Moreira Mendes, José Lúcio Arruda (Jirau), e mais um empresário na companhia do senador Jorge Viana (Smartphone/Divulgação)
O deputado federal de Rondônia Moreira Mendes (PSD-RO)) e o senador do Acre, Jorge Viana (PT-AC), foram ao samba com o José Lúcio Arruda, diretor da Energia Sustentável do Brasil que construiu a usina de Jirau, no rio Madeira, em Porto Velho. Enquanto eles sambavam na Sapucaí, os seus estados sofriam desabastecimento, isolamento devido a cheia dos rios Madeira e Acre. O senador acompanhou a primeira-dama acreana, Marlúcia Cândido. O encontro do grupo ocorreu na segunda-feira, 03, no desfile da escola de samba carioca Unidos da Vila Isabel. O carnaval em Rio Branco, capital do Acre e o de Porto Velho, em Rondônia, foi cancelado por conta da cheia do rio Madeira que inundou a BR 364 isolando o Estado do Acre, do restante do país por estradas e dificultando o abastecimento da região.
Mendes que também é advogado e pecuarista, pediu para que sua assessoria registrasse em fotos a folia. As imagens no sambódromo foram removidas de redes sociais à pedido. Ao lado de Moreira Mendes e Viana na foto, aparece José Lúcio Arruda, diretor institucional da Energia Sustentável do Brasil, consórcio responsável pela construção da Usina Hidrelétrica de Jirau. No final de fevereiro, Moreira Mendes, utilizou a tribuna da Câmara dos Deputados para defender as obras das usinas de Santo Antônio e Jirau: “elas não são as responsáveis pelos desastres provocados pelo Rio Madeira”.
Já o senador Jorge Viana pediu no Senado na semana passada informações dos ministérios sobre os impactos dos reservatórios das hidrelétricas de Rondônia, na cheia do Rio Madeira. Mas em nenhum momento solicitou responsabilização judicial dos empreendimentos, como já fizeram várias organizações, inclusive MPE e MPF.
“Eu mesmo, que conheço bem a região, confesso que estou assustado. Eu já me choquei quando há pouco mais de uma semana sobrevoei a área”, disse Jorge no Senado. “Acre e Rondônia devem ter participação pelo uso ambiental do recurso natural”, declarou Jorge Viana há seis anos quando fazia previsões de impactos dos empreendimentos para o Acre. A participação da primeira dama do Acre, Marlúcia Cândido no desfile carioca, causou indignação dos internautas. A esposa do governador do Acre, Tião Viana (PT), teve que fazer nota pública para se retratar com os acreanos, e mesmo assim continuou sendo criticada. Para os internautas, Cândido deixou de ser solidária, esnobou o povo do Acre ao aparecer sorridente desfilando atrás da bateria da Vila Isabel, em um momento que o Estado dela sofre com desabastecimento, isolamento do restante do país e uma crise na segurança pública.
Fonte: www.maisro.com informações da Agência Vanguarda
Mãe busca por filha e teme que pai fuja com a criança para o exterior. Advogado de Luciano Matias garante que menina será entregue ainda neste final de semana em Florianópolis. A última vez que a piscóloga Graziele Gomes viu a filha foi na sexta-feira, dia 28. Do Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis (SC), a criança de dez anos partia em direção ao município de Engenheiro Beltrão, no Paraná, para passar o Carnaval na companhia do pai.
O retorno estava marcado para as 19h da quarta-feira de cinzas, mas a menina não apareceu no abre e fecha da sala de desembarque para reencontrar a mãe que a esperava.
Em contato com a Polícia Federal, Graziele teve a informação de que a filha não havia perdido o voo, mas este havia sido desmarcado pela atual esposa de Luciano Almeida Matias, pai da menina.
Por meio de sua advogada em Engenheiro Beltrão, a psicóloga soube que na quinta-feira, por volta do meio dia, pai e filha partiram em uma pick-up, com mala e mochila, fato que teria sido registrado por uma câmera de segurança do prédio.
Os aparelhos celulares de ambos teriam ficado no apartamento, onde permanece a esposa de Matias, que diz não saber o paradeiro do companheiro.
Busca pela filha
Graziele procurou ajuda com a PF, onde registrou um boletim de ocorrência. A mãe suspeita de que o ex-marido, com quem ela conviveu por seis anos, sequestrou a própria filha. A mãe detém a guarda desde 2008 e diz ter motivos para acreditar que Matias não quer devolver a filha.
_ Não é a primeira vez que ele não cumpre com o combinado. Nas outras duas ocasiões, tive que ir pessoalmente buscá-la _ conta a mãe.
Outra versão
O principal temor de Graziele é o de que Matias, que possui cidadania portuguesa, saia do país com a filha. Foi com este argumento que o juiz Sílvio Hideko Yamagushi, da Comarca de Engenheiro Beltrão, expediu um mandado de busca e apreensão. Só que o advogado do suspeito, Robson Julian Berguio Martin, tem uma outra versão para o caso.
— Esta história de sequestro é inexistente — afirma.
Na versão do advogado, Luciano estaria a caminho de Florianópolis para devolver a criança pessoalmente e ele só não a entregou na quarta-feira, pelo avião, porque a menina insistiu em ficar.
