A Defesa Civil de Rondônia está se preparando para uma campanha de guerra. É que segundo a ANA, AGência Nacional de Águas, a previsão é que o rio Madeira alcance a trágica marca dos 20 metros até o final do mês de março. Isso significa que milhares de pessoas ficarão desabrigadas, somando-se as que já estão em abrigos e na casa de parentes. O governo federal já aceitou o estado de calamidade pública no município de Porto Velho e agora os recursos virão com maior frequência e pode ser gastos sem licitação. O nível do rio Madeira está neste momento em 19,13 acima do normal.
A Agência Espacial Brasileira (AEB) confirmou para a primeira quinzena de dezembro o lançamento do Cbers-4, o quinto Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres feito em parceria entre Brasil e China. O equipamento teve sua produção adiantada após o fracasso na tentativa de enviar ao espaço o Cbers-3, em dezembro passado.
De acordo com a AEB, a montagem já é feita desde dezembro de 2013 na China e no Brasil. O Instituto Nacional de pesquisas Espaciais (Inpe), de São José dos Campos (SP), é o responsável pela produção nacional do material.
O Cbers-4 terá o mesmo formato e mecanismos do Cbers-3, com modernização da tecnologia das câmeras de observação da Terra, segundo a AEB. O equipamento deve ser concluído em setembro e transportado para a base de lançamento chinesa em outubro, localizada na província de Sanxi, a 700 km de Pequim.
Apesar do corte sofrido de 10% no orçamento da agência brasileira – caiu de R$ 345 milhões em 2013 para R$ 310 milhões em 2014 – o investimento no novo satélite deve permanecer o mesmo aplicado no Cbers-3, cerca de R$ 160 milhões. A participação na construção permanece dividida em 50% para a China e 50% para o Brasil.
O equipamento tem o objetivo de captar imagens que serão usadas pelo governo brasileiro para monitorar os setores agrícola, florestal, e no controle do meio ambiente.
Falha em foguete – O Cbers-3 foi lançado no dia 9 de dezembro, mas uma falha em um dos estágios do foguete chinês Longa Marcha 4B prejudicou o equipamento, que não alcançou velocidade e altura suficientes para orbitar a Terra e, por isso, retornou ao planeta. Ele foi destruído ao entrar na atmosfera.
Em entrevista concedida ao G1 no fim do ano passado, Petrônio Noronha de Souza, diretor da AEB, informou que a falha foi fortuita e não afetaria o programa espacial do país. Segundo Souza, além do Cbers-4, outras duas etapas consideradas importantes dentro do cronograma do VLS-1 (Veículo Lançador de Satélites) seriam prioridades em 2014.
São elas: a montagem e funcionamento do modelo elétrico, que é a reprodução fiel do foguete, mas sem o combustível, prevista para o segundo semestre deste ano, e a certificação comercial do sistema de navegação do foguete. Para o diretor da AEB, as metas abrem caminho para que o VLS seja completado.
Em encontro da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), ocorrido no fim do ano passado, o Brasil e a China confirmaram ainda a produção de um sexto satélite dentro do Programa Cbers.
O molde do Cbers-5 já está em desenvolvimento e o lançamento está previsto para acontecer em 2017. O valor do projeto ainda não foi fechado.
Orçamento enxuto – Em 2013, o montante destinado ao desenvolvimento do lançador de foguetes e a produção e pesquisa de novos satélites no Inpe foi de R$ 345 milhões. Em 2014, a verba diminuiu em R$ 30 milhões e o valor atual fixado para gastos é de R$ 310 milhões.
Comparativamente, o dinheiro destinado no ano passado à agência espacial americana, a Nasa, principal hub aeroespacial do planeta, foi de R$ 41,2 bilhões. A agência chinesa, que vem ganhando destaque nos últimos tempos com megaprojetos, como uma estação espacial própria, investiu neste ano o montante de R$ 4,6 bilhões.
A Índia, outro país que luta para combater a pobreza ao mesmo tempo em que almeja consolidar-se como potência global, investiu R$ 2 bilhões em seu programa espacial.
Questionado à época sobre o orçamento enxuto do Brasil, o diretor da AEB reconheceu que o valor não é suficiente para bancar todos os investimentos do setor, mas que agência entendia que “suas aspirações devem ser conciliadas a outras prioridades nacionais”. (Fonte: G1)
Iniciativa lançada pelo Ministério da Integração Nacional, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Regional, em 2009, o Prêmio Celso Furtado de Desenvolvimento Regional Foi concebido como um meio de estímulo à reflexão e ao debate sobre o estágio atual da questão regional brasileira e como instrumento de promoção e divulgação da Política Nacional de Desenvolvimento Regional- PNDR.
