Por Édson Silveira
A recente rejeição, no Senado Federal, do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal foi vendida como uma derrota política do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. E, de fato, no placar imediato, parece isso mesmo.
Mas política não é futebol. O jogo não termina no apito final — e, às vezes, a “vitória” de hoje é só o início de um problema bem maior amanhã.
O protagonista desse episódio, Davi Alcolumbre, decidiu transformar uma indicação ao STF — que deveria ser analisada com base em critérios técnicos e institucionais — em um espetáculo de força política. Um recado claro: aqui quem manda somos nós.
Bonito no discurso. Perigoso na prática.
Porque quando o Senado começa a medir ministros do Supremo com régua política, e não jurídica, o que se instala não é independência entre Poderes — é oportunismo institucionalizado.
E aqui entra o ponto mais incômodo — aquele que muita gente prefere fingir que não existe.
O noticiário recente tem sido pródigo em escândalos, investigações e suspeitas envolvendo figuras do poder. Casos como o chamado “Banco Master”, amplamente repercutido na imprensa, levantam questionamentos sérios sobre relações perigosas entre dinheiro, influência e política. Não cabe aqui fazer acusações levianas ou prejulgar quem quer que seja — isso é papel das instituições competentes.
Mas também não dá para ignorar o óbvio: quando setores do chamado “centrão” assumem protagonismo em derrotas estratégicas do governo, em meio a um ambiente carregado de suspeitas e investigações, a pergunta surge quase sozinha — estamos diante de um gesto de independência ou de uma cortina de fumaça?
Coincidência ou não, o timing sempre chama atenção.
O problema não é o Senado rejeitar um nome. Isso faz parte do jogo democrático. Como Lula diz “eu indico é o senado aprova ou rejeita”. Rejeitou! O problema é quando essa rejeição parece menos preocupada com a qualidade do indicado e mais interessada em enviar recados, ajustar contas ou reposicionar forças dentro do tabuleiro político.
E, nesse movimento, quem perde — de novo — é o país.
Porque o Supremo Tribunal Federal deixa de incorporar um nome com experiência institucional relevante. E o Brasil segue aprofundando uma prática perigosa: a de transformar decisões de Estado em barganha de ocasião.
Quanto a Alcolumbre e seus aliados, a história costuma ser implacável com quem confunde poder com impunidade. Quem avisa amigo é “vai ter troco”.
Se há algo que o Brasil tem mostrado nos últimos anos, é que investigações caminham. Às vezes devagar, às vezes com tropeços — mas caminham. E quando chegam, não costumam perguntar quem estava ganhando ou perdendo votações no Senado.
Cobram, e compram com juros.
E, nesse caso, talvez a maior derrota não seja a de Lula numa votação. Pode ser a de quem acha que certas vitórias políticas são blindagem suficiente contra o tempo — ou contra a lei.
O tempo dirá. E, quando disser, dificilmente será com suavidade.
Edson Silveira
Advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO



