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terça-feira, março 10, 2026
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A virtude da gratidão na política: Eduardo Paes, prefeitos eleitos e o reconhecimento ao governo Lula

Por Édson Silveira (*)

Sob a batuta do governo do presidente Lula (incluindo os dois primeiros, de 2002 a 2010), o Brasil está experimentando um dos momentos econômicos mais extraordinários. Não é falácia eleitoral. É a mais pura das realidades. Com uma política municipalista que prioriza investimentos robustos no social, em infraestrutura, na geração de emprego e renda, no controle fiscal e no impulso à economia, o país voltou a crescer.

Os repasses do orçamento federal aos estados e municípios, independentemente de cor partidária, sejam diretamente ou através de emendas parlamentares, estão permitindo que cidades por todo o Brasil avancem em várias frentes, principalmente em Rondônia. Mas, como em tudo na vida, a gratidão tem sido uma virtude rara entre muitos prefeitos eleitos ou reeleitos que foram diretamente beneficiados por essa política.

Eduardo Paes (PSD), reeleito prefeito do Rio de Janeiro no primeito turno, é uma exceção. Ele não hesitou em agradecer publicamente e com entusiasmo ao presidente Lula pelos investimentos que impulsionaram a cidade. E não é só uma questão de cortesia. Paes soube reconhecer o papel de quem ajuda. Isso é sinal de caráter e responsabilidade política. Sua postura é admirável e deveria servir de exemplo para outros. Na política, como na vida, ser grato fortalece parcerias e dá mais credibilidade ao trabalho realizado.

Agora, o que dizer de Ricardo Nunes (MDB), o atual prefeito de São Paulo, cujo partido é da base do governo e possui três ministros? Ele faz o oposto de Paes. São Paulo vive hoje um dos seus melhores momentos econômicos, mas Nunes prefere se vangloriar, sem sequer mencionar o papel crucial que o governo federal teve nessa transformação. Durante um dos debates com Boulos na TV, Nunes disse que São Paulo gerou muitos empregos e obteve muitos investimentos na gestão dele. Mas, de onde vêm os recursos? Do governo Lula, ora bolas. A mesma fonte dos recursos que foram destinados ao Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre, Cuiabá, Belo Horionte, Maceió, Porto Velho, Rio Branco, Manaus, Belém, Macapá, Teresina, João Pessoa, Recife, Curitiba, Florianópolis, Campo Grande, Aracaju, Vitória, Brasília, Palmas, Boa Vista, Natal, Fortaleza, etc. Indiretamente, Lula ajudou a eleger e a releeger muitos adversários políticos, em detrimento dos próprios candidatos do PT.

Essa ingratidão de Nunes, essa atitude mesquinha, me parece que vai lhe custar caro. E eu não tenho dúvidas de que essa omissão contribuirá para sua derrota no segundo turno para Guilherme Boulos. Os eleitores não são bobos; eles percebem quem sabe reconhecer os apoios que recebe e quem prefere agir com soberba.

E para quem acha que essa ingratidão é coisa isolada de São Paulo, olhe para Porto Velho, Rondônia. Aqui, Mariana Carvalho, candidata da situação, age da mesma forma que Nunes. Ligada ao bolsonarismo, ela ignora completamente os fortes investimentos que o governo Lula trouxe para nossa cidade como  todos os demis municípios. Que o diga o prefeito Hildon Chaves (PSDB) que é presidente da Associação Rondoniense de Municípios (AROM).

Mariana fala como se as passarelas da BR-364, as pontes sobre o rio Madeira e as duas hidrelétricas fossem fruto de algum alinhamento político dela com Bolsonaro, quando todos sabem que é o governo Lula (sobretudo os dois primeiros governos, de 2002 a 2010), que tem garantido esses avanços nos últimos 20 anos. Esse comportamento ingrato, essa tentativa de distorcer a realidade, pode levar Mariana ao mesmo destino de Nunes: perder as eleições.

Eu acredito firmemente que, assim como Paes demonstrou gratidão, quem reconhece o que é feito de bom para sua cidade merece ser reconhecido pelos eleitores. Paes entendeu isso e colheu os frutos de sua postura. Já Mariana e Nunes parecem estar desconectados dessa virtude básica, preferindo o caminho do distanciamento e da omissão. Mas, como sempre, a verdade se impõe, e o eleitorado vai saber distinguir quem tem coragem de admitir as contribuições que melhoram a vida das pessoas e quem prefere seguir em um caminho de ingratidão.

Gratidão é uma virtude que deve ser cultivada. Na política, é ainda mais importante, pois demonstra honestidade, reconhecimento e respeito pelos cidadãos. Que fique o exemplo de Eduardo Paes e o aviso para quem, como Nunes e Mariana, insistem em desprezar os aliados que realmente fazem a diferença.

(*) Édson Silveira é advogado e vice-presidente estadual do PT/RO

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