Nas duas primeiras edições, o Prêmio homenageou dois ilustres brasileiros: Celso Furtado e Rômulo de Almeida, pela importância da contribuição de ambos para a questão regional brasileira e pela inserção do tema, a partir da década de 1950, na agenda de governo e no centro do debate nacional.
Em sua terceira edição, o Prêmio reconhece e homenageia o Professor Armando Dias Mendes, um guerreiro e incansável defensor da região amazônica, “um arauto amazônico de primeira cepa”, que do início ao final de sua jornada, sonhou com uma trajetória diferente para a região, pela qual a Amazônia migrasse da periferia do capitalismo transnacional para constituir parte ativa de um projeto nacional integrada a uma estratégia de desenvolvimento do país.
Os trabalhos poderão ser inscritos nas seguintes categorias de premiação:
I. Produção do Conhecimento Acadêmico: Concorrerão teses de Doutorado e dissertações de Mestrado, que abordem temas para o aprofundamento do conhecimento da questão regional brasileira ou para a implementação de ações comprometidas com a redução das desigualdades regionais, como forma de contribuir para a compreensão da temática e a identificação de medidas de intervenção adequadas ao estágio atual das disparidades regionais no Brasil.
II. Práticas Exitosas de Produção e Gestão Institucional: Concorrerão relatos de experiências em andamento, com resultados positivos concretos, executados por instituições governamentais nas esferas federal, estadual ou municipal, por entidades privadas e pela sociedade civil, que tenham gerado mudanças estruturais e transformações do território onde estejam instaladas e em seu entorno.
III. Projetos Inovadores para Implantação no Território: Concorrerão propostas inovadoras de atuação no território, de natureza social, econômica, cultural ou ambiental, com comprovado potencial de transformação da realidade socioeconômica em escala sub-regional ou macrorregional, voltados à dinamização econômica e inclusão produtiva, diversificação e fortalecimento da base produtiva e manutenção da competitividade.
A premiação, para a Categoria I, será de: I. Primeiro lugar: Diploma de Reconhecimento de Mérito na categoria em que concorreu e a premiação em valores: i) Para de Tese de Doutorado: R$ 50.000(cinquenta mil reais); ii) Para de Dissertação de Mestrado: R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais). II. Segundo lugar: Diploma de Reconhecimento de Mérito na categoria em que concorreu e a premiação em valores: i) Para Tese de Doutorado: R$ 25.000,00 ( vinte cinco mil reais); ii) Para Dissertação de Mestrado: R$ 13.000,00 (treze mil reais). A premiação, para as demais categorias, será de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) para Primeiro lugar e de R$ 25.000,00(vinte e cinco mil reais) para o Segundo lugar.
Para mais informações entre em contato pelo email [email protected].
Jovens atores do Núcleo Atores Ativos, de Porto Velho, encontraram beleza nas enchentes do rio Madeira. A lendária praça da Estrada de Ferro Madeira Mamoré (EFMM), totalmente alagada pelas águas do rio, serviu como cenário de uma “intervenção artística” denominada de, “Catástrofe”! O evento realizad0 pelo grupo teatral aconteceu na tarde de domingo, 16. No elenco, Andressa Silva, Jamilla Marques, Rafael Barros e Kelvin Ribeiro. O grupo Núcleo Atores Ativos, de Porto Velho tem página na internet.
“A intervenção ironiza o fato de várias pessoas olharem apenas para a catástrofe e não estarem cientes da dimensão do que ela apresenta. A Estrada de Ferro virou um formigueiro de pessoas que apreciam a cheia do rio Madeira mas não sabem quantas famílias foram desabrigadas, cidades que foram ilhadas, comunidades ribeirinhas que desapareceram, etc. Catástrofe mostra que não sabemos mais se é um ‘acontecimento ou entretenimento’, onde esperamos o tempo passar e poucos tentam ajudar”, disse o ator Kelvin Ribeiro, ao +RO. A intervenção foi criada em cima de um exercício passado pela Cia. Soufflé de Bodó Company. O elenco é formado por: Kelvin Ribeiro, Andressa Silva, Jamilla Marques e Rafael Barros. Criação e direção: Kelvin Ribeiro. Certificado pelo curso de Interpretação Cênica do Ponto de Cultura Ponto de Início em 2011.
