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quinta-feira, novembro 5, 2026
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SINTERO IGNORA DESASTRE DAS ENCHENTES E INICIA MOVIMENTO DE GREVE NA EDUCAÇÃO

Emerson Castro considera movimento inoprtuno
Emerson Castro considera movimento inoportuno

O rio Madeira acima dos 19 metros do nível, 20 mil pessoas em abrigos e prejuízo de R$ 1 bilhão de reais não foram suficientes para sensibilizar o Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sintero), que partiu para cima organizando mais uma paralisação. Em fevereiro passado, o titular da Secretaria de Estado da Educação, Emerson Castro, esteve reunido com representantes do Sintero e reiterou o desejo do governador Confúcio Moura em atender, conforme as possibilidades, as reivindicações. O governo cumpriu com o acordado e pagou os 7,97% de reajuste em dezembro de 2013 e os 5,87% serão pagos a partir de abril.

Apesar disso, o Sintero alega que o governo de Rondônia não cumpriu com a pauta de reivindicações e, por esse motivo, promoverá nos dias 17, 18 e 19 uma paralisação geral em todo o Estado. Para o secretário Emerson Castro este momento vivido em Rondônia não é propício para uma paralisação devido à situação de calamidade em que se encontram cerca de 3 mil famílias atingidas pela cheia dos rios Madeira, Machado, Abunã e Mamoré. “Os nossos esforços agora são para atender os cidadãos que estão abrigados em escolas e organizar um calendário para cumprir o ano letivo dos alunos que estão sem aula devido à utilização dessas escolas, algumas, inclusive, atingidas pela enchente”, ressalta Emerson.

O secretário afirma que a Seduc respeita o Sintero porque sabe a importância da entidade na melhoria da qualidade de ensino em Rondônia. “Reconhecemos a história do Sintero na educação e, por isso, pedimos para que o sindicato reveja a possível realização de uma greve. O Estado passa por uma fase delicada com a situação da cheia e é preciso que todos os rondonienses estejam solidários no sentido de amenizar os transtornos atuais”, afirma Emerson.

URGENTE! GOVERNO DE RONDÔNIA ESPERA AUTORIZAÇÃO PARA CONSTRUÇÃO DE ESTRADA PARQUE AINDA HOJE

Máquinas do DER/DEOSP aguardando a ordem de serviço no local
Máquinas do DER/DEOSP aguardando a ordem de serviço no local

O governador de Rondônia, Confúcio Moura, espera que ainda hoje (14) a Justiça Federal em Rondônia reconsidere a sentença que impede a construção de uma estrada parque para acesso a Guajará-Mirim e Nova Mamoré. Os municípios rondonienses estão isolados por terra por causa da cheia do Rio Madeira e sofrem com o desabastecimento.

Moura explica que a BR-425, principal acesso com asfalto à região de fronteira com a Bolívia, ficou alagada. Há uma estrada alternativa entre sítios, mas que aumenta a viagem em mais de 200 quilômetros e não é trafegável para grandes caminhões carregados. Em protesto, para forçar a abertura da estrada parque, esse acesso também foi interrompido por índios e moradores da região. Ontem (13), a estrada foi liberada após a promessa da presidenta Dilma Rousseff em intervir na questão.

O governador esteve em Brasília esta semana, buscando apoio do governo federal na reconstrução e auxílio às vítimas da cheia do Madeira.

MAQUINA2Ele explica que, diferente dos outros acessos, que margeiam o rio Madeira, essa estrada parque começa em Ariquemes (RO), mais ao meio do estado e atravessa Rondônia, perpendicularmente ao rio. São 120 quilômetros com asfalto, o resto de chão, mas bem conservado, e um trecho de 12 quilômetros que passa por dentro do Parque Estadual de Guajará-Mirim, segundo o governador, onde a justiça impediu o governo de iniciar as obras.

“Entramos com pedido de reconsideração da sentença e acredito que vamos conseguir, devido às circunstâncias. A presidenta também se manifestou favorável, chamou a Advocacia-Geral da União para peticionar e trabalhar administrativamente para conseguir a permissão para abrir a estrada”, contou Confúcio Moura

Quanto aos recursos financeiros, segundo o governo do estado, a presidenta ressaltou que o governo federal vai liberar recursos para construção, assim como maquinário e mão de obra. Basta o governo do estado justificar o pedido pelo sistema da Defesa Civil Nacional e os recursos financeiros serão liberados em caráter excepcional, no mesmo dia.

Sobre a situação da BR-364, que também tem trechos alagados, o governador de Rondônia explica que já estão licitados trechos para recuperação e elevação do leito da rodovia e para a construção de uma nova ponte para travessia do Rio Madeira, na região do distrito de Abunã. Atualmente, a travessia é feita por balsas.

A BR-364 tem trechos em que a água invadiu a pista, dificultando o tráfego de veículos. Em Abunã, foi providenciado um novo atracadouro para a balsa, com o objetivo de garantir a travessia dos caminhões de carga mais altos que, embora limitados, ainda conseguem trafegar, sob supervisão da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit)

A rodovia cruza Rondônia até o Acre e, por causa dos trechos interrompidos pela cheia, o estado sofre com o desabastecimento de bens duráveis. Para garantir que não faltem os itens essenciais, o governo federal disponibilizou para o estado do Acre caminhões do Exército e aviões da Força Aérea Brasileira, que estão fazendo o transporte de produtos. As balsas partindo de Manaus (AM) e a compra de produtos do Peru também auxiliam no abastecimento do Acre.

As usinas hidrelétricas Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira também foram tema da reunião entre o governos federal e estadual. Uma liminar da Justiça determina que as empresas responsáveis pela construção das usinas deverão atender imediatamente às necessidades básicas da população atingida pela enchente histórica do rio, como moradia, alimentação, transporte, educação e saúde.

Segundo o governador Confúcio Moura é um assunto polêmico e passível de contestação. “Quem é leigo acha que as usinas são responsáveis por toda essa catástrofe, mas a engenharia diz que não, já que elas utilizam o sistema a fio d’água, que não alaga”.

Confúcio conta que as usinas estão ajudando no que é solicitado. “A presidenta Dilma tem um grande conhecimento porque foi ministra de Minas e Energia e ela defende que não tem a menor lógica essas usinas serem responsabilizadas”.

O Rio Madeira alcançou ontem (13), às 15h, a marca de 19,09 metros de altura em relação ao leito. Segundo o governo, com informações do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), as fortes chuvas que ainda caem na Bolívia e no Peru, devem elevar o nível do rio Madeira a 19,30 metros, até o dia 20 de março. Depois disso, a tendência é a estabilização, já que a previsão é de chuvas mais esparsas. A cota de alerta do Rio Madeira é de 14 metros.

Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil

Ministério das Comunicações vai organizar sessões públicas onde as emissoras poderão pedir a migração de frequência de AM para FM

AMFMO Ministério das Comunicações definiu na quarta-feira (12) as regras para a migração das emissoras AM para a faixa FM. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, assinou a portaria que define como os radiodifusores devem proceder para pedir a mudança da frequência e a forma como os processos vão ser analisados pelo MiniCom e pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O texto deve ser publicado na edição de amanhã do Diário Oficial da União.

A expectativa é que, a partir de agosto, sejam anunciadas as primeiras emissoras autorizadas a fazer a migração, e, até o fim do ano, algumas estações comecem a operar na nova faixa.

Para o ministro Paulo Bernardo, a medida vai revitalizar as rádios AM: “Nós achamos que isso vai ser um avanço extraordinário. A rádio AM tem uma qualidade de sinal inferior e migrando para FM ela vai ter uma audiência melhor, um interesse maior da audiência e com certeza vai fortalecer a rádio do ponto de vista comercial e financeiro”. O ministro lembrou que a medida representa o atendimento de uma antiga reivindicação dos radiodifusores.

A migração dos canais foi autorizada em novembro do ano passado com a assinatura do decreto 8.139 pela presidenta Dilma Rousseff. O objetivo da medida é permitir a continuidade da operação dessas emissoras na nova faixa, já que o sinal das estações AM vem caindo em qualidade devido ao crescimento das cidades, além de não ser acessível em dispositivos como celulares e tablets.

De acordo com a Portaria nº 127, de 12 de março de 2014, o Ministério das Comunicações vai organizar sessões públicas em cada Estado do país. Nesses encontros, os radiodifusores poderão fazer a solicitação formal de migração por meio de um formulário. Mesmo as entidades que já protocolaram no MiniCom algum pedido de mudança, devem aguardar a data da sessão e fazer o pedido novamente seguindo a portaria.

Concluídas todas as sessões públicas, caberá à Anatel a realização de estudos de viabilidade técnica em cada unidade da federação para determinar se há espaço para a migração de todas as emissoras interessadas em cada município. Nos casos em que não haja espaço no espectro, a agência deve analisar a necessidade de uso da faixa estendida de FM (de 76 MHz a 88 MHz), que deve ser liberada com a digitalização da TV. Hoje, a faixa FM vai de 87.9 MHz a 107.9 MHz.

Após a inclusão das emissoras no plano básico de canais pela Anatel, o MiniCom vai analisar a documentação técnica e jurídica das emissoras. As emissoras habilitadas deverão pagar a diferença entre o valor da outorga para os serviços de FM e OM e assinar os contratos com a União. A migração da faixa não altera o prazo de vigência da outorga original, assim como não extingue registros anteriores em nome da emissora. Após a migração, a faixa antiga é devolvida à União.

As 10 principais tendências da tecnologia de inovação para 2014

A O2 Filmes esteve presente em Austin e realizou uma cobertura dos principais momentos do SXSW, disponibilizando conteúdo nos seus canais. Hoje você vai ver o que Gary Scoble e Robert Scoble falaram durante um debate quando o assunto foi “tendências em tecnologia da inovação para este ano”.

WEARABLES
Wearables2Os devices e wearables vão mudar o sistema de saúde.
Sao os devices que estarão instalados no nosso corpo que vão dizer quando teremos que procurar os médicos, e vão dar as informações que os médicos precisam com mais precisão e rapidez do que exames tradicionais.
Existem sensores que os jogadores de futebol estao usando que mostram via streaming o que eles estão sentindo, a intensidade da corrida, pressão arterial, músculos mais sobrecarregados, etc.
O mercado esportivo é um dos que mais vai utilizar os wearables, seja nas roupas, seja com devices e sensores instalados no corpo.

Google Glass
googleglassVai ser o grande device no futuro, mas hoje é frustante. Ainda está muito longe de ser considerado bem desenvolvido. Daqui a quatro anos ele poderá estar desenvolvido e ser útil para as pessoas, mas não agora.
Falta desenvolver software, apps, o próprio hardware e sensores.

Sensores
Muse biofeedback sensor – Device que sabe o que estamos pensando através da nossa atividade cerebral. Qualquer outra pessoa vai poder ver o que você está pensando através de um app no iphone!
Com a inserção desses sensores no Google Glass, o Google vai ter acesso ao nosso pensamento!
E isso é mindblowing pensando em privacidade. Mas estaremos sempre perdendo privacidade e ganhando algo em troca. Quando os cartões de crédito surgiram, todos ficaram receosos, hoje em dia não há questionamento, pois o retorno e benefícios que essa tecnologia nos trouxe supera o medo da perda da privacidade.

A internet das coisas
O que importa são as tecnologias que te deixam fazer coisas que você não conseguiria sem elas.
So we really need all this stuff?
Não precisamos mas queremos. E de várias maneiras essas tecnologias podem melhorar as nossas vidas.
Ex: próteses printadas em impressoras 3d que custam hoje poucos dólares e qualquer um pode imprimir, se tiver acesso a esse tipo de produto. Uma prótese que custava milhares de dólares hoje pode custar pouco mais de algumas dezenas.
Ex: Cube sensors – identifica gases tóxicos e outras substâncias em excesso no ar da sua casa, e pode salvar vidas, por exemplo evitando a intoxicação por CO2 em um ambiente fechado.

Tvs
O Scoble foi o pioneiro no desenvolvimento das tvs HD.
A próxima tecnologia que vale a pena consumir é o 4k e wall tv. Esqueçam 3d na tv. Wall tvs são a grande tendência para o futuro. Não só conteúdo de tv mas de internet serão projetadas em paredes e outras superfícies mapeadas por devices especialmente criados para isso, usando sensores de movimento, etc.

Chromecast
Content comes from anywere now!
As tvs a cabo devem estar bastante preocupadas, pois a internet e o Netflix mudaram a nossa forma de acessar conteúdo.

Silicon Valley
Israel tem uma das melhores empresas produtoras de sensores 3D do mundo. Na França, Polônia, Canadá e em diversos outros países estão sendo desenvolvidas tecnologias inovadoras, não só no Silicon Valley. Por causa da tecnologia, crowdfunding e acesso a internet a inovação podem acontecer em qualquer lugar.

Startups
É onde as grandes e melhores idéias estão aparecendo. É onde vale investir no momento, e em educação, pesquisa.

Fonte : O2

MÃE ACEITA HOMOSSEXUALIDADE DE FILHO E DÁ DEPOIMENTO NO YOUTUBE

Cristiane e o filho Alexandre
Cristiane e o filho Alexandre

Por: Roberto Kuppê/Maisro.com

Cristiane Fontes, 37 anos, dois filhos, Alexandre, 18 e Alessandra, 16. Moradora de Cotia (SP), Cristiane ficou surpresa quando ouviu do próprio filho que era homossexual, embora já vinha desconfiando pelo modo de comportar dele. Cristiane também logo ficou sabendo que a filha, Alessandra, também é lésbica. No princípio foi difícil para ela aceitar, mas, hoje ela fala até com um certo orgulho e muito amor sobre Alexandre e a filha. Nas redes sociais, Alexandre Henrique sempre declarou a orientação sexual dele e tem muitos amigos que compartilham do seu modo de viver. Outras dezenas ou centenas de jovens da rede social de Alexandre também se declaram e se namoram, trocando mensagens. Anunciado com grande expectativa, Alexandre gravou o vídeo ontem e postou hoje, sexta, 14 de março. O +RO tem uma categoria chamada “Diversidade”, onde este tema é tratado com responsabilidade e, acima de tudo, respeitando os direitos humanos. Conversamos via rede com Alexandre que nos autorizou a publicar o vídeo e parte da história dele. Alexandre fez este vídeo para mostrar à sociedade que a homossexualidade é simples e natural. Ele pretende com isso ajudar outros jovens a lidar com a situação. E, principalmente, mostrar aos pais de filhos gays que se pode ser feliz mesmo sendo diferente. “A pessoa quando assume para a família o que realmente é, e é aceita,  com certeza é algo maravilhoso. Primeiramente, porque você não terá que fingir ser aquilo que você não é, e vai deixar de se sufocar com um segredo que você pensava que iria te condenar porque outros disseram isso. Quando você se assume e aceita sua condição e vê que não está sozinho para enfrentar a sociedade com aquilo você é mais feliz, se sente mais realizado, se sente aberto para ter uma vida de sucesso sem ter que esconder quem você realmente é. Um conselho para as famílias, aceitem seus filhos como eles são, a sexualidade não muda valores, é apenas uma condição.E para os tantos filhos desesperados, se aceitem em primeiro lugar, porque a partir daí vocês estarão caminhando para uma vida feliz!!!”, descreve ele o vídeo, no youtube.

ASSISTA AO VIDEO:

http://www.youtube.com/watch?v=8G17c9KTYVU&index=3&list=TLWjkJB29yEwgzJLRffTRQFWJdh5svZ4Gn

 

Fonte: maisro.com

RONDÔNIA APROVOU IDA DE MOREIRA MENDES COM GESTOR DE JIRAU PARA A MARQUÊS DE SAPUCAÍ; JÁ NO ACRE, POPULAÇÃO CRITICOU SENADOR JORGE VIANA

Moreira Mendes, José Lúcio Arruda, e mais um empresário na companhia do senador Jorge Viana (Smartphone/Divulgação)
Fotografia de Moreira Mendes com José Lúcio Arruda, de Jirau, não indignou rondonienses

Uma fotografia do senador Jorge Viana (PT), acompanhado do deputado federal de Rondônia, Moreira Mendes (PSD) e José Lúcio Arruda,  gestor de um dos consórcios que administra as hidrelétricas do rio Madeira, durante o carnaval, na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro polemizou o debate na manhã desta quinta-feira (13), no plenário da Assembleia Legislativa do Acre.

O deputado Major Rocha levou uma ampliação da fotografia à tribuna da Casa e provocou os parlamentares da base governista. Segurando a imagem o tucano disse que Jorge Viana (PT) não precisava pedir explicações dos impactos das hidrelétricas encaminhado requerimento ao Ministério das Minas e Energia.

“Não precisava do requerimento, vossa excelência poderia ter exposto suas preocupações ao diretor de um das hidrelétricas no camarote onde passou o carnaval com o executivo. Jorge Viana não tem moral para cobrar explicações, já que esteve na Sapucaí com um dos diretores e não falou nada”, disse Rocha.

Moreira Mendes é defensor intransigente das usinas
Moreira Mendes é defensor intransigente das usinas

O oposicionista falou ainda da participação do deputado federal Sibá Machado (PT), na comissão de investigação da Câmara dos Deputados, que levanta os impactos das usinas no meio ambiente. “Sibá Machado era do conselho administrativo da empresa. Por que ele não revela o que sabe?”, questiona Rocha.

Já o deputado federal Moreira Mendes (PSD-RO) é um ferrenho defensor das usinas de Jirau e Santo Antônio, ao ponto de, em plena enchente do rio Madeira, subir no plenário da Câmara dos Deputados para fazer discurso isentando-as da culpa pelas enchentes.  No entanto, o Ministério Público Federal e a OAB determinaram que as usinas refizessem os cálculos de impactos porque foram encontradas provas de que a instalação das hidrelétricas provocaram as enchentes acima do normal. Após ser publicada a foto, não houve nenhuma manifestação censurando a atitude do deputado federal, que em plena enchente, foi pular carnaval ao lado daquele que deveria ser responsabilizado pelas enchentes.

Fonte: Maisro.com com AC24Horas

 

ENTREVISTA COM TATIANA LIONÇO, PESQUISADORA (UNICEUB)

Estes foram alguns dos adjetivos que a pesquisadora Tatiana Lionço ganhou depois de ser vítima de campanhas difamatórias apoiadas por Bolsonaro e Feliciano
Estes foram alguns dos adjetivos que a pesquisadora Tatiana Lionço ganhou depois de ser vítima de campanhas difamatórias apoiadas por Bolsonaro e Feliciano. CLIQUE AQUI PARA AMPLIAR A IMAGEM. 

Por Marcelo Hailer

Em 2012 foi realizado no Congresso Nacional o IX Seminário LGBT, cujo tema era “Diversidade se aprende na infância”. A pesquisadora Tatiana Lionço (UniCeub) foi uma das palestrantes e discorreu a respeito do despertar do desejo e da curiosidade que pré-adolescentes sentem em relação ao próprio corpo e dos amigos.

