Por Ronald Pinto (*)
Desde 2013, quando as mobilizações populares “espontâneas” atacavam os governos de “esquerda”, verificamos a presença de golpistas “pela intervenção militar”. O apoio dos neonazistas a Bolsonaro já era explícito. Em 2016, indignado pelo governo tentar acabar com a narrativa de que o golpe militar de 1964 não havia sido uma “Revolução Redentora”, conforme constava nos currículos das escolas militares, o General Hamilton Mourão saiu do governo Dilma.
A receita do bolo da extrema-direita foi cozinhada pelo Gen Villas-Boas, que juntou o desagrado militar representado por Mourão com o “Mito” trabalhado nas redes pela extrema-direita neonazista. Eis a gênese do nosso holocausto.
O povo alemão não reagiu ao Holocausto porque vivia sob intensa propaganda nazista totalmente desinformada da realidade. O povo alemão submetido a desinformação e a mentiras não via o que acontecia sob o seu nariz ou, pior, acreditava que tudo era pelo bem da “Alemanha acima de tudo”!
Entre as razões para justificar o Holocausto, estava a narrativa nazista de que os problemas econômicos da Alemanha eram culpa dos judeus.
Não é difícil verificar o paralelo. A política do Brasil, após o golpe de 2016, foi sequestrada por uma narrativa de extrema-direita que, entre outras coisas, criou o famigerado teto de gastos e a ideia de abandono das políticas públicas destinadas à mitigação do histórico abismo social brasileiro. Ideias que só foram retomadas às vésperas da eleição em 2022, de forma desordenada. Essas narrativas criadas pela extrema-direita foram tão eficientes que por pouco não conseguiram reeleger Bolsonaro. Estas narrativas avançaram até os acampamentos nas imediações dos aquartelamentos militares na tosca esperança de que o golpe prometido desde 2013 se realizasse. Isto culminou com o ataque violento à sede dos poderes sob o olhar complacente das Forças Armadas e de setores da Segurança Pública.
No governo engendrado por Villas-Boas, Mourão tratou de controlar a Amazônia Brasileira, onde já havia servido como oficial de informações de seu Comando Militar, criando e coordenando o Conselho Nacional da Amazônia Legal. Mourão, que se autodeclara indígena, conhece a região como a “palma de sua mão” e defendia o seu “desenvolvimento” com a liberação da mineração em Terras Indígenas e de outras atividades contra as quais se posicionava à esquerda.
Parceira de Mourão no governo do Bolsonaro, a pastora Damares Alves, fundadora da ATINI, uma ONG que diz lutar contra o infanticídio de indígenas, foi a Ministra dos Direitos Humanos.
Assim como ocorreu com os alemães depois da queda do III Reich, o povo brasileiro descobre aterrorizado o Holocausto do Povo Yanomami, genocídio praticado por um governo que desinformou a sociedade e se omitiu criminosamente em atender o povo Yanomami enquanto apoiava explicitamente o garimpo que invadia suas terras.
Bolsonaro, Mourão e Damares não podem alegar desconhecimento do absurdo que estava acontecendo. São responsáveis diretos e, agora, a tese jurídica aplicada contra José Dirceu de Domínio do Fato seria justamente aplicável.
O Holocausto Judeu e o Holocausto Yanomami tem infelizmente muito em comum.
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