A menor alega sofrer maus tratos e relatou isto diante do promotor no mesmo dia em que deixou de embarcar para Florianópolis. Quando o pai estava a levando ao aeroporto, a menina se sentiu mal e disse que não queria voltar a morar com a mãe.
“Jamais houve agressão”
No depoimento prestado pela garota na Promotoria de Justiça da Comarca de Engenheiro Beltrão, está registrado que ela “não está gostando de conviver com sua Genitora”, pois a mãe estaria restringindo o contato com o pai e até havia batido nela por querer falar com Matias. O documento oficial foi publicado no Facebook pela madrasta.
Graziele afirma nunca ter batido na filha, mas não duvida que ela tenha dito isto ao promotor.
— Eu sou a mãe que puxa a orelha para que faça a tarefa, tome banho e coloco ela na linha, mas jamais houve qualquer tipo de agressão verbal ou física. Eles (pai e madrasta) fazem a cabeça dela contra mim — alega a mãe.
Provável reencontro?
Entretanto, o reencontro de Graziele com a filha estaria próximo. De acordo com o advogado de Matias, ele deve chegar em Florianópolis até domingo.
— O Luciano me ligou de um hotel, uma espécie de Resort, e disse que estava ali para acalmar a filha, que não quer voltar para casa. Amanhã (sábado) ou domingo ele deve estar chegando aí (em Florianópolis) — contou o advogado, que entrou com um pedido de modificação da guarda e para suspender o mandado de Busca e Apreensão.
Graziele duvida desta versão e continua à procura do paradeiro da filha.
— O meu objetivo é encontrá-la. Se ele (o pai) não está fazendo nada de errado, porque não entregou ela ainda? Porque não entrou em contato para avisar que está vindo? Eu não acredito que ele esteja a caminho, mas se assim for e ele entregar minha filha, retiro a denúncia — garante.
A presidente Dilma Rousseff informou neste domingo (9.mar.2014) ao PMDB que vai nomear ministros como bem entender se o partido não recuar de sua posição beligerante na Câmara dos Deputados. O ultimato de Dilma foi feito no início da noite, pessoalmente, ao vice-presidente da República, Michel Temer. A petista se reuniu com o peemedebista no Palácio da Alvorada. O encontro deveria ter sido com mais caciques do PMDB, mas no final da tarde o Palácio do Planalto desconvidou o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), o presidente da Câmara, Henrique Alves (RN), e o presidente nacional da legenda, Valdir Raupp. Só Michel Temer foi recebido.
Na conversa, Dilma Rousseff expressou novamente toda a sua irritação com o líder do PMDB na Câmara, o deputado federal Eduardo Cunha (RJ). Reclamou do teor de entrevistas recentes de Cunha e disse que não gostaria de discutir com ele a respeito de quais ministérios vão caber ao PMDB na reforma que está em curso.
A partir de agora, a presidente vai conversar com alguns grupos do PMDB de forma separada.
Nesta segunda-feira (10.mar.2014), às 9h30, Dilma deve receber para uma conversa novamente Michel Temer, que estará desta vez acompanhado de Renan Calheiros e do líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE). A presença de Renan e de Eunício foi determinada pela presidente da República. Em seguida, às 10h30, a presidente ordenou que sejam convidados para uma reunião Henrique Alves e Valdir Raupp.
Em data e horário ainda a serem definidos, Dilma pretende também conversar com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e com o prefeito do Rio, Eduardo Paes, ambos do PMDB. A petista não disse, entretanto, como pretende acalmar a bancada de deputados do PMDB, insatisfeita por estar prestes a perder algum espaço na Esplanada dos Ministérios.
O Blog apurou que a estratégia de Dilma é a seguinte:
1) enquadrar o PMDB: dizer aos caciques do partido com quem ainda mantém alguma interlocução que não pretende ceder ao líder peemedebista na Câmara, Eduardo Cunha. Deseja isolar Cunha ao máximo. Agora, considera-o um adversário a ser derrotado;
2) aliciar outros partidos: tentar na reforma ministerial fechar o apoio definitivo de partidos médios, como PTB, PP, PSD e outros. Ficaria assim garantido um tempo de TV e rádio suficiente para fazer a campanha da reeleição com um certo conforto.
O desfecho dessa estratégia, no entender do pensamento dilmista, é que o PMDB ficará emparedado e sem opções. A sigla acabará vindo por decantação para dentro da aliança eleitoral comandada pelo PT. E a presidente da República terá, se tudo der certo como ela espera, passado para a história como “a política que dobrou ofisiologismo do PMDB”.
O deputado estadual Zequinha Araújo (PMDB), aquele flagrado com dinheiro na cueca na Operação Termópilas, está fazendo uso político das enchentes que estão assolando a cidade de Porto Velho e distritos. À guisa de ajudar os desabrigados, ele vem fazendo campanha eleitoral ostensivamente.
Puro assistencialismo, escrachado, na cara
No domingo, 9, Zequinha montou um palanque em frente à sede da associação “beneficente” que leva o nome dele. Com jeito de palanque eleitoral, lá estava também o deputado federal Amir Lando (PMDB-RO), fazendo caras e bocas. Nas redes sociais, foram divulgadas fotos que comprovam o uso político da campanha “S.O.S Desabrigados”. Numa faixa, está escrito: “Deputado Federal Amir Lando e Deputado Estadual Zequinha Araújo juntos no S.O.S Desabrigados”. Um acinte à lei eleitoral e à ética, além de ser uma humilhação atrair pessoas carentes para servirem de escada política.