A presidenta Dilma Rousseff falou, no programa Café com a Presidenta desta segunda-feira (17), sobre o Sistema de Seleção Unificada de Ensino Técnico (Sisutec), que abre hoje 291 mil vagas em cursos técnicos em 937 instituições de todos os estados do Brasil. Todas são gratuitas e fazem parte do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego (Pronatec).
“Nós estamos escrevendo uma nova página na história do ensino técnico no Brasil, queremos valorizar cada vez mais essa modalidade de ensino. Hoje, 1,7 milhão de estudantes já fizeram ou estão fazendo cursos técnicos pelo Pronatec. Com isso, aumentamos a competitividade de nossas empresas e geramos mais crescimento para o Brasil”, afirmou.
A presidenta DilmaRousseff afirmou, neste domingo (16),em sua conta no Twitter, que a população do Acre e de Rondônia tem a garantia de apoio do nosso governo para as tarefas de reconstrução. Ontem, Dilma sobrevoou áreas alagadas nos dois estados.
“Estive ontem em Rondônia e no Acre prestando a minha solidariedades aos desabrigados das cheias do rio Madeira. Parceiros não podem faltar na hora difícil. Neste momento, nossa prioridade é resgatar e apoiar os desabrigados. A população do Acre e de Rondônia tem a garantia de apoio do nosso governo para as tarefas de reconstrução. Vamos apoiar as iniciativas para que, no futuro, chuvas como essas não isolem o Acre e parte de Rondônia do resto do pais”, disse.
A Secretaria de Imprensa da Presidência da República (SIP) vem a público prestar os seguintes esclarecimentos:1. Não é verdadeira a afirmação de que a Presidenta da República tenha responsabilizado a Bolívia pelas cheias que estão castigando os estados do Acre e de Rondônia;2. Durante a visita que fez sábado (16) a Porto Velho para verificar de perto os estragos causados pelas chuvas e onde anunciou medidas Federais de ajuda àqueles dois estados, a Presidenta foi muita clara ao dizer que as cheias são resultados de um fenômeno climático que elevou, em muito, a quantidade de chuvas nas cabeceiras dos rios que cortam a região;
3. Em sua fala, a Presidenta disse: “ A avaliação nossa é que houve, de dezembro a fevereiro, um fenômeno em cima da Bolívia…mas o que ocorreu ali? Ocorreu uma imensa concentração de chuvas. Nós temos dados de 30 anos, de 30 anos. Nesses 30 anos, não houve nenhum momento, nenhuma situação tão grave quanto essa, em termos de precipitação pluviométrica num só lugar”;
4.Para deixar mais clara a sua fala, a Presidenta recorreu à uma fábula: “..E aí eu até disse aqui uma fábula, que vocês conhecem, a fábula do lobo e do cordeiro. O lobo, na parte de cima do rio, olhou para o cordeiro e disse: “Você está sujando a minha água”. O cordeiro respondeu: “Não estou, não, eu estou abaixo de você, no rio”. A mesma coisa é a Bolívia em relação ao Brasil. A Bolívia está acima do Brasil, em relação à água. Nós não temos essa quantidade de água devido a nós, mas devido ao fato que os rios que formam o Madeira se formam nos Andes, ou em regiões altas, se eu não me engano, o Madre de Dios e o Beni”;
5.Como se vê, a fala da Presidenta se ateve a fenômenos climáticos e não geo-políticos.
Secretaria de Imprensa da Presidência da República
Na Bolívia, imprensa destaca fala de Dilma:
A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, a poucos dias antes da visita do ministro das Relações Exteriores Luiz Alberto Figueiredo à Bolívia, afirmou que San Antonio e Jirau não causam os rios caudalosos na região amazônica da Bolívia.
Depois de fazer um sobrevôo por Rondônia ocidental, o presidente disse: “Houve uma grande concentração de chuvas lá. Nós não temos essa quantidade de água, mas os rios que formam a madeira, na Cordilheira dos Andes, o rio Madre de Dios “, de acordo com o jornal Folha de São Paulo.
Ele disse que as alegações feitas na Bolívia contra as barragens “são injustas”, e ainda disse que eles são os rios bolivianos que vieram a fazer com que o fluxo de inundação ainda afeta grande parte do país, especialmente nos departamentos de Beni e Pando.
Rousseff foi no Acre, que também causou inundações de emergência na população brasileira. Ele empreendeu obras e uma ponte que vai ligar a região com Rondônia.
Dada alegação do governo boliviano, o ministro das Relações Exteriores brasileiro prometeu sua presença no país no próximo mês.
No entanto, no leste do cenário difícil por causa das inundações continua e outra tempestade está prevista para esta semana.
