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quarta-feira, maio 13, 2026
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Como assim, Bolsonaro obteve 58 milhões de votos?

Por Roberto Kuppê (*)

Bolsonaro recebeu 58.206.322 votos (49,1%), contra 60.345.825 (50,9%) de Lula.  Foram cerca de 400 mil votos a mais que em 2018, quando recebeu 57.797.847 votos (55,1%) e ganhou a eleição. Como assim? Quer dizer que Bolsonaro, não só manteve os votos de 2018, como acrescentou mais 400 mil em 2022?

Mas, o que ele fez para manter esses votos e quase se reeleger? Cumpriu promessas de campanha? Nem a metade. Fez um governo sem corrupção? Não! Fez acordo com o Centrão? Sim! Fez toma lá dá cá? Sim. Protegeu população durante a pandemia? Não! Protegeu os filhos de investigações, trocando delegados? Sim. Passou a maior parte do tempo andando de jet sky e de moto? Sim. Então, como Bolsonaro manteve os votos de 2018 + 400 mil?

Somente a máxima de Lênin explica: “Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz”. Bolsonaro, inexplicável e totalmente fora da realidade, aponta fraude nas urnas e afirma que foi reeleito. As urnas foram reviradas de cabeça pra baixo e não se encontrou nada que colocasse em cheque sua eficiência e credibilidade.

Mas, como Bolsonaro diz que houve fraude nas eleições, se ele elegeu a maioria dos deputados, senadores e governadores, inclusive São Paulo? A eleição de Tarcísio Freitas (Republicanos), ex-ministro que nem mora em São Paulo, é sim um caso para desconfiar. Como um desconhecido dos paulistas, entra na disputa liderada há meses por Fernando Haddad (PT), vence os dois turnos em primeiro lugar? Isso sim, é inexplicável e passível de desconfiança. Mas, como disse Lênin, acuse-os do que você faz. Ou seja, “diga que houve fraude nas eleições para esconder que fomos nós que fraudamos”.

Bolsonaristas estão nas ruas, ensandecidos, inconformados com a derrota de Bolsonaro, ameaçando que Lula não subirá a rampa em 1 de janeiro de 2023. Eles que pregam a liberdade de expressão, simplesmente não respeitam 60.345.825 de eleitores que votaram em Lula. É uma manifestação totalmente anti-democrática, com o único objetivo de tumultuar e implantar o caos no Brasil.

E o caos será implantado definitivamente neste dia 15 de novembro, a partir de Brasília. Ônibus com pessoas possivelmente armadas, estão partindo de várias partes do Brasil e deverão fazer da Esplanada dos Ministérios um campo de batalha. Se alguém acender um fósforo, poderá dar início à uma guerra civil. Será tudo o que Bolsonaro quer. O caos.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político

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