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quinta-feira, abril 23, 2026
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Assassinato de Olavo Pires completa hoje 33 anos sem se saber quem mandou matar

PORTO VELHO- O então candidato ao governo de Rondônia, Olavo Pires (PTB), foi brutalmente assassinado em 16 de outubro de 1990. Foi metralhado em cruz porprofissionais. Trinta e três anos depois, o crime continua impune. As polícias, o Ministério Público, a Justiça e o Senado nunca concluíram as investigações.

A história do assassinato do senador Olavo  envolve personagens como Romeu Tuma (PTB-SP) e Valdir Raupp (PMDB-RO), o ex-governador de Rondônia Oswaldo Piana, o então ministro da Justiça, Bernardo Cabral, outros políticos, empresários e uma rede de criminosos.

As investigações passaram por denúncias de ligações do senador  com narcotráfico, suspeitas contra adversários políticos e nenhuma solução. Quando morreu, Olavo Pires pertencia ao PTB e exercia o primeiro mandato de senador depois de quatro anos como deputado.

O crime

Nuvens espessas cobriram o céu de Porto Velho na noite de 16 de outubro de 1990. Ainda se sentia o odor da chuva na capital de Rondônia quando uma queda de energia elétrica na Avenida Governador Jorge Teixeira escureceu a sede da Vepesa, loja de máquinas pesadas e implementos agrícolas da família Pires. Restou uma iluminação precária, produzida por geradores.

Os faróis de uma D20 Veraneio, quatro portas, vermelha com listras em azul e branco, jogaram um clarão sobre cerca de cinquenta pessoas aglomeradas em frente ao prédio da empresa. O grupo abriu passagem para o automóvel subir a calçada e estacionar sobre a rampa de acesso ao prédio.

O senador Olavo Pires fechou o vidro elétrico, desceu pela porta dianteira, saudou os presentes com o braço erguido e andou na direção dos professores da rede estadual, que o aguardavam. Não chegou a dar o quinto passo. Uma rajada de tiros de submetralhadora 9 milímetros interrompeu a caminhada.

O assassinato do senador Olavo – capítulo 1 - Congresso em FocoOs disparos atingiram Olavo pelas costas, de baixo para cima, em diagonal. O atirador saíra detrás da Veraneio. As dezenas de professores se dispersaram aos gritos, em pânico, numa correria sem rumo. Um dos projéteis feriu na perna uma das professoras.

O assassino segurava a arma envolvida num pano escuro. Não escondia o rosto: era magro, tinha pele clara, cabelos grisalhos até os ombros e estatura mediana. Avançou na direção da vítima. Olavo agonizava no chão, com o rosto voltado para o chão, tombado numa poça de sangue. O criminoso mirou a vítima com um olhar fixo, assustador. Descarregou nova sequência de tiros, dessa vez de cima para baixo.

Ainda de arma na mão, o homem afastou-se sem dar as costas para o corpo estendido. Fez novos disparos para evitar que algum curioso se aproximasse. A frieza do olhar intimidava tanto quanto a submetralhadora em punho. O assassino deixou a cena do crime.

A agilidade das pernas, porém, não era a mesma do gatilho. O assassino fugiu a passos curtos e lentos. Manco, arrastava a perna esquerda. Sem ser incomodado, ultrapassou as três faixas da via e entrou num Gol branco, estacionado do outro lado da avenida.

O carro arrancou na contramão da Avenida Governador Jorge Teixeira e virou à esquerda para se perder numa pista enlameada.

O Senado

No dia 18 de fevereiro de 2009, o senador Romeu Tuma informou ao plenário que a Corregedoria do Senado decidira acompanhar as investigações sobre o depoimento de João Ferreira de Lima, preso cinco dias antes sob acusação de participar de uma quadrilha especializada em assaltos a bancos e carros-fortes.

Logo depois de preso, João Ferreira disse à polícia de Minas Gerais que era o autor dos tiros contra o senador Olavo em 1990. A declaração levou uma promotora e um delegado de Rondônia até a região metropolitana de Belo Horizonte. Na presença deles, João mudou a versão. Afirmou ter sido convidado a participar do crime, mas negou envolvimento com o caso.

Romeu Tuma comanda a Corregedoria do Senado há 14 anos e acaba de ser reconduzido para o oitavo biênio. As declarações de João Ferreira obrigaram o senador paulista a se defrontar novamente com o caso do senador Olavo. Em 1990, no governo Fernando Collor de Mello, Tuma acumulava as direções Receita Federal e da Polícia Federal, numa poderosa supersecretaria criada especialmente para ele.

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