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quinta-feira, março 12, 2026
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Porto Velho respira democracia

Por Édson Silveira (*)
Porto Velho acaba de passar por mais um rito democrático, e as urnas, como sempre, revelaram o que muitos insistem em ignorar: a política, quando mal praticada, cobra seu preço. Tivemos uma campanha acirrada, sim, mas é triste ver como as ideias de verdade ficaram muitas vezes de lado, em meio a promessas vazias e ataques mútuos. Agora, com o resultado do primeiro turno nas mãos, é preciso refletir sobre quem ficou e quem seguiu adiante.
Mariana Carvalho, do União Brasil, e Léo Moraes, do Podemos, seguiram para o segundo turno. Que assim seja, e que a disputa agora seja mais propositiva, menos sobre personalismos e mais sobre soluções reais. Porto Velho não pode mais ser refém de joguinhos políticos ou marqueteiros de plantão. A cidade pede soluções concretas, e não slogans de campanha. Que esses dois candidatos agora foquem no que realmente importa: saúde, educação, infraestrutura, segurança. O tempo para enrolação acabou, e o povo está de olho.
Não poderia deixar de mencionar o desempenho de Célio Lopes, do PDT, que, apesar de fora do segundo turno, mostrou força. É uma voz nova, que ecoou com ares de renovação e coragem, algo raro em uma eleição onde muitos pareciam ter medo de falar o que realmente pensam. Ficar em terceiro lugar pode até soar como derrota, mas na verdade, é uma mensagem clara: há espaço para quem quer mudança de verdade. Sua participação não foi só relevante, foi necessária.
E aos demais candidatos, Euma Tourinho, do MDB, com seu estilo mais agressivo e controverso, talvez tenha se perdido em meio à própria dureza; o Professor Benedito, do Solidariedade, trouxe serenidade, mas não conseguiu cativar como poderia; Ricardo Frota, do Novo, tentou emplacar o discurso liberal, mas, no fundo, parecia um pouco confuso sobre o que realmente queria. Samuel Costa, por sua vez, levantou a bandeira da esquerda com orgulho, mas, ao que parece, o eleitorado local ainda não está pronto para abraçar mudanças tão profundas.
Mas o tempero dessas eleições não está apenas na corrida pela prefeitura. A Câmara Municipal agora terá novos ocupantes, e o que esperar deles? Só o tempo dirá. Os vereadores eleitos terão nas mãos o poder de transformar a cidade ou de mantê-la em estagnação. Que não se iludam: o povo de Porto Velho quer resultados. Não queremos mais vereadores que somem após as eleições, ou que passem quatro anos com discursos vazios e promessas que nunca saem do papel. A paciência do eleitor não é infinita, e a cobrança será mais dura do que nunca.
As urnas falaram. O recado foi dado. Cabe agora a quem venceu respeitar o processo democrático e, principalmente, a confiança do povo. Porto Velho precisa mais do que discursos, precisa de ação, compromisso e seriedade. Que a disputa do segundo turno seja digna, mas que, acima de tudo, a cidade saia vencedora.
 (*) Édson Silveira é advogado e vice-presidente estadual do PT/RO.

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