A declaração ocorre em meio ao debate sobre brasileiros que fugiram do país e passaram a viver nos EUA. Entre os casos recentes está o de Ramagem
O presidente Lula lançou nesta terça-feira (12) o Programa Brasil Contra o Crime Organizado e afirmou que os Estados Unidos precisam colaborar com a entrega de brasileiros que vivem em Miami caso queiram participar de forma efetiva do combate ao crime internacional. A declaração foi feita durante solenidade que apresentou a nova estratégia nacional de segurança pública.
A iniciativa reúne ações de inteligência, integração federativa e medidas imediatas para atingir as estruturas econômicas, operacionais e territoriais que sustentam facções criminosas no país. O programa prevê investimentos bilionários e ações voltadas ao sistema prisional, à investigação de homicídios, ao combate ao tráfico de armas e à asfixia financeira de organizações criminosas.
Na cerimônia, Lula afirmou que o enfrentamento ao crime organizado exige coordenação entre governos, forças policiais, sistema penitenciário e Judiciário. Segundo o presidente, ainda há muitos obstáculos para que “as pessoas de bem vençam as pessoas do mal”, em referência à necessidade de aperfeiçoar a resposta do Estado diante das organizações criminosas.
O evento contou com a presença do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, do vice-presidente Geraldo Alckmin, de ministros, parlamentares e representantes dos estados. A proposta do governo é criar uma frente nacional mais integrada, capaz de combinar repressão qualificada, inteligência policial, cooperação entre entes federativos e bloqueio do fluxo financeiro do crime.
Lula disse que o debate sobre segurança pública precisa envolver também o Judiciário. O presidente citou queixas apresentadas por governadores e por forças policiais sobre situações em que criminosos permanecem presos por pouco tempo ou mantêm influência mesmo dentro do sistema prisional. Para ele, o plano precisa estar em sintonia com o Conselho Nacional de Justiça e com os demais poderes.
O presidente também afirmou que o crime organizado não pode ser tratado como um fenômeno restrito às favelas ou às periferias. Segundo Lula, criminosos podem estar em diferentes espaços da sociedade, incluindo mansões, setores empresariais e até instituições políticas. A fala buscou ampliar o foco da estratégia de segurança para além da atuação territorial das facções.
Nesse contexto, Lula mencionou brasileiros que vivem em Miami e defendeu que a cooperação internacional seja concreta. Ao relatar conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula afirmou que o Brasil tem interesse em trabalhar em conjunto contra o crime, mas cobrou reciprocidade.“Eu disse a Trump, se quiser combater de fato o crime internacional, precisa começar a entregar uns nossos que estão em Miami”.
A declaração ocorre em meio ao debate sobre brasileiros que fugiram do país e passaram a viver nos Estados Unidos. Entre os casos recentes está o do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, detido na Flórida pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos, o ICE, e posteriormente liberado por decisão administrativa, segundo informações divulgadas pela imprensa.
O Programa Brasil Contra o Crime Organizado prevê reforço na segurança de 138 presídios, ampliação da capacidade de investigação de homicídios e ações específicas contra o tráfico de armas, munições, acessórios e explosivos. O governo também pretende intensificar o rastreamento e o bloqueio de recursos usados por facções criminosas.
A estratégia tem como eixo central atingir o dinheiro do crime. A avaliação do governo é que organizações criminosas mantêm poder não apenas pela violência armada, mas também por redes financeiras, empresas de fachada, lavagem de dinheiro e controle de territórios. Por isso, o plano busca integrar informações entre diferentes órgãos e acelerar medidas de bloqueio patrimonial.
Outro ponto destacado é a cooperação entre União, estados e municípios. O governo pretende fortalecer forças integradas e criar mecanismos permanentes de articulação entre polícias federais, estaduais e órgãos de inteligência. A proposta é evitar ações isoladas e construir uma resposta nacional contra grupos que atuam de forma interestadual e internacional.
A nova política também dialoga com a agenda externa do governo. Em encontro recente, Lula e Trump trataram de temas econômicos e de segurança, incluindo a cooperação contra o crime organizado, segundo relatos divulgados pela imprensa. A fala desta terça reforça a posição brasileira de que o combate internacional ao crime deve incluir colaboração jurídica, troca de informações e entrega de pessoas procuradas pela Justiça brasileira.
Do Brasil 247