Tatiana Lionço
Tatiana Lionço

O que Tatiana não esperava era que a sua fala se tornasse alvo de um vídeo (Deus Salve as Crianças) que conta com a apresentação do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), mas que, ao invés de colocar a apresentação na íntegra, editou a fala de Lionço para dar a entender de que a pesquisadora é a favor da pedofilia.

O Conselho de Ética e a Corregedoria foram acionados para que analisassem se não havia quebra de decoro parlamentar, visto que a produção do vídeo saiu de dentro do gabinete do deputado. Porém, nada aconteceu e as acusações foram arquivadas. Se com Bolsonaro nada houve, o mesmo não se pode dizer de Tatiana, que teve a sua vida privada invadida por ataques de fanáticos que enviavam mensagens onde a classificavam como “puta, vagabunda e depravada”.

Uma campanha promovida por apoiadores de Bolsonaro foi realizada na rede, memes diziam que Tatiana era uma “prostituta”, por ter formação em Psicologia foi comparada à psicóloga Marisa Lobo (que é a favor das terapias de conversão da orientação sexual). No caso, de um lado colocaram Lionço como a favor da depravação e, do outro, Lobo como favorável à vida.

Na conversa que você lê a seguir, Tatiana conta tudo o que passou, como teve a sua vida invadida e difamada. Também revela que transformou isso em potência para fazer política. Felizmente, ela contou com apoio do seu local de trabalho e de alguns amigos de luta. Porém, diz que, do poder público, não recebeu nenhuma ajuda. E o que mais a revolta é a sensação de banalização de toda essa história e o fato de os parlamentares envolvidos nestas campanhas de difamação seguirem impunes.

Fórum – Quais medidas legais você tomou em relação aos vídeos que a difamaram?

Tatiana Lionço – No ano passado eu e o ex-presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Humberto Verona, protocolamos denúncia por quebra de decoro na Câmara com base nesse vídeo em que o Feliciano anuncia ironicamente a sua renúncia, difama autoridades políticas e atribui satanização a movimentos sociais. Mas o presidente da Câmara dos Deputados respondeu que Feliciano estava amparado pela liberdade religiosa. Também já assinei outras duas representações contra o Feliciano e o Bolsonaro, que foram entregues à Procuradoria Geral da República (PGR), mas que, até agora, não deram em nada. Diziam respeito às distorções da minha fala no IX Seminário LGBT sobre pedofilia, sobretudo. Aliás, entrei com uma representação na Polícia Federal contra o Bolsonaro e os blogues que se mostram aliados do parlamentar, que está em aberto.

Fórum – Sobre o vídeo do Bolsonaro, também não deu em nada?

Lionço – Nada, e foi a primeira representação apresentada, ainda em 2012, articulada pelo Jean Wyllys (PSOL-RJ). Fui uma das pessoas que assinou, pois foi uma ação coletiva. Sobre aquela [representação] que apresentei individualmente o ofício ao presidente da Câmara, recebi uma resposta “sabonete”. Inclusive, tenho também uma resposta do Bolsonaro, que disse que eu “incito o homossexualismo” e que era sua responsabilidade alertar a sociedade.

Fórum – Como reagiu diante dessa campanha?

Lionço – Entrei de cabeça, linha de frente mesmo dos atos “Fora Feliciano”, movida por toda essa indignação. Mas a coisa continuou, apareço de novo no vídeo do infeliz, por exemplo. O próprio Bolsonaro voltou a mencionar a discussão sobre sexualidade infantil em entrevista recente, relativa ao pleito de presidir a CDHM. E o Feliciano usou bastante o alerta sobre sexualidade na infância ano passado, em entrevistas, no entanto, sem citar meu nome e dos outros. Mas eles recuperam isso toda hora.