O palanque eleitoral com Amir Lando no destaque
E o pior é usar servidores da Assembleia Legislativa em eventos particulares, ainda que seja disfarçado com uma instituição de “caridade”.
O rio Madeira começou a encher de novo e o nível volta aos 19 metros depois de passar o dia todo oscilando entre os 18,98. São apenas dois centímetros, mas, só o fato de se chegar aos 19 metros já deixa a população aflita e as autoridades com mais responsabilidades. Nesta segunda-feira uma série de medidas serão adotadas pela Defesa Civil. Mais pessoas desabrigadas serão alojadas em locais seguros. Segundo estudos, a tendência é que o nível atinja os 19,20 metros, o que já se desenha uma tragédia. As chuvas de março apenas estão começando e a previsão é que somente em abril o rio começará a baixar. Até lá, muitas águas hão de rolar, literalmente falando.
Entrevista concedida ao site Bahia Notícias. Eliana Calmon já foi juíza federal, procuradora da República, ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e corregedora nacional de Justiça. Em 2014, já aposentada, a ex-magistrada decidiu enfrentar um novo desafio: concorrer a um cargo no Senado. Anunciada como pré-candidata pela dobradinha PSB-Rede Sustentabilidade, em dezembro de 2013, Eliana contou ao Bahia Notícias qual a sua intenção em entrar para a política brasileira e demonstrou conhecer os obstáculos que deverá superar para fazer a diferença, caso seja eleita. “Para quem não é profissional do ramo é muito difícil enfrentar o eleitorado, mas eu acho que nós precisamos começar. Senão, não muda. A mudança só vem a partir do momento em que tomamos a deliberação de querer mudar”, declarou. A baiana postulante ao Senado também confessou ter sido apadrinhada politicamente pelo senador Antônio Carlos Magalhães para chegar ao posto de ministra do STJ. Ela disse que não teve nenhum envolvimento com ele posteriormente. “Eu joguei as regras do jogo. Eu não poderia ser diferente, senão eu não seria ministra. É diferente de agora. O que eu acho importante para a nação é a gente mudar as regras do jogo e eu sei que não é fácil. Mas a população quer mudança e a maior prova disso foram os movimentos nas ruas”, explicou. Eliana ainda criticou o envolvimento do Tribunal de Justiça da Bahia com o governo do Estado e decretou: “O maior problema do Judiciário baiano não é a corrupção, é a inação”.
Bahia Notícias: Como está a preparação para a eleição? Já está sendo feito o planejamento de pré-campanha?
Eliana Calmon: Ainda não, porque a minha filiação aconteceu no dia 19 de dezembro, minha aposentadoria no dia 18 e eu não posso lutar em duas frentes. Eu estava com a cabeça totalmente voltada para o Judiciário porque eu queria deixar os processos mais complicados resolvidos. Trabalhei muito, nos últimos dias, e não pensei em política. Depois da filiação, vieram as festas de Natal e Ano novo. Combinamos que, a partir da segunda-feira seguinte, começaríamos. O partido vai alugar uma sala para montar um escritório, já que não podemos ter comitê até junho, de acordo com a Legislação Eleitoral. O que eu acho engraçado é que é tudo muito camuflado. Pela legislação, eu nem posso dizer que vou ser candidata a senadora, mas como é que se faz política se a gente não diz o que quer ser? A presidente Dilma e o ex-presidente Lula estão fazendo propaganda claríssima, na televisão, de forma que esta Legislação Eleitoral é uma coisa esquisita. São dois pesos e duas medidas. Esta não possibilidade de Marina Silva regularizar a Rede de Sustentabilidade, por exemplo, foi algo que, para a Justiça, ficou muito difícil de explicar. Com relação aos partidos, acho que são verdadeiras camisas-de-força para manter o sistema. Precisávamos modernizar esta ritualística eleitoral, pois ela faz parte de um sistema que favorece os candidatos “profissionais”. Foi justamente isto que me deu ânimo para enfrentar [as eleições]. Os profissionais chegam à política e não fazem nada ou fazem aquilo que não deveriam fazer e nós ficamos a dizer “não tem candidatos bons, isso é um absurdo!”, “Hoje a política é muito feia, só existe corrupção”. A pergunta é a seguinte: E você, cidadão brasileiro, fez o quê? Ficou com medo de enfrentar isso? Para quem não é profissional do ramo é muito difícil enfrentar o eleitorado, mas eu acho que nós precisamos começar, senão não muda. A mudança só vem a partir do momento em que tomamos a deliberação de querer mudar.
BN: Quando a senhora tomou a deliberação de querer mudar na política? Quem chegou com o convite primeiro? O próprio PSB ou outros partidos?
EC: O primeiro partido que me fez o convite foi o PTN. Eles me deram uma medalha ao mérito legislativo e depois me convidaram para tomar um café, mas eu não pude ir, pois tinha uma sessão de julgamento. Recebi a medalha e saí antes de a solenidade terminar. Depois, me convidaram para outro encontro, eu fui e eles me fizeram o convite. Naquela época, eu não pensava nisso [candidatar-se a senadora]. Eles insistiram e eu disse que pensaria. O segundo convite veio do PSB. Eu estava na Bahia, quando uma pessoa, através de meu irmão, disse que precisava falar comigo. Esta pessoa disse que Eduardo Campos estava querendo conversar comigo sobre a possibilidade de um convite para se candidatar ao governo do Estado ou ao Senado e que as portas do PSB estariam abertas.
