Por Édson Silveira
Há uma sensação cada vez mais presente entre quem acompanha a política de Rondônia: nossa representação piorou — e piorou muito. Não é nostalgia vazia. É comparação concreta.
Quem viveu outros momentos da política rondoniense sabe do que estamos falando. Eurípedes Miranda, Orestes Muniz, Marinha Raupp, Expedito Júnior, Expedito Neto, Carlos Magno, o saudoso Eduardo Valverde, Anselmo de Jesus… nomes de diferentes correntes políticas, com visões distintas, mas que tinham algo em comum: presença, posicionamento e respeito nacional.
No Senado, não era diferente. Expedito Júnior, Amir Lando, Moreira Mendes, Ronaldo Aragão, Valdir Raupp, Odacir Soares, Claudionor Roriz e Fátima Cleide marcaram uma época em que Rondônia não passava despercebida em Brasília. Concordar ou discordar fazia parte do jogo democrático. Mas havia debate, havia enfrentamento, havia voz.
Hoje, o cenário é outro — e a comparação é inevitável.
A atual bancada federal parece ter feito um pacto silencioso com a irrelevância. Pouca produção legislativa relevante, nenhum grande protagonismo e uma atuação resumida, quase que exclusivamente, à liberação de emendas. Mandato virou rotina administrativa. Política virou protocolo.
E quando não é silêncio, é contradição. Discurso moralista de um lado, prática questionável do outro. Bandeiras levantadas no microfone que não resistem à realidade do próprio mandato.
Enquanto isso, as demandas reais de Rondônia ficam para depois — ou nem chegam. Trabalhadores sem defesa firme, pequenos e médios empresários sem apoio estruturado, servidores públicos ignorados nas pautas nacionais. O estado cresce, produz, enfrenta desafios — mas não encontra eco à altura no Congresso.
E no auge desse modelo distorcido de fazer política, tivemos o famigerado “orçamento secreto”, que sequestrava parte significativa do orçamento público da União para distribuição sem transparência, critérios claros ou controle social efetivo. Um mecanismo usado de forma nada democrática e pouco republicana, que enfraqueceu o planejamento nacional e fortaleceu interesses particulares. Foi preciso a intervenção do ministro Flávio Dino para pôr fim a essa excrescência institucional que, infelizmente, também reverberava nos estados. Uma página vergonhosa da República brasileira.
No meio desse cenário, é justo registrar: o senador Confúcio Moura é hoje a única exceção que merece respeito, por apoiar as ações do governo federal em Rondônia e contribuir para a chegada de investimentos. Pode-se discordar de seu estilo, mas não de sua atuação concreta.
O restante da bancada, infelizmente, deixa um vazio político que o eleitor já começou a perceber.
E é aí que entra a grande contradição: um estado que já teve representantes fortes, hoje convive com uma representação frágil. Um passado com voz ativa e um presente marcado por silêncio conveniente.
Mas política não é destino. É escolha.
O eleitor de Rondônia terá, mais uma vez, a oportunidade de decidir se quer continuar com essa bancada que administra mandato como negócio, ou se quer resgatar o tempo em que seus representantes tinham coragem, posicionamento e compromisso com o estado.
Saudade não resolve.
Mas pode servir de alerta.
E, em 2026, pode virar mudança.
Edson Silveira
Advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO



