Análise de conjuntura da FUG-RO aponta para protagonismo eleitoral do partido nas eleições de 2026, a partir de uma candidatura jovem, extremamente qualificada e do centro programático
(*) Por Elizeu Lira
Oito anos após deixar o governo do estado de Rondônia, o Movimento Democrático Brasileiro – MDB tem sofrido os desgastes naturais de quem já não é mais detentor do poder. Sem poder não existem entregas. Sem entregas, o DNA partidário não chega à população e esta, por sua vez, dilui rapidamente a memória dos ganhos coletivos produzidos pelo partido quando no governo. A história do MDB, como se sabe, é fundamentada na visão republicana do Estado, distante do clientelismo costumeiro de gestores tradicionais.
No caso do MDB de Rondônia, o desgaste é ainda maior por duas razões: a primeira é resultado de ser o partido mais orgânico do estado, onde a dinâmica partidária exige de suas lideranças conexões profundas com a sua militância e a instituição. O exemplo mais claro desta característica é o afastamento de quatro parlamentares com mandatos do partido no último ano. A distância destes parlamentares da vida partidária foi a razão central do desligamento.
A outra razão foi o compromisso do partido com o bem estar da população do estado. Mesmo não estando no poder, a sigla teve clareza de que só agenda do governo estadual (e o orçamento) seriam insuficientes para prover as necessidades das pessoas que aqui moram, em especial as mais pobres. A optar em aderir às políticas públicas implementadas pelo governo federal, o MDB de Rondônia, sob a liderança do senador Confúcio Moura, tinha certeza que seria o único interlocutor entre a população do estado e a União – uma vez que todos os demais atores eleitos para esta tarefa pertenciam aos partidos de oposição, inclusive o governador do estado. Esta situação se confirmou e perdura até os dias de hoje.
Este movimento do MDB foi percebido pelo campo progressista e a aproximação foi ensaiada por meio do Movimento Caminhada Esperança, formulado pelo senador Confúcio Moura e pelo ex-senador Acyr Gurgacz. O Caminhada Esperança reuniu nove partidos progressistas do estado e realizou agenda de debates pelos maiores municípios, reunindo milhares de pessoas. Com a indefinição nos nomes dos majoritários na Frente e a chegada da agenda pré-eleitoral, os partidos decidiram implementar estratégias próprias, diluindo o Movimento.
As voltas com o dilema de lançar candidatura própria ao governo do estado ou compor com outros partidos, o MDB decidiu buscar nomes para ser o seu majoritário nas eleições de outubro. Os critérios definidos para a escolha do nome eram claros: ser novo na política (e se possível na idade), boa qualificação pessoal, compromisso com o ideário do partido e equilíbrio ideológico.
As conversas com o advogado Pedro Abib tiveram início em outubro de 2025 e vieram amadurecendo ao longo dos meses. Nada foi ao acaso ou objeto de atropelos ou açodamento. O desfecho final destas articulações foi o documento elaborado pelo então vice-reitor da Faculdade Católica, no qual formalizava o seu interesse em disputar as eleições e justificava as razões para isso.
“A visão que temos parte de um diagnóstico da existência de um campo político hegemonicamente ocupado por um único espectro discursivo – legitimo em sua representação, mas incapaz de alcançar quem não se reconhece nos extremos. Os nomes mais relevantes já postos na disputa orbitam em torno do mesmo pólo, o que os condena a disputar o mesmo eleitorado entre si. Do outro lado, as candidaturas existentes surgem de forma extemporânea, com pouca institucionalidade e sem a capacidade de representar a pluralidade dos que esperam da política algo além do confronto. O resultado desse cenário é previsível: sem candidato do MDB, Rondônia chega a mais um ciclo eleitoral sem que alguém ocupe com convicção o espaço do equilíbrio, das propostas consistentes e necessárias e da maturidade democrática”, afirma Abib em trecho do documento que demonstra haver evidente oportunidade para uma candidatura de centro em acirrado ambiente de polarização.
O referido documento foi encaminhado à direção partidária, que o submeteu à executiva estadual, cuja aprovação foi unanime pela candidatura de Pedro Abib como pré-candidato a governador pelo MDB, ressalvadas as limitações financeiras normais para o período da pré-campanha.
Católico praticante, Pedro Abib tem 35 anos, é casado, pai de duas filhas, graduado em Direito e Medicina Veterinária, Doutor em Ciência Jurídica e que, até o mês de março, foi vice-reitor da Faculdade Católica de Rondônia. Sem qualquer militância partidária anterior, Abib reúne as condições para oferecer ao eleitorado de Rondônia propostas consistentes de políticas públicas desenvolvimentistas, inclusivas, sustentáveis e inovadoras – amparadas numa estrutura partidária robusta e com grande capilaridade no estado.
Como pôde ser constatada, a candidatura agora posta de Pedro Abib seguiu o rito institucional do partido, não é ao caso e foi apresentada à sociedade de forma organizada, consolidada internamente e com virtudes estranhas às demais candidaturas já postas no tabuleiro político do estado.
Na estruturação da campanha de Abib, já em curso, e das nominatas proporcionais, o MDB conta com o apoio da Fundação Ulysses Guimarães – FUG na formulação de estratégias, programa de governo/mandatos e na formação política dos seus quadros.
(*) Elizeu Lira, sociólogo, especialista em políticas públicas, é presidente estadual da Fundação Ulysses Guimarães – FUG-RO.



