Por Roberto Kuppé (*)
Sem medo de ser feliz esse é o último artigo da série nestas eleições. Lula venceu nitidamente o debate de ontem na Globo, sentenciando a derrota de Bolsonaro que, num “ato falho” fez suas considerações finais como se fosse um deputado federal. Nem isso ele foi durante a presidência que deixará no dia 31 de dezembro, cargo para o qual nunca deveria ter sido eleito.
O debate de ontem foi a pá de cal, o prego que faltava para lacrar o caixão de Bolsonaro. Transtornado pelas últimas pesquisas e pela iminente derrota nas urnas, Bolsonaro até se desequilibrou, quase caindo quando dava uma resposta. Era o retrato do desespero. Era o retrato do fim melancólico. Não tinha como ser diferente. Bolsonaro é des-pre-pa-ra-do. Não lê, não se informa, não pesquisa. É um ser que não pensa.
Para um aliado de Lula, o atual presidente “foi a nocaute”, porque aparentava estar “perdido” no embate com o petista. Segundo essa avaliação, o líder das pesquisas teria levado o adversário “para a corda”. Outro petista observou que a estratégia de Bolsonaro foi partir para o “tudo ou nada”, fugindo do debate aberto sobre o seu governo e as suas propostas e apostando nas acusações contra Lula. Essa tática, porém, teria possibilitado que o ex-presidente pautasse mais o evento e apresentasse respostas mais propositivas.
Para integrantes da campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL), o debate da TV Globo terminou com gosto de decepção. A avaliação é que os dois candidatos tiveram um desempenho abaixo da expectativa, mas o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou que estava mais bem treinado. O diagnóstico é semelhante ao do comando da campanha do PT, que avalia que Lula se saiu melhor no debate da Globo. Nos grupos de pesquisas qualitativas testados pelo partido, o petista teve um desempenho considerado como superior ao do adversário.
Alguns institutos também demonstraram que Lula se saiu vitorioso, como um estudo qualitativo publicado pelo instituto Atlas Intel ao fim do evento, que mostrou favoritismo de 51,5% para Lula, contra 33,7% para Bolsonaro. Além da Intel, a Quaest apontou mais menções negativas a Bolsonaro (64%) do que a Lula (49%), conforme um monitoramento em tempo real na internet.
Hoje, na ressaca do debate, Bolsonaro sentirá o abandono de alguns aliados que já sabem da derrota, mais do que iminente, uma certeza.
Sérgio Moro, o juiz parcial que se elegeu senador da República, sentiu ontem os sinais da derrota de Bolsonaro. Sentiu também que a presença dele na campanha do segundo turno não acrescentou nada, muito pelo contrário. Deve ter contribuído para afundar mais ainda o projeto de reeleição. Com a iminente vitória de Lula amanhã, sepulta também o sonho de Moro sair candidato à presidência em 2026. Esse era o objetivo dele na reaproximação com Bolsonaro. Imaginava que seria um senador com forte protagonismo no governo Bolsonaro e assim se credenciando para o Planalto nas próximas eleições. Não será. Será um senador de atuação medíocre.
Esse espaço imaginou que Sérgio Moro seria uma espécie de carrasco de Lula, que terminaria o serviço sujo que iniciou ao condená-lo à prisão. Que Moro daria o empurrão em Lula no cadafalso das eleições, mas, o que vimos, foi um “Zé Ruela”, um falastrão que em nada contribuiu para a campanha de Bolsonaro. Ainda bem.
A única verdade que Bolsonaro disse no debate, porém, foi que Roberto Jefferson é amigo de Lula. Nisso ele tem razão. Só um amigo daria um tiro no pé de Bolsonaro. Faltou Lula agradecer em público. (Risos).
Enfim, entre mortos e feridos, Lula está vivo e será eleito amanhã o novo presidente do Brasil, para a alegria de 215 milhões de brasileiros, mesmo para quem vai votar contra ele. Porque, como bem citou Lula no debate, os bolsonaristas também foram enganados por Bolsonaro em 2018, que prometeu uma nova política, sem toma lá dá cá, sem Centrão, sem corrupção. E, o que assistimos, foi ele fazer tudo ao contrário do que prometeu, escondendo por debaixo do tapete por 100 anos as provas da corrupção no governo dele.
O que Lula prometeu fazer, se eleito, nós já sabemos que ele fará, porque já o fez durante os oito anos de mandato dele, de 2003 a 2011. Este espaço afiança que ele fará muito mais. Principalmente nas áreas da educação, saúde e segurança pública. Vai gerar milhões de empregos reais, com carteira assinada, porque ele sabe fazer isso, porque já fez. Com emprego e dinheiro no bolso, o trabalhador vai voltar a consumir, a comprar bens móveis e imóveis, vai viajar, vai comer seu churrasco de fim de semana. O povo não quer muito. Só dignidade já basta.
Encerrando este artigo, desejamos ao povo brasileiro que continue com sabedoria e que amanhã crave o 13 nas urnas. E, em São Paulo, eleja também Fernando Haddad governador.
Sem medo de ser feliz, amanhã será outro dia…será um lindo dia…
(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político
Com informações de Carta Capital