Fórum – Isso teve ressonância na sua vida pessoal e profissional?

Lionço – Na vida pessoal, muita, na vida profissional, nem tanto, não fui demitida (risos). E a partir daí passei a palestrar sobre o fundamentalismo religioso. Sou uma das articuladoras do movimento estratégico pelo Estado laico. Tudo isso é consequência, um jeito de tirar proveito dessas violações.

Na vida pessoal, sofri muito preconceito. Escutei de muitas pessoas que o ativismo não valia a pena, que eu me expunha demais, que deveria tomar cuidado com a minha imagem. Recebia quase que diariamente mensagens de pessoas que nem conheço me chamando de puta, vagabunda e depravada. Isso não faz bem, é ilusório acreditar que não atinge nossa sanidade mental. Depois, tive alguns ataques de descontrole emocional na Câmara, como quando fui impedida de entrar três vezes seguidas. O Jean teve que mediar minha entrada uma vez.

Entrei numa de tentar neutralizar toda essa energia negativa, cuidado espiritual mesmo. Fiz novas alianças e fiquei muito só por quase um ano, escrevendo e-mails, rastreando meu nome pelo Google, lendo absurdos a meu respeito. Pessoas chegaram a afirmar que eu consinto que um adolescente enfie o dedo na vagina de menina de 5 anos. Veja bem, na época que li isso minha filha estava com 5 anos. Foi algo muito violento, pessoalmente falando. E meus filhos sabem que isso aconteceu, aproveitei para alertá-los que existem pessoas que usam o nome de Deus em vão, como dito nas escrituras que não se deve proceder.

 

Meme utilizado em campanha contra Tatiana Lionço. Clique na imagem.
Meme utilizado em campanha contra Tatiana Lionço. Clique na imagem

Fórum – Além de você, outras pessoas também foram alvos dessa campanha difamatória.

Lionço – O Cris (Cristiano Lucas) foi alvo de um vídeo do Bolsonaro, “Professor de criança: sou viado e dou o cu”. Ele distorceu o “sou viado com orgulho” para “sou viado e dou o cu”, e sugeriu explicitamente que o Cris era pedófilo. É muito baixaria, um ataque moral diante do qual é muito difícil reagir. Você se torna pedófilo na internet e depois tem que lutar para provar que foi violado em uma acusação grave como essa.

Fórum – Como manter a integridade num momento como esse?

Lionço – Manter a sanidade mental é difícil, passei por pânico, noites a fio sem dormir. Nessas horas, o julgamento vem de todos os lados: dos que acreditam que você é um horror mesmo, dos que querem te dar lição de moral… Tem gente que fala: meu pronunciamento teria sido diferente, só não se lembram que não eram elas que estavam na mesa da Câmara. É nesse nível a falta de apoio.

Fórum – E sobre a sua participação na mesa do IX Seminário LGBT. O tema foi pré-acordado?

Lionço- O convite feito a mim, da Câmara, era para discursar sobre sexualidade na infância e adolescência e sua relação com a homofobia. Sequer foi um tema que tirei da minha cabeça ou um recorte que deliberadamente escolhi. Foi debate encomendado. E é um tema possível de ser debatido na perspectiva da Psicologia e das Ciências Sociais. Por isso, a primeira resposta que tive foi uma nota de desagravo do CFP, lida em audiência no Senado sobre ética profissional e diversidade sexual, presidida pela Marta Suplicy (PT-SP) na época.

Fórum – E os apoios das redes de ativistas?

Lionço – Sim, tiveram cartas de apoio. A Associação Brasileira de Estudos da Homocultura (ABEH), grupos de pesquisa como o GESE da Universidade Federal do Rio Grande. Tive apoio também da Liga Humanista Secular do Brasil. A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Travestis (ABGLT), que acreditei ser a primeira instância a se posicionar por ter já passado por coisa semelhante, demorou muito a atender meu pedido de ajuda. O que quero dizer é que o apoio e a falta dele vem de pessoas e instituições imprevisíveis e toda essa violação serviu para que eu redesenhasse minha rede de apoio. O Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNCD-LGBT), vinculado à Presidência da República, emitiu nota também, apesar da omissão da Coordenação LGBT da SDH a respeito. Não medi esforços e fiz também denúncia na ouvidoria da SDH e me receberam para uma conversa e arquivamento de provas.

