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quarta-feira, junho 3, 2026
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Enfermeira indígena morta na aldeia em RO: acusado e dois suspeitos são denunciados

O assassinato da enfermeira indígena Gleicia Arikapu ganhou um novo desdobramento na Justiça. O Ministério Público de Rondônia (MPRO) apresentou denúncia contra o homem apontado como autor do crime e também contra outras duas pessoas suspeitas de ajudá-lo após o homicídio.

O caso aconteceu na Aldeia Arikapu, zona rural de São Miguel do Guaporé, e a denúncia foi assinada pelo promotor de Justiça Rodrigo Nicoletti.

Crime ocorreu dentro da residência

Segundo as investigações da Polícia Civil, Gleicia foi morta na tarde do dia 2 de maio de 2026.

O acusado, identificado pelas iniciais D. T. M., também indígena, teria efetuado um disparo de arma de fogo à curta distância, atingindo a vítima no rosto dentro da residência onde o casal vivia.

De acordo com o Ministério Público, os dois mantinham uma união estável havia cerca de um ano.

Investigação aponta histórico de ameaças

A apuração revelou que Gleicia já manifestava o desejo de colocar fim ao relacionamento, situação que, segundo a denúncia, não era aceita pelo investigado.

O MPRO afirma ainda que, entre janeiro e maio deste ano, a vítima teria sido ameaçada de morte pelo companheiro, que teria utilizado uma faca durante episódios de violência doméstica.

Feminicídio com qualificadoras

Na denúncia apresentada à Justiça, o Ministério Público sustenta que o crime foi praticado em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher.

Além disso, o órgão aponta que o homicídio foi motivado pelo inconformismo do acusado com o possível fim da relação, caracterizando motivo torpe.

Outra qualificadora apresentada é a de que a enfermeira teria sido surpreendida pelo disparo, sem qualquer chance de defesa.

A denúncia também destaca que Gleicia deixou um filho de 16 anos, que teria sido a primeira pessoa a encontrá-la após o crime.

Arma teria sido escondida na floresta

O Ministério Público também denunciou outros dois indígenas.

Segundo a investigação, após o assassinato, o suspeito procurou os dois homens em uma base da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

A acusação afirma que eles receberam a arma utilizada no crime e ajudaram a escondê-la em uma área de mata, com a intenção de dificultar as investigações.

Outros crimes e pedido de indenização

Além do feminicídio, o principal acusado também responde por ameaça contra a vítima e posse irregular de arma de fogo.

Já os outros dois investigados foram denunciados por prestarem auxílio ao autor do crime após os fatos.

O Ministério Público ainda pediu à Justiça a fixação de uma indenização mínima em favor dos familiares da enfermeira.

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