BN: Isto foi quando mais ou menos?
EC: Isto foi antes de junho, antes das manifestações sociais. A partir daí, aconteceram sucessivos convites e eu fiquei assustada. A primeira conversa mais séria que eu tive foi quando o PDT me convidou, através de Cristóvão Buarque [senador pelo DF], e eu disse para ele que eu achava que eu tinha uma popularidade muito periférica: pessoas que lêem jornais e sabem o que é o CNJ. Disse, ainda, que eu achava que não teria uma candidatura que penetrasse no povão. Além disso, que eu ouvia dizer que uma campanha custa milhões e eu estava saindo da Justiça com um patrimônio muito pequeno, não tinha dinheiro para gastar em política, de forma que eu teria de ser carregada pelo partido. Falei também que eu não era mulher para ficar pedindo dinheiro a empresário e ele disse que eu não me preocupasse. Todos me acenavam com a possibilidade de ser muito mais fácil a eleição em Brasília por eu ser mais conhecida, o eleitor ser mais consciente e por não ter municípios. Cristóvão Buarque chegou a dizer “Eu fiz campanha e dormi na minha casa todos os dias. Saía para as cidades satélites e voltava”.
BN: Algum outro partido te fez o convite?
EC: O DEM convidou, através do Agripino Maia [senador pelo RN], o PMDB também convidou, inclusive o presidente, Valdir Raupp [senador por RO], esteve comigo. Mas todos eles me empurravam para Brasília e eu comecei a refletir: o que é que eu tenho a ver com Brasília? O fato de ser fácil se eleger? Eu estou querendo partir para uma política diferente e já começaria errando, no primeiro passo, se escolhesse uma cidade que não é minha, onde não tenho raízes. Eu continuo baiana, nunca deixei de ter casa na Bahia, venho constantemente quando estou estressada porque é onde eu consigo me energizar. Então decidi que seria candidata pela Bahia, mas ainda resistindo muito. Depois, vieram os movimentos de junho que me deixaram muito impressionada, com uma vontade de ir para rua. Se os meus netos fossem maiores, eu iria e diria: “Eu tinha que tomar conta dos meninos, por isso que eu fui”. Neste momento, eu vi, por meio da TV Senado, quatro gatos pingados discutindo a situação. Entre eles, Cristóvão Buarque juntamente com o Pedro Simon [senador pelo PMDB-RS]. Logo depois, assisti uma longa entrevista de Pedro Simon, na qual ele falava sobre o que vivenciou na República a partir de Ulysses Guimarães [ex-deputado federal pelo PMDB-RJ e líder da Constituinte de 1988]. No final da entrevista, ele criticava alguns políticos e o jornalista perguntou a ele: ” Se o senhor tivesse que dar um conselho a um jovem, o senhor diria para ele se envolver na política ou não?” Ele respondeu que diria ao jovem que fosse imediatamente, que ligasse o computador e começasse, nas redes sociais, a fazer política. Ao refletir sobre tudo isto, tomei minha deliberação. Muita gente me reprovou por eu ter vindo para a Bahia. Diziam que eu gostava de coisas difíceis e que seria impossível.
BN: Aqui na Bahia, o DEM dava como certa a candidatura da senhora ligada à oposição. Nas discussões também foi retomado o discurso do juiz Fernando da Rocha Tourinho que disse que a senhora pediu a bênção de Antônio Carlos Magalhães para o STJ. Mas, o ideário do que Eliana Calmon pensa sobre política está mais ligado a um pensamento de direita ou esquerda? Porque a senhora se filiou ao PSB…
EC: Totalmente de esquerda. Embora tenham me ligado muito a Antônio Carlos Magalhães, eu nunca estive ligada a ele. Pelo contrário. Quando eu me candidatei a uma vaga no STJ, me disseram que ele tinha um candidato: Lázaro Guimarães. Todos os políticos me perguntavam: a senhora é da Bahia, porque a senhora não está com Antonio Carlos? Soube que o senador dizia: “Eu não conheço bem esta moça, mas eu só sei que ela não fez nada pelo carlismo”. Terminei indo, por um amigo, conversar com Edison Lobão [Ministro de Minas e Energia e senador licenciado pelo PMDB-MA] e Jader Barbalho [senador pelo PMDB-PA]. O Jader disse para mim: “Eu conheço a senhora, a senhora votou contra mim no caso do polígono dos castanhais [que foi um processo contra grilagem], mas eu gosto de juiz correto. Eu vou ajudar a senhora”. Eu não acreditei, mas ele ajudou. Durante o processo, o candidato de ACM não entrou na lista de escolhidos, quem entrou fui eu concorrendo com Ellen Gracie, do Rio Grande do Sul. Eu soube que já estava tudo certo para ela ser apresentada como a primeira mulher a entrar no Superior Tribunal de Justiça no dia 8 de março (Dia internacional da Mulher). Segundo Jader, Ellen era a candidata do presidente [Fernando Henrique Cardoso]. Liguei para Edison Lobão e ele disse que apenas uma pessoa desmancharia isso: Antônio Carlos Magalhães. Entrei em contato com Tomás Bacelar, que foi meu professor, expliquei a situação e disse que eu precisava de alguém que chegasse até Antônio Carlos Magalhães e dissesse que, embora eu não fosse a candidata dele, eu era da Bahia. Pedi também a outros amigos que falassem com o senador, mas ninguém me dava resposta. Decidi ligar para ele. Consegui o telefone com Josafá Marinho [ex-senador pelo PFL-BA], liguei a primeira vez, em um domingo, e ele não atendeu. Um dia, de noite, o telefone tocou. “Doutora Eliana, aqui é Antônio Carlos.” Eu nem acreditei, pensei que fosse trote. “Está nervosa?”, eu respondi: “A alma está saindo pela boca”. Ele deu risada e disse “Fique calma, já tomei todas as providências. Não vai sair nada amanhã, vai demorar. Não estou prometendo nada, porque o presidente está irredutível, mas disse a ele que nós precisávamos conversar porque ele tinha um compromisso com a Bahia. Era doutor Lázaro, mas ele não entrou. Então, vamos ver.” Foram três meses esperando. Algumas vezes, ele ligava e dizia: “Esta gaúcha está danada, mas estamos no páreo, eu estou insistindo”. Neste período, fizeram dossiê contra mim, disseram que eu julgava contra a União e eu tive que fazer um contra-dossiê. Foi um inferno. Finalmente, fui eleita pelas mãos de Jader e Antônio Carlos, porque os dois ficaram unidos. Esta é a história de Eliana unida a Antônio Carlos. Não tive mais nada a ver com ele.