O governador de Beni, Carmelo Lens, explicou que “embora as águas caíram seus bancos, a crise continua, e ele confirmou que sete das oito províncias foram afetadas por enchentes este ano.”Finalmente, ele insistiu em exigir do Governo a declarar uma área de desastre dentro de sua jurisdição.
Mais uma meta cumprida na área da saúde pelo Governador Confúcio Moura
Nesta segunda-feira, dia 17 de março de 2014, as novas instalações da Policlínica Oswaldo Cruz serão entregues à população do estado de Rondônia. A unidade de saúde, construída em uma área de 2.000 m², dentro de moderna concepção de assistência à saúde, é totalmente climatizada e conta com 52 consultórios e modernos equipamentos.
A Policlínica é referência Estadual para o atendimento especializado em média e alta complexidades. Para o atendimento à população, a policlínica conta com equipe multidisciplinar, constituída por 340 profissionais. Serão 160 médicos prestando serviços em 36 especialidades. Oferecerá serviços de apoio diagnóstico, farmácia, serviço social, atendendo também aos programas de hanseníase, obesidade, assistência ao idoso e ostomizado .
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Com essa inovação em saúde, a proposta do Governo do Estado é de oferecer ao usuário do SUS o Atendimento Humanizado de Qualidade, tendo consultas com dia e hora marcados, evitando o desconforto de filas. O agendamento das consultas, que levará em consideração a classificação de risco, será feito nos seus municípios de origem.
O serviço será totalmente informatizado, com gerenciamento das informações Ambulatoriais e Prontuário Eletrônico, atendimento ordenado por senhas em painéis de chamamento e Integrado com o Sistema de Regulação do MS – SISREG.
Esta obra, um investimento aproximado de R$ 10 milhões, faz parte do Complexo Assistencial de Saúde, que busca a melhoria do acesso, primando pela resolutividade das ações, um Projeto do Governo Confúcio Moura, constituído pelo Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro, Hospital Infantil Cosme e Damião, Hospital do Câncer, Fhemeron e em breve, com o Centro de Diagnóstico por Imagem e posteriormente, Hospital Estadual de Urgência de Rondônia, o novo João Paulo II.
O jornalista e ex-deputado federal Fernando Gabeira com Ocampo/GloboNews
Quem reconhece o drama, quando se precipita, sem máscara? Muitas vezes escrevi sobre o verso de Drummond. Não consigo esquecê-lo agora, navegando no bairro Triângulo, em Porto Velho, tomado pelo Rio Madeira, que já subiu 19 metros acima do nível normal. Milhares de desabrigados, milhões perdidos, estradas bloqueadas, centenas de cabeças de gado submersas, uma tragédia que passa em branco pelo radar dos políticos e intelectuais que conferem grande peso simbólico à região.
No momento em que escrevo, nem a presidente Dilma Rousseff nem seus adversários resolveram chegar por aqui para ver o que se passa e aprender um pouco com a crise. Mas essa vontade de não saber se estende também aos próprios empresários e habitantes da Amazônia, se olhamos para as duas grandes usinas construídas aqui: Jirau e Santo Antônio.
Não é sensato culpá-las pela enchente. Mas hoje podemos afirmar que os relatórios de impacto ambiental que as licenciaram ignoraram, por questões econômicas, a realidade mais ampla da Bacia do Madeira. Deixaram de lado o Rio Beni, que vem da Bolívia, e o Rio Madre de Dios, que vem do Peru – ambos concorrem para a formação do Madeira. Ignoraram, na verdade, algo bem mais consistente: a Cordilheira dos Andes. Essa escolha impediu que se preparasse melhor para uma grande cheia que conjuga um degelo maior nos Andes e grandes chuvas nas cabeceiras do Beni e do Madre de Dios.
O valor simbólico da Amazônia tem muito que ver com plantas e bichos. Os seres humanos que vivem aqui são coadjuvantes nas fantasias salvacionistas. Mesmo assim, se abstrairmos o bicho-homem, os outros também estão sofrendo. É triste ver o gado se afogando sem que se tenha condições de salvá-lo. Os milhares de jacarés do Lago do Cuniã foram arrastados do seu hábitat e lançados nas águas do Madeira. Eram explorados, com autorização do Ibama, por um frigorífico que também se afogou.
O que restava de um monumento da engenharia nacional, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, foi por água abaixo. Os poucos quilômetros de trilhos, as velhas locomotivas no pátio do museu, peças históricas, tudo isso naufragou. Obra em que morreram milhares, construída entre 1907 e 1912, a Mad Maria estava desaparecendo há muito tempo, até que afundou no Mad Madeira.
