Após um julgamento que atravessou a madrugada e só terminou às 23h de sábado, em Porto Velho, um ex-delegado da Polícia Civil foi condenado a 45 anos de prisão por matar um homem e tentar assassinar outras três pessoas em Jaci-Paraná.
O caso, que chocou Rondônia desde 2022, teve um desfecho pesado no Tribunal do Júri. Os jurados reconheceram integralmente a responsabilidade do ex-policial pelos crimes.
Segundo as investigações da Delegacia de Homicídios e a denúncia do Ministério Público, o crime aconteceu em 11 de março de 2022, na Reserva Extrativista (Resex) do Rio Branco, no Ramal Ibama.
A motivação estaria relacionada a uma disputa envolvendo o acesso a uma área ocupada pelo então delegado.
De acordo com a apuração, os irmãos Vanderlei Brandão, A.B. e V.B., além do sobrinho deles, E.B., que tinha apenas 15 anos na época, construíam uma porteira para controlar a passagem pela propriedade quando foram surpreendidos.
As investigações apontam que o acusado chegou ao local, conversou normalmente com as vítimas por alguns minutos e, sem qualquer discussão aparente naquele momento, sacou uma pistola calibre 9 milímetros e começou a atirar.
Antes de seguir para o local, ainda segundo a investigação, ele teria trocado as placas do veículo para passar por um radar da Polícia Rodoviária Federal.
Vanderlei Brandão morreu no local.
As outras três vítimas foram baleadas em regiões consideradas vitais do corpo e sobreviveram por pouco.
O caso deixou marcas permanentes. O adolescente atingido na época ficou com sequelas graves e hoje convive com uma diferença no tamanho das pernas causada pelo ferimento.
A brutalidade do crime teve reflexos também na carreira do acusado.
Na época, ele era delegado titular em Alto Paraíso. Após a investigação, a Polícia Civil abriu um Processo Administrativo Disciplinar que terminou com sua demissão da corporação.
Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou que os crimes foram cometidos por motivo fútil e de forma que dificultou qualquer chance de defesa das vítimas.
A tese foi aceita pelos jurados.
Preso desde outubro de 2022, o ex-delegado continuará atrás das grades para cumprir o restante da pena.
O caso encerra um dos processos criminais mais emblemáticos dos últimos anos em Rondônia, envolvendo justamente um homem que ocupava uma das funções mais importantes dentro do sistema de segurança pública.



