Por Roberto Kuppê (*)
É isso mesmo que vocês estão lendo. O governo federal está refém do Congresso Nacional. Especificamente falando, o presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva (PT) é refém de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados. Isso não é bom para o Brasil, para o meio ambiente e nem para a Economia.
“Ah, mas o PT ajudou a reeleger Lira à presidência da Câmara dos Deputados”. Sim, ajudou. Não tinha saída. Mas, na verdade, foi um gesto de gratidão por ter Lira ajudado na aprovação da PEC da Transição antes de Lula tomar posse, em dezembro de 2022, o que possibilitou ao governo iniciar com orçamento minimamente necessário para tocar a máquina.
Em seu terceiro mandato, Lula imprimiu uma nova dinâmica neste governo, optando pela governança com ampla participação política de diversas ideologias. Um governo com participação até de partidos outrora adversários como União Brasil (DEM+PSL), Republicanos, PP e até do PL, partido do ex-presidente Bolsonaro.
Mas, apesar da boa vontade de Lula, de nada está adiantando esta tal governabilidade. Apesar de disponibilizar dezenas de ministérios para estes “aliados”, o apetite por verbas públicas só aumentou. Qualquer projeto de lei que o governo tem interesse de aprovar, tem que destinar emendas para que os deputados votem “sim”. Mesmo que estes projetos sejam de vital importância para o Brasil.
Atualmente a gente percebe que Lula está perigosa e totalmente refém de Lira, porque, neste exato momento, caducam algumas medidas provisórias que precisam ser votadas como a MP que permitiu a ampliação dos ministérios de Lula. Se a Câmara não votar favorável, Lula perde dezenas de ministérios e colapsa o governo. Quanto vai custar isso? Só Deus sabe!
O pior não é isso. É que, também, neste momento, estão sendo decididos o futuro das populações indígenas do meio ambiente. A Câmara dos Deputados aprovou nesta 4ª feira (24. mai. 2023), por 324 votos a favor e 131 contra, o regime de urgência do PL (Projeto de Lei) 490/2007, e seus apensados, sobre o marco temporal da demarcação de terras indígenas.
O que significa isso? Se aprovado o marco temporal, será o fim das populações indígenas. “É um genocídio lesado. É usada a estrutura do governo, a estrutura do Estado brasileiro com a caneta, pra assassinar os povos indígenas”, reclamou Célia Xakriabá (PSOL-MG).
O governo está também numa guerra interna com o Ministério do Meio Ambiente, que é comandado pela deputada federal licenciada Marina Silva (REDE-AC). Marina já teve um entrevero com Lula na mesma pasta no primeiro governo do petista por conta da liberação da construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Agora, de novo, desta vez por conta de pesquisas de petróleo em alto mar no Amapá.
Lula é a favor da prospecção de petróleo naquela região, por entender que não afetará o meio ambiente, mas Marina está reticente. Nos bastidores, senadores como David Alcolumbre (União Brasil-AP) age com fora para a liberação das pesquisas petrolíferas no estado dele. Alcolumbre é parceiro importante de Lula no Congresso Nacional. Imaginaram o abacaxi?
Como diz no popular, Lula está numa sinuca de bico. Foi inventar de ser presidente, taí o resultado. Claro que a culpa não é dele. Lula está fazendo um excelente governo e fez com que o Brasil voltasse ao palco das negociações globais. Até uma guerra ele está tentando parar. Pode até conseguir parar a guerra Rússia X Ucrânia. Difícil será parar a guerra política no Brasil, a não ser que entregue os dedos, porque os anéis já foram faz tempo.
Ontem, no final do dia, o comentarista da Globo News, Gerson Camarotti estava visivelmente transtornado ao relatar a leitura que fez da situação de Lula perante o Congresso Nacional. Camarotti disse em tom de desespero mesmo, que Lula está encurralado por Lira. Não foi exagero dele não. É essa leitura que temos também.
Tem saída? Não, não tem saída. Sentimos muito falar essa verdade. É levar com a barriga, contar com a ajuda de Deus, porque, se depender deste Congresso Nacional, o Brasil vai voltar para o fundo do poço. Que Deus ilumine Marina Silva para que ela entenda que as vezes temos que ceder em nome de um bem maior.
Lula precisa de paz para implementar todos os projetos sociais que prometeu durante a campanha, em especial a erradicação da fome que voltou a assolar o Brasil nos últimos cinco anos. Lula precisa gerar empregos e reduzir a criminalidade. Precisa dar saúde para o povo. Para isso, infelizmente, depende do Congresso Nacional.
Finalizando, apesar disso tudo acima, não tem comparação o governo Lula com o do antecessor. Bolsonaro simplesmente entregou o governo para o Centrão e foi passear de moto. Lula, com toda a experiência, sabe da importância da volta dele. Só resta Lira perceber isso e deixar Lula governar em paz.
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