Os sucessivos governos de Rondônia foram incapazes de reconhecer o valor cultural da Madeira-Mamoré, algo que seria altamente recompensado com a criação de um polo turístico. Os 7 km de trilhos que restaram poderiam sustentar um passeio pela mata. Apesar de inúmeras tentativas, jamais se conseguiu reaproveitá-los.
É muito difícil um Estado como Rondônia se interessar pela própria História. Grande parte dos seus moradores não se identifica com ela, principalmente os mais ricos. De 40 governadores do Estado, apenas um foi enterrado por aqui, observa o historiador Antônio Ocampo.
Naveguei no Rio Madeira algumas vezes. Na década de 1980, com a ajuda do Sindicato dos Mergulhadores, publiquei na capa da Folha de S.Paulo algumas fotos espantosas: esqueletos em escafandros. É que durante a exploração do ouro os mergulhadores eram às vezes assassinados. Subiam com o ouro e, quando mergulhavam de novo, os sócios cortavam-lhes o oxigênio. Houve mortes também por excesso de trabalho, condições precárias.
Hoje não se procura mais ouro no Madeira. A riqueza vem da energia de suas águas represadas. As duas usinas, Jirau e Santo Antônio, podem produzir 6.450 MW, mas têm grande impacto no meio ambiente. É questão internacional, porque envolve também a Bolívia. E deveria ser reavaliada pelos governos. É preciso incorporar os Andes, o Beni, o Madre de Dios, enfim, fazer um estudo mais amplo para garantir que funcionem sem grandes danos.
Um técnico explicou-me um fenômeno chamado curva de remanso. Segundo ele, a água vem freando como se a informação da existência de uma barragem fosse transmitida rio acima. E isso provoca ondas.
No auge da crise, a Usina de Jirau acusou a de Santo Antônio de não ter avaliado bem os dados sobre volume e vazão e ter-se atrasado demais nas medidas de emergência. Não se pode simplesmente acreditar na versão de uma contra a outra. A verdade é que o bairro Triângulo, por onde já caminhei nos trilhos da Madeira-Mamoré, virou um rio com dois metros de profundidade.
Antes as famílias levavam cadeiras para os trilhos e conversavam nos fins de tarde. Hoje esse bairro – com lojas, salões de beleza, academias e agência de turismo – se tornou inviável. Algumas casas ficaram totalmente submersas. O Triângulo fica na margem oposta à da Usina de Santo Antônio e é agora uma área de altíssimo risco.
Como transplantar todo um bairro? A que custo? Um senador de Rondônia conseguiu em Brasília R$ 3 milhões para uma pequena cidade, seu reduto eleitoral, que não foi atingida pelas cheias. Até o momento em que deixei a cidade, Porto Velho havia conseguido uma promessa de R$ 600 mil e contabilizava um prejuízo de R$ 320 milhões.
Não acredito nunca no rigor dessas estimativas de prejuízo. Meus olhos dizem que foram altos, como devem ter sido altos para o Acre com os bloqueios na BR-364 e a inundação causada pelo próprio Rio Acre.
Foi um ano excepcional? Tudo indica que sim. Apesar do insucesso na Usina de Fukushima, os japoneses sempre se preparam para o pior tsunami. A Amazônia deveria preparar-se para a pior das cheias. Enquanto esquecemos a Amazônia real em nossos bares, a Amazônia se esquece de si própria e ainda destrói progressivamente sua memória. Mad Amazônia.
O boto-cor-de-rosa, que, segundo a lenda, seduz e engravida virgens nas margens do Madeira, também está com a sua reprodução ameaçada pela nova configuração do rio. Mas se o boto sumir, ainda continuará seduzindo e engravidando, porque, nesse caso, é só uma questão de acreditar.
O rio Madeira voltou a subir hoje, domingo, 16, após uma “trégua” de dois dias. A última medição, às 17h15 horas, registrou 19,13 m, sendo que ao meio dia chegou a aferir 19,15. As previsões não são nada otimistas, segundo a Defesa Civil. O rio Madeira deve chegar aos 19,40 em 20 dias. Há mais de 2,2 mil famílias desabrigadas. A presidente Dilma esteve ontem, sábado em Porto Velho e comunicou que o governo federal vai acatar o estado de calamidade pública. As cheias do rio Madeira começaram em setembro do ano passado na divisa dos estados de Rondônia e do Acre, fronteira com a Bolívia. Até agora, há 60 mortos e pelo menos 60 mil famílias afetadas na Bolívia. No Brasil, mais de 2,5 mil famílias estão desabrigadas.