso. Precisamos parar de fugir dessa discussão.

Ao não sermos claros e contundentes, a direita se fortalece e nos rotula. O filósofo Jürgen Habermas defende que o debate público deve ser um lugar para o entendimento, onde todas as ideias podem ser discutidas. É justamente isso que falta: trazer a razão e os argumentos para o diálogo e mostrar que a pauta de inclusão é central para uma sociedade mais justa.

Se a esquerda quiser recuperar seu espaço, precisa enfrentar de cabeça erguida o debate de costumes. Estamos preparados para resolver os grandes problemas econômicos e sociais do país, mas também precisamos mostrar que os valores progressistas são a chave para uma sociedade mais democrática e plural.

Édson Silveira
Advogado e vice-presidente estadual do PT/RO

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