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quarta-feira, abril 29, 2026
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Alcolumbre venceu? Talvez, mas o preço pode vir com juros

Por Édson Silveira

A recente rejeição, no Senado Federal, do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal foi vendida como uma derrota política do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. E, de fato, no placar imediato, parece isso mesmo.

Mas política não é futebol. O jogo não termina no apito final — e, às vezes, a “vitória” de hoje é só o início de um problema bem maior amanhã.

O protagonista desse episódio, Davi Alcolumbre, decidiu transformar uma indicação ao STF — que deveria ser analisada com base em critérios técnicos e institucionais — em um espetáculo de força política. Um recado claro: aqui quem manda somos nós.

Bonito no discurso. Perigoso na prática.

Porque quando o Senado começa a medir ministros do Supremo com régua política, e não jurídica, o que se instala não é independência entre Poderes — é oportunismo institucionalizado.

E aqui entra o ponto mais incômodo — aquele que muita gente prefere fingir que não existe.

O noticiário recente tem sido pródigo em escândalos, investigações e suspeitas envolvendo figuras do poder. Casos como o chamado “Banco Master”, amplamente repercutido na imprensa, levantam questionamentos sérios sobre relações perigosas entre dinheiro, influência e política. Não cabe aqui fazer acusações levianas ou prejulgar quem quer que seja — isso é papel das instituições competentes.

Mas também não dá para ignorar o óbvio: quando setores do chamado “centrão” assumem protagonismo em derrotas estratégicas do governo, em meio a um ambiente carregado de suspeitas e investigações, a pergunta surge quase sozinha — estamos diante de um gesto de independência ou de uma cortina de fumaça?

Coincidência ou não, o timing sempre chama atenção.

O problema não é o Senado rejeitar um nome. Isso faz parte do jogo democrático. Como Lula diz “eu indico é o senado aprova ou rejeita”. Rejeitou! O problema é quando essa rejeição parece menos preocupada com a qualidade do indicado e mais interessada em enviar recados, ajustar contas ou reposicionar forças dentro do tabuleiro político.

E, nesse movimento, quem perde — de novo — é o país.

Porque o Supremo Tribunal Federal deixa de incorporar um nome com experiência institucional relevante. E o Brasil segue aprofundando uma prática perigosa: a de transformar decisões de Estado em barganha de ocasião.

Quanto a Alcolumbre e seus aliados, a história costuma ser implacável com quem confunde poder com impunidade. Quem avisa amigo é “vai ter troco”.

Se há algo que o Brasil tem mostrado nos últimos anos, é que investigações caminham. Às vezes devagar, às vezes com tropeços — mas caminham. E quando chegam, não costumam perguntar quem estava ganhando ou perdendo votações no Senado.

Cobram, e compram com juros.

E, nesse caso, talvez a maior derrota não seja a de Lula numa votação. Pode ser a de quem acha que certas vitórias políticas são blindagem suficiente contra o tempo — ou contra a lei.

O tempo dirá. E, quando disser, dificilmente será com suavidade.

Edson Silveira
Advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO

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