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sábado, agosto 15, 2026
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A intervenção no PSB de Rondônia interessa a quem?

Por Edson Silveira

A dissolução da Comissão Provisória Estadual do PSB e a anulação das candidaturas majoritárias de Samuel Costa ao Governo e de Neidinha Suruí ao Senado provocaram um abalo profundo no campo progressista de Rondônia.

É preciso perguntar com serenidade, mas também com franqueza: essa intervenção interessa a quem?

Antes de tudo, é necessário separar fatos de especulações.

A Resolução CEN nº 003/2026, assinada pela Presidência Nacional do PSB em 13 de agosto, afirma que a direção estadual deixou de submeter previamente sua proposta de coligação à direção nacional, contrariou a orientação para integrar a aliança formada pela Federação Brasil da Esperança e pela Federação PSOL/Rede e apresentou divergências entre os nomes aprovados na convenção e aqueles transmitidos à Justiça Eleitoral.

Com base nesses fundamentos, a direção nacional dissolveu a Comissão Provisória Estadual e anulou parcialmente a convenção do PSB realizada em 20 de julho, especificamente quanto às candidaturas majoritárias. A resolução também determinou a correção das listas de candidatos proporcionais para que correspondessem ao que foi efetivamente aprovado na convenção.

Esses são os fundamentos formais apresentados pela própria direção nacional do PSB. As demais versões que circulam pertencem ao terreno das interpretações políticas, das notícias e das disputas de bastidores.

Também é importante registrar que a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, já havia realizado sua própria convenção em 25 de julho de 2026, ocasião em que aprovou as candidaturas de Expedito Netto ao Governo, Dr. Luiz Carlos Teodoro a vice-governador, Luciana Oliveira e Aires Mota ao Senado.

Portanto, as candidaturas da Federação foram definidas em momento anterior à intervenção nacional no PSB, por deliberação soberana de sua convenção.

Quem ganha com essa decisão?

À primeira vista, Expedito Netto poderia ser considerado o principal beneficiado, porque a retirada da candidatura de Samuel Costa reduz a concorrência no campo progressista e abre a possibilidade de incorporação do PSB à coligação que sustenta sua candidatura.

Mas será que esse benefício é real?

Uma aliança construída em meio a ressentimentos, denúncias, acusações e sensação de atropelamento pode produzir mais problemas do que vantagens. Não basta acrescentar uma sigla ao arco de alianças. É necessário conquistar a confiança de seus dirigentes, candidatos, militantes e eleitores.

Se uma parte do PSB sentir que sua decisão convencional foi desrespeitada, seus votos não serão automaticamente transferidos para Expedito Netto. Eleitores não são propriedade dos partidos nem podem ser conduzidos mecanicamente de uma candidatura para outra.

Samuel Costa e Neidinha Suruí representam segmentos importantes do campo democrático e progressista. Samuel construiu sua candidatura ao Governo dentro do PSB. Neidinha possui trajetória reconhecida na defesa dos povos indígenas, da Amazônia e dos direitos humanos.

A retirada de seus nomes, da maneira como aconteceu, poderá gerar indignação, desmobilização e até o afastamento de eleitores que deveriam estar unidos contra a extrema direita.

Portanto, Expedito pode parecer beneficiado no cálculo frio das candidaturas, mas corre o risco de receber uma vitória burocrática acompanhada de uma derrota política.

O campo progressista perde

Na minha opinião pessoal, o PT, a Federação Brasil da Esperança e toda a coligação progressista não ganham absolutamente nada com essa lambança, exceto críticas, desgaste e aporrinhações.

Enquanto discutimos quem articulou, quem foi beneficiado e quem perdeu espaço, a direita e o bolsonarismo assistem confortavelmente à divisão do nosso campo.

A extrema direita ganha quando progressistas atacam progressistas. Ganha quando antigos aliados passam a tratar uns aos outros como inimigos. Ganha quando a militância abandona a campanha para alimentar disputas internas. E ganha, principalmente, quando pessoas que deveriam estar discutindo o futuro de Rondônia passam a gastar energia explicando decisões tomadas nos gabinetes nacionais.

Rondônia já possui uma representação progressista muito pequena na Assembleia Legislativa. Precisamos ampliar nossas bancadas estadual e federal, defender o Governo Lula e apresentar um projeto democrático capaz de enfrentar os problemas concretos da população.

Cada briga dentro do nosso campo dificulta esse objetivo.

Respeito a Samuel e Neidinha

Manifestar solidariedade a Samuel Costa, Neidinha Suruí e aos militantes do PSB não significa concordar com todas as posições adotadas pela antiga direção estadual.

Significa reconhecer que companheiros e companheiras construíram candidaturas, mobilizaram apoiadores e participaram de uma convenção partidária acreditando na legitimidade daquele processo.

A direção nacional do PSB apresenta fundamentos estatutários e eleitorais para sua decisão. A direção estadual destituída certamente possui sua versão. Essa controvérsia poderá ainda ser discutida nos espaços partidários e, eventualmente, na Justiça Eleitoral.

No entanto, independentemente das razões jurídicas e estatutárias, o efeito político imediato é preocupante. A intervenção amplia tensões exatamente no momento em que o campo progressista deveria concentrar suas energias na construção de uma alternativa para Rondônia.

Não devemos comemorar a retirada de companheiros da disputa. Samuel Costa e Neidinha Suruí merecem respeito por suas trajetórias, pela coragem de colocar seus nomes à disposição e pela contribuição que podem continuar oferecendo à luta democrática.

Unidade não se decreta

A intervenção pode alterar formalmente a direção e as candidaturas do PSB, mas nenhuma resolução nacional consegue produzir unidade política por decreto.

Unidade verdadeira exige diálogo, respeito, transparência e disposição para ouvir quem foi atingido. Se o objetivo é fortalecer a candidatura de Expedito Netto e enfrentar o bolsonarismo em Rondônia, será necessário reconstruir pontes com Samuel Costa, Neidinha Suruí, os candidatos proporcionais e a militância socialista.

Ao final, quem mais pode ganhar com essa confusão não é Expedito Netto nem qualquer candidatura progressista. Quem pode ganhar é a direita, alimentada pela nossa divisão, pelo ressentimento e pelo desgaste público.

O momento exige responsabilidade. Menos acusações, mais diálogo. Menos versões de bastidores, mais compromisso com os fatos. Menos disputa entre companheiros, mais unidade contra o verdadeiro adversário.

A intervenção já aconteceu. Agora, a pergunta mais importante não é apenas quem aparentemente se beneficiou, mas quem terá maturidade para evitar que todo o campo progressista seja derrotado por ela.

Edson Silveira
Advogado, administrador, professor aposentado e militante do PT/RO

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