Rondônia pode enfrentar um segundo semestre de calor mais intenso e chuvas atrasadas com o retorno do fenômeno El Niño. O alerta foi feito por meteorologistas do Censipam, que já identificam sinais de formação do evento climático para os próximos meses.
Segundo o meteorologista Luiz Alves, um dos principais impactos esperados será na mudança do período chuvoso no estado.
O período seco, que começou em junho, deve continuar até agosto, como acontece normalmente todos os anos. A preocupação é que a volta das chuvas pode demorar mais.
“As primeiras chuvas costumam voltar em setembro. Mas com a evolução do El Niño, pode ser que elas acabem atrasando e retornem apenas em outubro ou novembro”, explicou o meteorologista.
A previsão inicial é de que o fenômeno comece com fraca intensidade, mas pode ganhar força ao longo de 2026.
Além da mudança no calendário das chuvas, Rondônia pode registrar temperaturas ainda mais elevadas durante a estiagem.
“É o período mais quente do ano agora. Estamos esperando temperaturas ainda mais altas e podemos ter mais ondas de calor”, afirmou Luiz Alves.
Impactos no rio Madeira
O rio Madeira também entra no radar de preocupação. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a bacia amazônica continua entre as regiões mais vulneráveis aos efeitos da seca.
Em 2026, municípios como Porto Velho chegaram a decretar situação de emergência por impactos relacionados ao cenário climático.
Caso o início da estação chuvosa atrase, a vazante do rio pode durar mais tempo, aumentando riscos para a navegação, abastecimento e comunidades ribeirinhas.
Apesar do alerta, o meteorologista afirma que ainda não é possível prever uma nova seca extrema como a registrada em 2024.
“Ainda não conseguimos dizer se ele vai atingir níveis próximos de 2024. Ainda está muito cedo para falar”, disse.
Os especialistas reforçam que o El Niño ainda está em formação e pode mudar de intensidade nos próximos meses.
O monitoramento do Oceano Pacífico continua sendo feito para atualizar as previsões e indicar qual poderá ser o impacto real da seca em Rondônia.
“Fazemos essa avaliação mês a mês. Conforme tivermos uma noção melhor, vamos conseguir explicar com mais clareza qual será a dimensão dessa seca aqui em Rondônia”, completou o meteorologista.



