Por Roberto Kuppê (*)
Em primeiro lugar, a Globo News errou ao condenar açodadamente Lula por defender a paz, por ter acusado EUA e União Europeia à incentivar a guerra, ainda que indiretamente. Lula atirou no que viu e acertou no que não viu. Lula, sem querer querendo, entrou no conflito e hoje é o nome mais falado na questão da paz entre a Ucrânia e a Rússia. A proposta de paz de Lula está sendo considerada até pelo líder russo, Vladimir Putin.
A fala de Lula na China suscitou a mais ampla repercussão internacional. Abalaram Washington, onde o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, John Kirby, acusou o brasileiro de repetir a propaganda da Rússia e da China.
Agora, quando a ação de Lula ameaça, como disse um analista, a rainha do formiga-rainha, o domínio da Casa Branca sobre a geopolítica e as finanças, jornalistas e veículo entram em surto coletivo.
A Folha grafou em editorial que “Lula perdeu a mão”. O Estadão sentenciou que “Lula transformou o Brasil em sabujo dos interesses chineses só é exclusivamente para se distanciar dos Estados Unidos, o velho vilão da esquerda brasileira”. Já O Globo disparou um alerta ameaçador diante de seu histórico: “O perigo de provocar americanos é europeus é evidente: Lula arrisca levar um tombo”.
Lula não abaixou a cabeça após receber críticas, principalmente dos Estados Unidos. Celso Amorim, ex-chanceler e assessor especial do presidente Lula, afirmou que o Brasil não é obrigado a seguir todas as opiniões dos Estados Unidos.
Em relação à guerra na Ucrânia, Amorim destacou que o Brasil condenou a invasão da Rússia, mas defende a busca pela paz em vez de sanções ou tentativas de derrotar a Rússia. “O que você quer? Uma vingança? Dar uma lição?”, declarou, acrescentando que “a última vez que se tentou isso [com o Tratado de Versalhes depois da derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial] deu no que deu”.
A postura firme de Lula sobre o que pensa do conflito, rendeu um telefonema, ontem, do conselheiro de segurança nacional de Biden, Jake Sullivan, que conversou com seu colega brasileiro, Celso Amorim, sobre “várias negociações bilaterais e globais”.
Amorim havia entrado na guerra de palavras, chamando as críticas dos EUA de “absurdas” e insistindo que o Brasil não compartilhava da posição da Rússia. “O Brasil defende a integridade territorial da Ucrânia”, disse Amorim à TV Globo. Mas ele acrescentou: “Enquanto não houver negociações, a paz ideal para ucranianos e russos não acontecerá. Deve haver concessões.”
De qualquer forma, Lula está no jogo e é um grande candidato ao Prêmio Nobel da Paz. Merecidamente, pelo trabalho intenso contra a fome e pela paz mundial. Lula tem repetido que guerras só interessa a quem vende armas e que a população civil é a que mais perece perante o forte poderio bélico das grandes potências.
Lula esteve na China, onde foi recebido com pompa de líder mundial. Lula exaltou o crescimento da China, que deixou a pobreza comunista para ser uma super potência e principal mercado importador do Brasil. Enquanto os EUA gastaram mais de U$ 300 bilhões em despesas militares, a China não desperdiçou nem um centavo em guerra, e é por isso que ultrapassou os EUA em quase todas as áreas. A constatação é do ex-presidente Jimmy Carter. “Se tivéssemos tomado U$ 300 bilhões para instalar infraestruturas, robôs e saúde pública nos EUA teríamos trens bala transoceânicos de alta velocidade. Teríamos pontes que não colapsem, sistema de saúde grátis para os americanos não infectarem mais milhares de americanos do que qualquer país do mundo pelo COVID-19. Teríamos caminhos que se mantenham adequadamente. Nosso sistema educativo seria tão bom quanto o da Coreia do Sul ou Xangai”.
Por isso a China é uma potência. Não entra em guerra com ninguém. Não tem mísseis apontados para nenhum país ( a não ser para Taiwan). O Brasil está certo. Lula está certo por querer a paz mundial.
“Ah, o Lula recuou sobre o que pensa sobre conflito entre Rússia e Ucrânia”. Não, de jeito nenhum. Até num jogo de futebol o artilheiro recua a bola para o goleiro reiniciar a partida. Como numa partida de futebol, o Brasil está bem posicionado entre os grandes atores mundiais. Podemos afirmar que Lula é um dos maiores líderes mundiais, sem ufanismo, sem falsa modéstia.
Com informações de Brasil247
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