RONDÔNIA — Conhecido por sua rica biodiversidade e pela vasta cobertura florestal, Rondônia foi palco de intensas críticas e retrocessos em 2024 na área ambiental. Um estado que deveria ser símbolo de preservação e desenvolvimento sustentável, viu-se envolto em polêmicas que levantam questionamentos sobre a ineficácia de suas políticas ambientais e a incapacidade do governo estadual em frear o avanço do desmatamento e das queimadas.
Explosão de queimadas e degradação florestal
Dados alarmantes de outubro de 2024 apontaram que Rondônia registrou 9.979 focos de queimadas — um aumento de 34% em comparação ao ano anterior. O impacto devastador nas florestas levou ao agravamento da qualidade do ar e ao deslocamento de comunidades tradicionais, especialmente indígenas.
Além disso, um levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) revelou que o estado está entre os mais degradados da Amazônia, com 1.907 km² de área afetada apenas em setembro. Esse cenário acendeu o alerta vermelho para a preservação da floresta amazônica, colocando Rondônia no radar internacional como um exemplo de retrocesso ambiental.
Flexibilização das leis ambientais
Enquanto os números de queimadas e desmatamento aumentavam, o governo estadual foi acusado de enfraquecer políticas ambientais. Em março, flexibilizações na legislação e cortes em recursos de fiscalização facilitaram atividades ilegais como garimpo e uso intensivo de agrotóxicos. Essas ações resultaram em contaminação por mercúrio em rios e impactos diretos na saúde de comunidades locais.
Organizações ambientais denunciaram o governo, afirmando que as mudanças nas regras ambientais comprometeram anos de esforços para proteger os ecossistemas do estado.
Crise hídrica e falta de planejamento
A crise ambiental se agravou com a escassez de água. Em dezembro, a gestão estadual decretou estado de emergência hídrica, suspendendo novas outorgas para captação de água em regiões críticas. O Comitê Gestor Estadual de Crise Hídrica foi criado, mas especialistas apontam que a medida tardia evidenciou a falta de planejamento estratégico para a gestão sustentável dos recursos hídricos.
Participação popular enfraquecida
Outro ponto controverso foi a sanção de uma lei em setembro que centralizou o controle do Fundo Estadual de Governança Climática e Serviços Ambientais, limitando a participação de organizações da sociedade civil.
Para ambientalistas, essa decisão comprometeu a transparência e a democracia nas decisões ambientais, levando a protestos e notas de repúdio por parte de entidades nacionais e internacionais.
Amazônia em debate na COP29
As críticas ao governo estadual ultrapassaram fronteiras. Durante a COP29, o governador de Rondônia enfrentou protestos e foi alvo de críticas por minimizar os impactos ambientais enfrentados pelo estado. Ativistas consideraram sua fala evasiva e insuficiente diante da gravidade da crise.
A falta de transparência nos gastos públicos da SEDAM é outro tema que foi alvo de muitos questionamentos.
Um ano de alertas e lições
Rondônia encerra 2024 como um dos estados brasileiros mais vulneráveis aos impactos ambientais e sociais causados pela degradação. Para especialistas, as políticas ambientais implementadas neste ano falharam em conter os danos e, em muitos casos, contribuíram para sua intensificação.
“O que vemos em Rondônia é um exemplo de como a flexibilização de leis e a falta de fiscalização podem comprometer décadas de avanços ambientais”, afirmou o gestor ambiental Edjales Benício, especialista em políticas ambientais e integrante da organização Kanindé.
Enquanto a pressão por mudanças cresce, 2025 se inicia com um desafio claro: reverter os danos causados e restabelecer a confiança na capacidade do estado de proteger seu patrimônio ambiental.
Fontes:
Portal Amazônia.
Rondônia Dinâmica.
Revista Cenarium.
News Rondônia.
Agência Cenarium.