BN: Este apadrinhamento já te prejudicou de alguma maneira?
EC: Fiquei muito preocupada com este apadrinhamento e, no Senado, quando fui sabatinada, disse que achava muito política a escolha de um ministro de um tribunal superior. Disse que o escolhido chegava ao cargo comprometido politicamente e, como tinha muitos interesses para julgar, isto não era bom. Perguntaram se eu havia me comprometido politicamente. Eu disse que não tive compromisso, mas tive padrinhos políticos: Edison Lobão, Jader Barbalho e Antônio Carlos Magalhães. Todos acharam que eu era uma anta política e que eu tinha enlouquecido quando assumi isto. Mas foi o mais certo que eu fiz, pois, a partir dali, eu não podia julgar nada que eles tivessem interesse, já que todo mundo sabia que eles haviam sido meus padrinhos. Antonio Carlos sempre me fez os maiores elogios e muita gente que ia pedir para ele para que eu interferisse em julgamento, ele dizia: “Nem a mim ela atende. É melhor não pedir”. Eu joguei as regras do jogo. Eu não poderia ser diferente, senão eu não seria ministra. É diferente de agora. O que eu acho importante para a nação é a gente mudar as regras do jogo e eu sei que não é fácil. Mas a população quer mudança e a maior prova disso foram os movimentos nas ruas. Não estou achando que eu vou ganhar, mas estou colaborando para uma mudança. Se eu não mudar, eu acho que eu apresso o processo e isso é o que basta para mim. No Judiciário, eu sempre fiz isto e quando eu cheguei à Corregedoria, consegui mudar algumas coisas. Este é o meu objetivo nesta campanha.
BN: A senhora acredita que esta história da bênção será utilizada de forma distorcida para querer abalar a imagem de Eliana Calmon?
EC: Não, porque já tentaram durante muito tempo, inclusive quando eu era corregedora. Isso não tem mais graça porque eu disse isto no Senado.
BN: O Congresso, em geral, tem evitado discutir temas relativos ao próprio processo eleitoral. Muitas vezes, o STF tem tomado decisões que seriam do Legislativo, como a votação da Adin da OAB para acabar com as verbas de empresas privadas em campanha eleitoral. A senhora pretende enfrentar estes temas no Senado?
EC: Enfrentarei. Sem dúvida alguma é muito difícil, porque a gente fica muito isolado dentro de um contexto. Uma andorinha só não faz verão, duas não fazem, nem três, mas é preciso enfrentar, é preciso discutir. Ir para a tribuna e falar para o povo ouvir o que a gente tem a dizer e o que é preciso mudar. Eu vou com o espírito de apressar o processo de mudança. As regras eleitorais, dos partidos políticos, são um absurdo. São regras casuísticas, vão mudando de acordo com os interesses dos grupos dominantes, de forma que a relação entre o poder econômico e o poder político existe a partir da elaboração das leis. É preciso fazer regras transparentes para acabar com os grotões que são seccionados de duas formas: as pessoas ignorantes não sabem em quem votar, então você faz a troca de voto [por favores], e as pessoas não tão ignorantes, que é a classe media, você engana com regras que são verdadeiros embustes. Por exemplo, Renan dizer que depois do movimento de junho o Senado votou projetos espetaculares, isso não é verdade. Eles votaram projetos pela metade, que parecem deslumbrantes, mas não são.
BN: De que forma a senhora acha que o financiamento de campanha deveria ser feito?
