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terça-feira, maio 12, 2026
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Holocausto na Amazônia

 

Por Ronald Pinto (*)

Desde 2013, quando as mobilizações populares “espontâneas” atacavam os governos de “esquerda”, verificamos a presença de golpistas “pela intervenção militar”.  O apoio dos neonazistas a Bolsonaro já era explícito.   Em 2016, indignado pelo governo tentar acabar com a narrativa de que o golpe militar de 1964 não havia sido uma “Revolução Redentora”, conforme constava nos currículos das escolas militares, o General Hamilton Mourão saiu do governo Dilma.

A receita do bolo da extrema-direita foi cozinhada pelo Gen Villas-Boas, que juntou o desagrado militar representado por Mourão com o “Mito” trabalhado nas redes pela extrema-direita neonazista.  Eis a gênese do nosso holocausto.

O povo alemão não reagiu  ao Holocausto porque vivia sob intensa propaganda nazista totalmente desinformada da realidade.  O povo alemão submetido a desinformação e a mentiras não via o que acontecia sob o seu nariz ou, pior, acreditava que tudo era pelo bem da “Alemanha acima de tudo”!

Entre as razões para justificar o Holocausto, estava a narrativa nazista de que os problemas econômicos da Alemanha eram culpa dos judeus.

Não é difícil verificar o paralelo. A política do Brasil, após o golpe de 2016, foi sequestrada por uma narrativa de extrema-direita que, entre outras coisas, criou o famigerado teto de gastos e a ideia de abandono das políticas públicas destinadas à mitigação do histórico abismo social brasileiro.  Ideias que só foram retomadas às vésperas da eleição em 2022, de forma desordenada.  Essas narrativas criadas pela extrema-direita foram tão eficientes que por pouco não conseguiram reeleger Bolsonaro.  Estas narrativas avançaram até os acampamentos nas imediações dos aquartelamentos militares na tosca esperança de que o golpe prometido desde 2013 se realizasse.  Isto culminou com o ataque violento à sede dos poderes sob o olhar complacente das Forças Armadas e de setores da Segurança Pública.

No governo engendrado por Villas-Boas, Mourão tratou de controlar a Amazônia Brasileira, onde já havia servido como oficial de informações de seu Comando Militar,  criando e coordenando o Conselho Nacional da Amazônia Legal.  Mourão, que se autodeclara indígena, conhece a região como a “palma de sua mão” e defendia o seu “desenvolvimento” com a liberação da mineração em Terras Indígenas e de outras atividades contra as quais se posicionava à esquerda.

Parceira de Mourão no governo do Bolsonaro, a pastora Damares Alves, fundadora da ATINI, uma ONG que diz lutar contra o infanticídio de indígenas, foi a Ministra dos Direitos Humanos.

Assim como ocorreu com os alemães depois da queda do III Reich, o povo brasileiro descobre aterrorizado o Holocausto do Povo Yanomami, genocídio praticado por um governo que desinformou a sociedade e se omitiu criminosamente em atender o povo Yanomami enquanto apoiava explicitamente o garimpo que invadia suas terras.

Bolsonaro, Mourão e Damares não podem alegar desconhecimento do absurdo que estava acontecendo.  São responsáveis diretos e, agora, a tese jurídica aplicada contra José Dirceu de Domínio do Fato seria justamente aplicável.

O Holocausto Judeu e o Holocausto Yanomami tem infelizmente muito em comum.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador. O Portal Mais RO não tem responsabilidade legal pela opinião, que é exclusiva do autor.

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