O fim da escala 6×1 deu um passo histórico na Câmara dos Deputados. Em votação realizada na noite desta quarta-feira (27), os deputados aprovaram, em dois turnos, a PEC que reduz a jornada de trabalho no Brasil e garante dois dias de folga por semana sem redução salarial.
A proposta recebeu ampla maioria no plenário: foram 461 votos favoráveis e apenas 19 contrários no segundo turno.
Agora, o texto segue para análise do Senado.
A PEC reduz a carga semanal de trabalho de 44 para 40 horas e acaba oficialmente com a escala 6×1. A nova regra garante dois dias de descanso por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos.
As mudanças começam a valer 60 dias após a promulgação da proposta.
O texto aprovado foi elaborado pelo relator, deputado Leo Prates, unificando duas propostas que já tramitavam na Câmara.
Uma delas previa jornada de 36 horas semanais após 10 anos. A outra criava a escala 4×3, com quatro dias de trabalho e três de descanso.
Pela proposta aprovada, haverá uma transição gradual:
- Após 60 dias: jornada cai de 44 para 42 horas semanais, com escala 5×2;
- Depois de 14 meses: jornada será reduzida para 40 horas semanais.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que a votação representa uma das mudanças mais importantes para os trabalhadores desde a Constituição de 1988.
A aprovação gerou comemoração entre parlamentares da base governista e críticas da oposição.
O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta, disse que a votação coloca o Congresso “ao lado do povo mais sofrido”.
Já a deputada Dandara emocionou o plenário ao lembrar a rotina exaustiva de quem trabalha em escala 6×1.
“Eu conheço o pé inchado de tanto ficar em pé. Eu vivi isso”, afirmou durante o discurso.
Do outro lado, parlamentares da oposição criticaram a proposta e afirmaram que a medida pode gerar impactos econômicos.
O deputado Kim Kataguiri declarou que a PEC “não vai acabar com a escala 6×1 na prática”.
A proposta ainda prevê que acordos coletivos possam ajustar jornadas em determinados setores. Também estabelece regras diferenciadas para algumas categorias profissionais e empresas de pequeno porte.
Se aprovada pelo Senado, a mudança poderá alterar diretamente a rotina de milhões de trabalhadores brasileiros.