EC: Eu acho que mudar as regras do jogo agora será um desastre. Se eles cortarem as doações de campanha de pessoas físicas para os outros candidatos, será muito bom para Dilma. Os cofres já estão cheios. O certo seria ter uma verba pública de campanha para ser repassada para os partidos, porque não é possível que estas empresas deem milhões sem nada a receber. Não existe almoço de graça. Pode até ter uma ou outra doação, por uma questão de simpatia, na qual seja descontado, por exemplo, o imposto de renda. Mas o que eu sei é que os empresários terminam favorecendo todos os partidos que tenham a possibilidade de ganhar porque ficam bem em qualquer situação. Ou seja, vão com a faca na mão exigir a retribuição daquilo que foi dado. O financiamento público acabaria com isso. Mas eu acho que tudo deva passar pelo controle do Tribunal de Contas. E não digo que a verba saia exclusivamente dos cofres públicos, mas que o público tenha controle sobre o que vai para os partidos.
BN: A senhora acha que a Justiça tem interferido ou não na atividade legislativa?
EC: Acho que está interferindo e esta interferência é comum, atualmente, em todos os países democráticos com esta nova visão do Judiciário. É a judicialização da política porque, se um dos poderes está faltando em cumprir o seu dever, vem o Judiciário para preencher. Isso se deu no Canadá, Turquia e em Israel. A criação do muro em Jerusalém, por exemplo, foi decidida pela suprema corte. Eu acho que isto é um sinal de maturidade. O problema é que, no Brasil, a falta do Legislativo tem sido constante. Aqui, há uma apatia do Congresso Nacional em razão destas parcerias que estão sendo feitas com o partido dominante que é o PT. Paralisa-se o Legislativo e o Executivo fica nas mãos do PMDB. É isto que estamos vendo claramente. Eu fui eleitora do PT porque sempre quis mudanças e ele tinha dois propósitos: inclusão social e ética na política. Os programas sociais foram bem sucedidos, mas a ética na política foi embora. Cada vez mais eles se comprometem com a bancada econômica e prejudicam a política social. A corrupção está dominando tudo. É possível perceber, em Brasília, a degradação ética de forma muito palpável.
BN: E dentro do Judiciário?
EC: Posso dizer que, na Justiça, as coisas também pioraram porque ela é o reflexo da sociedade. Ela não está fora da sociedade. De onde saem os magistrados? Quem escolhe os magistrados e tribunais superiores? Antigamente, no STJ, chapa branca (candidatos escolhidos por políticos) não entravam na lista. Hoje, há uma interferência direta de políticos na escolha e isso me preocupa muito. Por isso eu estou saindo sem muita saudade. Eu sou magistrada há 34 anos. Contando os cinco de procuradora da República, são 39. Pensava que sairia com saudade, que não saberia fazer outra coisa, mas estou com uma sensação de libertação da escravatura, me sentindo livre.
BN: No evento do PSB e Rede Sustentabilidade, a senhora falou que não tem dinheiro, que não é conhecida do grande público, mas a senhora tem um perfil combativo o que, de certo modo, causa até simpatia principalmente entre os mais jovens. Tem alguma estratégia definida para que este perfil, da pessoa que quer mudar a política como mudou o Judiciário, seja reforçado? Como isso vai chegar ao grande público?
EC: Eu ainda não tracei estratégia porque eu tenho que fazer isto junto com o partido, com as pessoas que farão política comigo. Tenho muita esperança de que a Rede me ajude, porque ela tem uma penetração muito boa. Tem muita gente jovem com o perfil simplista, de mudança, de combatividade e este pessoal eu acho que tem um perfil muito parecido com o meu. No PSB, eu gosto das soluções práticas do Eduardo Campos. Ele fez um trabalho magnífico em Pernambuco, eu conheci quando era corregedora. Campos acompanhava os números da violência no estado. Uma vez, ligou para mim e disse que as ações, em Jaboatão dos Guararapes, cidade com índice de criminalidade alta, não estavam sendo julgadas e sim prescrevendo. Nós trabalhamos juntos e se fez uma revolução no local. Fiquei encantada porque o governador estava à frente disso tudo. Aqui, antes de atuar no Tribunal da Bahia, chamei Fernando Schmidt [atual presidente do E. C. Bahia], que era assessor do governador, e pedi que ele falasse ao governador Jaques Wagner que ele precisava me ajudar, senão a gente não consertaria o TJ-BA. Não foi feito nada. Aqui na Bahia todos os órgãos estão cooptados: O Ministério Publico, Tribunal de Justiça e Tribunal de contas.
BN: A única alternativa da senhora vai ser o Senado? Porque a disputa vai ser bastante difícil. A senhora não cogita outra possibilidade? Candidata a deputada federal ou prefeitura de Salvador em 2016, por exemplo?
EC: Não. Cargo executivo eu não quero. O cargo executivo eu acho que é um administrador momentâneo. O que eu gosto é de fazer a diferença. Se me perguntassem se eu queria ser presidente do STJ, eu diria que não, porque o presidente do STJ é um administrador de prédio. Um prefeito da Bahia administra uma cidade. Eu acho que os processos de mudança estão no Legislativo.
BN: Nem vereadora. Aguardaria para 2018?
EC: Aguardaria. Se tiver fôlego até lá.
BN: Mas a senhora acredita que é possível, mesmo com toda dificuldade, este projeto ganhar?
EC: Acho que é possível. As coisas podem mudar, mesmo na Bahia. A minha estratégia será rede social e eu vou, pessoalmente, conhecer a Bahia. Eu quero ir para o sertão ver de perto os problemas. Não é possível que este estado não vá para frente. Esta junção prefeitura e governo é uma lástima. E o governador, Jaques Wagner, tem tudo nas mãos, mas o dinheiro acaba indo para outros estados.
