Por Edson Silveira
Confesso que ao ler esse tipo de postagem — “cristão não vota na esquerda” — a primeira reação pode ser de indignação.
Mas, passada a emoção, vem algo mais importante: reflexão.
Desde quando alguém se acha no direito de dizer em quem um cristão pode ou não votar?
Desde quando a fé virou manual de instrução eleitoral?
E, principalmente: desde quando líderes religiosos passaram a tratar fiéis como massa de manobra?
Sou cristão. Católico.
E digo isso com toda serenidade e firmeza:
a minha fé não pertence a nenhum político, nem a nenhum pastor, nem a nenhum grupo ideológico.
A minha fé é em Jesus Cristo.
E o meu Jesus Cristo não é instrumento de campanha.
Ele é amor.
É acolhimento.
É justiça.
É vida.
Não é imposição.
Não é manipulação.
Não é controle.
Quando alguém usa o nome de Deus para orientar voto, não está fortalecendo a fé — está instrumentalizando a fé.
E isso é grave.
Porque transforma algo sagrado em ferramenta de poder.
O Estado brasileiro é laico. Isso não é contra a religião — é o que protege todas as religiões.
É o que garante que ninguém será obrigado a seguir a fé de outro.
É o que impede que líderes religiosos se tornem cabos eleitorais disfarçados de autoridade espiritual.
Misturar religião com política nesse nível não fortalece a igreja. Enfraquece.
Divide. Radicaliza. Confunde.
E o pior: desvia o foco do que realmente importa.
Enquanto alguns gritam sobre “quem pode ou não votar em quem”, o povo está enfrentando problemas reais:
Preço alto.
Saúde precária.
Dificuldade de viver com dignidade.
E isso não se resolve com frase de efeito nem com orientação religiosa travestida de política.
Se resolve com consciência.
Com liberdade.
Com responsabilidade individual.
O verdadeiro cristão não vota por medo.
Não vota por imposição.
Não vota por pressão de púlpito.
Vota com consciência.
Examina. Pensa. Ora. Decide.
E isso é liberdade.
Respeito profundamente todas as igrejas, todos os pastores e todos os fiéis que vivem sua fé com sinceridade.
Esses merecem reconhecimento.
Mas também é preciso ter coragem de dizer: fé não pode ser usada como ferramenta de controle político.
Quem faz isso não fortalece o evangelho.
Enfraquece.
E o povo já começa a perceber essa diferença.
A fé liberta.
A manipulação aprisiona.
E eu escolho a liberdade.
Como cristão, como cidadão, como alguém que acredita que Deus nos deu consciência justamente para que a gente a use — e não para que entregue nas mãos de quem quer decidir por nós.
Edson Silveira
Advogado, administrador, professor
Cristão católico
Pré-candidato a deputado federal PT/RO



