O Senado Federal rejeitou a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, em votação secreta que terminou com 42 votos contra e 34 a favor. Eram necessários pelo menos 41 votos favoráveis para a aprovação.
A decisão representa uma derrota política para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e abre uma crise entre o Palácio do Planalto e o Congresso.
Antes de ir ao plenário, Messias havia passado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde foi aprovado por 16 votos a 11, após cerca de oito horas de sabatina — o placar mais apertado desde a redemocratização.
Mesmo com articulações políticas e reuniões com parlamentares — ele chegou a conversar com 78 dos 81 senadores — o indicado não conseguiu apoio suficiente.
Nos bastidores, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, atuou contra a indicação. Ele defendia o nome de Rodrigo Pacheco para a vaga e influenciou parte dos votos.
A derrota expõe um conflito direto entre Executivo e Legislativo. Lula manteve a escolha de um aliado político — Messias é ministro da AGU e tem histórico ligado ao PT — enquanto o Senado pressionava por outro nome.
O episódio é considerado histórico. Foi a primeira vez desde 1894, ainda na época do presidente Floriano Peixoto, que o Senado rejeitou uma indicação ao STF.
A votação também acontece em meio ao cenário pré-eleitoral. Parte dos senadores interpretou o resultado como reflexo do avanço da oposição, incluindo o fortalecimento da candidatura de Flávio Bolsonaro.
Durante a sabatina, Flávio votou contra e questionou decisões do STF, especialmente a atuação do ministro Alexandre de Moraes em julgamentos recentes.
Apesar de tentativas do governo, como liberação de emendas e mudanças na composição da CCJ, a articulação não foi suficiente para reverter o cenário.
Com a rejeição, a vaga no STF segue aberta e o governo terá que indicar um novo nome.