BN: Em relação às mudanças no Judiciário baiano, que expectativa a senhora tem em relação a esta nova Mesa Diretora do Tribunal de Justiça? É diferente da anterior? Alguma coisa efetiva vai mudar?
EC: A Justiça baiana é muito preocupante. Durante muitos anos houve um domínio do Executivo sobre o Poder Judiciário da Bahia. Veio alguém para combater esta ideia, mas depois começou-se a fazer as mesma coisas. Eles continuaram subservientes ao governo porque é uma forma fácil de obter favores, principalmente depois da constituição de 88, porque tudo passa pelo Poder Judiciário. Quando há a conivência do Judiciário com o governo fica tudo um mar de rosas. Existe a troca de empregos. Além disso, aqueles que estavam combatendo Antonio Carlos Magalhães foram para lá e fizeram o mesmo. Os cargos dentro do Judiciário foram distribuídos conforme ser contra o presidente ou a favor. No final, eles ficaram tão desgastados que começaram a cooptar a parte podre do Tribunal – que são aqueles desonestos, corruptos – para fazer maioria. Eles estavam em uma situação quase insustentável. Tem uma turma que não é corrupta, mas não quer se indispor e fica quieto. Um dos grandes problemas do colegiado é o silencio dos bons. As pessoas não querem se desgastar.
BN: Corporativismo?
EC: Não, é uma forma de não se aborrecer, de se preservar. Muitas pessoas diziam para mim: “Você já é ministra, pare de brigar, fique quieta”. Depois da interferência do CNJ, os corruptos estão assustados e aqueles inocentes estão querendo trabalhar para mostrar que a Bahia tem um tribunal que se respeite. Eles começaram a verificar que o que há de mal feito dentro do Judiciário baiano tem visibilidade em Brasília. Quanto ao atual presidente, Eserval Rocha, ele é um homem muito correto. Todos diziam que ele era louco, assim como disseram que eu era louca. Na verdade, é, realmente, quase uma loucura você querer marchar contra o vento. E ele sempre fez isso. Ele não tinha chance de ser presidente se não fosse este afastamento. A mulher mais forte do tribunal se chama Telma Britto e ela não queria ele.
BN: A senhora, principalmente no CNJ, fez muitas denúncas e teve acesso a muitos documentos. Com esta documentação, é possível afirmar que o governo da Bahia e o Tribunal de Justiça da Bahia são corruptos? A senhora pretende apresentar esta documentação durante a campanha?
EC: Não, eu não farei isto. Aquilo que eu verifiquei como corregedora eu passei para o corregedor. Não usarei isto como arma eleitoral. Acho que seria uma indignidade da minha parte me aproveitar de um cargo no judiciário para usar como argumento de campanha.
BN: Mas é possível afirmar que o governo da Bahia e o Tribunal de Justiça são corruptos?
EC: Não. Eu não posso dizer que sejam corruptos. Existem muitos desvios, mas dentro de um contexto de um país tão corrupto, eu posso dizer que não é o pior. O maior problema do Judiciário baiano não é a corrupção, é a inação. É não querer fazer, não aceitar a mudança em troca de pequenos favores, benesses. Tribunal corrupto era o do Paraná, o do Maranhão.
BN: É verdade que a primeira-dama Fátima Mendonça é funcionária fantasma no Tribunal de Justiça?
EC: É. É só verificar em um site. Eles colocaram todos os documentos e a funcionária que denunciou foi punida por isso.
BN: Existe apenas um adversário até agora, o vice-governador Otto Alencar (PSD). Qual a avaliação que a senhora faz do oponente?
EC: Parece que ele é realmente muito forte porque ele é uma pessoa muito afável, que todo mundo quer bem, não tem inimigos. Ele é do sistema, então tem mais penetração do que eu. A avaliação que eu faço é que ele é um candidato difícil pelo perfil que ele apresenta. O que eu acho interessante é que ele é muito bom, mas por que ele não foi candidato a governador?
BN: Como fazer para ganhar dele?
EC: As redes sociais,a diferença, o boca a boca. Será que isso funciona na Bahia? Alguém tentou? Até agora não. Vamos tentar? por Evilásio Júnior, José Marques e Fernanda Aragão | Fotos: Alexandre Galvão
O rio Madeira deu uma trégua hoje e manteve a média de 18,98 durante quase todo o dia e início da noite de hoje, domingo, 09. Mais cedo chegou a medir 19 metros.
Segundo a Agência Nacional de Águas, ANA, o nível deve chegar a 19,20 metros até o final da próxima semana.
A rodovia BR 364 entre Rondônia e Acre, no Brasil, quase desapareceu sob a água
Notícias do jornal El Deber, da Bolívia, de hoje, 9 de março de 2014. As usinas de Jirau e Santo Antonio, situadas há mais de 100 km da fronteira com a Bolívia, colocam Brasil e Bolívia em polêmicas, enquanto a natureza bate mais forte do que nunca. As barragens de Jirau e Santo Antônio construídas em território brasileiro, são agora o centro das críticas. Acredita-se que contribuíram para o rio transbordar afetando as populações de Beni e Pando, na Bolívia. Em Rondônia e no Acre, milhares de pessoas foram afetadas pelas enchentes.
