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terça-feira, abril 21, 2026
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Fé não tem dono; e voto não tem pastor

Por Edson Silveira

Confesso que ao ler esse tipo de postagem — “cristão não vota na esquerda” — a primeira reação pode ser de indignação.

Mas, passada a emoção, vem algo mais importante: reflexão.

Desde quando alguém se acha no direito de dizer em quem um cristão pode ou não votar?

Desde quando a fé virou manual de instrução eleitoral?

E, principalmente: desde quando líderes religiosos passaram a tratar fiéis como massa de manobra?

Sou cristão. Católico.

E digo isso com toda serenidade e firmeza:
a minha fé não pertence a nenhum político, nem a nenhum pastor, nem a nenhum grupo ideológico.

A minha fé é em Jesus Cristo.

E o meu Jesus Cristo não é instrumento de campanha.

Ele é amor.
É acolhimento.
É justiça.
É vida.

Não é imposição.
Não é manipulação.
Não é controle.

Quando alguém usa o nome de Deus para orientar voto, não está fortalecendo a fé — está instrumentalizando a fé.

E isso é grave.

Porque transforma algo sagrado em ferramenta de poder.

O Estado brasileiro é laico. Isso não é contra a religião — é o que protege todas as religiões.

É o que garante que ninguém será obrigado a seguir a fé de outro.

É o que impede que líderes religiosos se tornem cabos eleitorais disfarçados de autoridade espiritual.

Misturar religião com política nesse nível não fortalece a igreja. Enfraquece.

Divide. Radicaliza. Confunde.

E o pior: desvia o foco do que realmente importa.

Enquanto alguns gritam sobre “quem pode ou não votar em quem”, o povo está enfrentando problemas reais:

Preço alto.
Saúde precária.
Dificuldade de viver com dignidade.

E isso não se resolve com frase de efeito nem com orientação religiosa travestida de política.

Se resolve com consciência.

Com liberdade.

Com responsabilidade individual.

O verdadeiro cristão não vota por medo.
Não vota por imposição.
Não vota por pressão de púlpito.

Vota com consciência.

Examina. Pensa. Ora. Decide.

E isso é liberdade.

Respeito profundamente todas as igrejas, todos os pastores e todos os fiéis que vivem sua fé com sinceridade.

Esses merecem reconhecimento.

Mas também é preciso ter coragem de dizer: fé não pode ser usada como ferramenta de controle político.

Quem faz isso não fortalece o evangelho.

Enfraquece.

E o povo já começa a perceber essa diferença.

A fé liberta.
A manipulação aprisiona.

E eu escolho a liberdade.

Como cristão, como cidadão, como alguém que acredita que Deus nos deu consciência justamente para que a gente a use — e não para que entregue nas mãos de quem quer decidir por nós.

Edson Silveira
Advogado, administrador, professor
Cristão católico
Pré-candidato a deputado federal PT/RO

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