Ambas as obras fazem parte de um projeto de expansão de energia e interligação de rio na região, que se refere o IIRSA (Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura Regional da América do Sul), e inclui a construção de duas outras barragens semelhantes, uma em Guajará-Mirim ( Brasil em água binacional) e outra em Cachuela Esperanza (Bolívia).
As primeiras observações
Patricia Molina, vice-presidente do Fórum Boliviano sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Fobomade) recordou que em 2007, antes de licenças de construção de barragens no Brasil serem aprovadas, a organização, juntamente com o Norte Central Indígena da Amazônia Bolívia (CIRABO ) e da Federação Única de Trabalhadores Camponeses de Pando apresentaram um pedido de medidas provisórias para a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) contra o governo do Brasil para o impacto ambiental negativo que teria barragens. Dois livros foram publicados com os resultados dos estudos do Instituto de Hidráulica e Hidrologia, em que também alertaram sobre os danos à pesca na região.
Ministro do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, José Antonio Zamora, disse que seria “irresponsável” dizer se sim ou não que as barragens estão influenciando o transbordamento de rios antes de ter um estudo técnico. Os estudos estão sendo feitos no Brasil e em cerca de duas semanas terá um resultado final. Mas a questão não é de pouco interesse para o país vizinho, a tal ponto que foi anunciado para 07 de abril visita à Bolívia do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Luiz Alberto Figueiredo, onde tratarão sobre as barragens.
Na verdade já existe um precedente negativo. Em 2007, o presidente Evo Morales aplicou o decreto aprovado pelo ex-presidente Eduardo Rodriguez Veltzé (2005), para que as licenças ambientais fossem suspensas na bacia do Rio Madeira (Madeira, do lado brasileiro) até que seja contar com estudos confiáveis. De acordo com Molina, isso impediu a empresa de construção brasileira Odebrecht obter uma licença temporária para fazer estudos sobre a represa em Cachuela Esperanza. Este é o consórcio que construiu a barragem no Brasil Santo Antonio.
Divergente
Para o ministro Zamora, além das barragens, a quantidade de chuva que caiu este ano é muito maior do que a média normal, que causou inundações em Beni e Pando. Ele também diz que a barragem de Santo Antônio está há mais de 100 km da Bolívia, para que haja uma “distância considerável” (para pensar sobre um possível impacto). No entanto, ele reconhece que, a partir dessas mudanças climáticas, é necessário avaliar os efeitos potenciais da construção de uma barragem em Cachuela Esperanza. “Nós provavelmente precisamos melhorar projetos, verifique para impulsionar estas questões”, enfatiza. Segundo Fobomade, uma represa no Cachuela Esperanza apenas reter sedimentos do rio Beni (cujo final águas onde as barragens do Rio Madeira são) e que não iria fazer nenhum bem para a Bolívia.
O presidente da Central Indígena Oriental Bolívia (CIDOB), Adolfo Chávez, disse que a instituição fez uma representação ao Ministério das Relações Exteriores, há quatro anos alertando que a barragem iria comprometer o território étnico da região amazônica compreendendo 400.000 ha, entre Beni e Pando. “Há uma forte rejeição das comunidades, porque, apesar de todos os anos, a área é inundada, uma barragem sobre a produção de comprometer Cachuela Esperanza e castanheiros madeireiros. Não houve nenhuma consulta aos indígenas.
Jorge Molina, engenheiro civil, especializado em hidráulica, diz um estudo de 2008, que é “improvável” que as barragens estejam influenciando ou fazendo com que os transbordamentos de rios Mamoré em Beni, mas, esclarece que usa o termo “provavelmente” porque o estudo só oferece um fluxo máximo de 40.000 m3 / s, onde hoje o dilúvio histórico alcançado a 48.500 m3 / s, em Porto Velho.
Em fevereiro o presidente Morales pediu uma investigação sobre o impacto das barragens, Molina lembrou que o estudo já fazia parte do contrato assinado em 2008 com a empresa canadense Tecsult Ende para o qual tinha um máximo de um ano. “Se essa parte do contrato foi realizada, o presidente teria a resposta à sua pergunta sem pedir uma nova investigação”, diz o especialista.
O nível do Rio Acre voltou a subir na manhã de hoje (9), de acordo com a última medição da Defesa Civil, às 9 horas. O rio chegou a 15,64 metros (m) em Rio Branco, 1,64 m acima da cota de transbordamento.
De acordo com a prefeitura de Rio Branco, novas famílias foram retiradas de suas casas e levadas ao Parque de Exposições Marechal Castelo Branco. No momento, 330 famílias estão abrigadas.
Nos municípios que estão no curso do rio, o volume das águas apresenta sinal de vazante. Em Brasileia, a medição está com 9,84 m. O nível baixou na cidade de Xapuri e está em 13,90 m, informou a Defesa Civil.
O rio Madeira voltou a subir hoje. A última medição, às 9 horas, registrou 18,99 m. Há mais de 2,2 mil famílias desabrigadas. Por medida de segurança, o tráfego de caminhões na BR-364 está liberado somente das 7h às 17h.
As cheias do Rio Madeira começaram em setembro do ano passado na divisa dos estados de Rondônia e do Acre, fronteira com a Bolívia. Até agora, há 60 mortos e pelo menos 60 mil famílias afetadas na Bolívia. No Brasil, mais de 2,5 mil famílias estão desabrigadas.