Fórum – E os ataques contra você pararam?

Lionço – Nada, tudo alimenta a ira deles, eles atacaram o CFP e tem cartaz difamatório me comparando com a Marisa Lobo. No caso, eu, a depravada, ela, a santa. Depois começaram a mirar em novos alvos, por isso meu nome não circula mais tanto, mas já estou preparada emocionalmente para ser xingada depois dessa entrevista. Já entendi que essa é uma luta que realmente vale a pena.

 

Meme criado por apoiadores psicóloga Marisa Lobo, que defende as terapias de conversão de orientação sexual
Meme criado por apoiadores psicóloga Marisa Lobo, que defende as terapias de conversão de orientação sexual

Fórum – Você sente que não deram importância para o seu caso e dos outros que foram e são vitimas de campanhas promovidas pelos fundamentalistas com apoio parlamentar?

Lionço – Sinto que banalizaram, no geral, como problema pessoal dos envolvidos. Nunca tivemos resposta; a audiência na OAB [Ordem dos Advogados do Brasil] nacional foi a gente que conseguiu. Todas as reações foram nossas, o poder público nunca fez nada, foi um abandono absoluto.

Fórum – Você falou sobre “tortura moral”…

Lionço – Chamo isso de estupro moral, tortura moral, uma nova modalidade de tortura que não era possível na época da ditadura militar por que a internet não existia. É uma nova forma de perseguição política, de criminalização de movimentos sociais, é assim que penso a respeito do que fazem. O que fizeram comigo e com o Cris foi uma tentativa de acabar com nossas carreiras, além de nos vulnerabilizar a ataques de fanáticos.

Tem ainda o caso do pastor Retamero [pastor da Igreja da Comunidade Metropolitana – ICM, que é inclusiva], que aparece no vídeo também, o infeliz [Feliciano] fez vídeo só sobre ele. Para você ter ideia, ele sofreu agressão física na rua depois disso.
Na sorte, a gente seria espancado, e ninguém iria sujar as mãos de sangue, talvez uns fanáticos anônimos. Trabalharíamos em instituições que nos demitiriam. Felizmente a instituição em que trabalho é muito séria e o Cris também teve amplo apoio do sindicato de professores.

Entrevista concedida à revista Fórum

BLOG DO CHA: ALIANÇA COM O PT PODE REELEGER CONFÚCIO MOURA NO PRIMEIRO TURNO

PMDB e PT têm casamento marcado

Acordo pode assegurar no mínimo 55% dos votos antes mesmo do início da campanha
cha1Se algum postulante ainda duvidava de que a reeleição de Confúcio Moura eram favas contadas, agora acredita. O acordo com o PT, costurado pelo senador Valdir Raupp com a presidente como forma de preservar a base aliada e acalmar os ânimos dos deputados, acaba com qualquer possibilidade de sucesso dos adversários em Rondônia. Podem esquecer. O acordo, no qual Padre Tom deixará de postular a cabeça da chapa para ocupar a vice de Confúcio ainda não foi oficializado. Nem será, por enquanto, em função do que estabelece a legislação eleitoral. E até o anúncio será postergado, para não obrigar Confúcio a abrir o jogo e admitir a candidatura. Ou seja: o pacto está selado, mas ainda não é um contrato pré-nupcial. Eles estariam na esquisita situação de pré-nubentes – mais que namoro mas ainda não noivos.

A cúpula do PMDB e PT reunida na Presidência da República
A cúpula do PMDB e PT reunida na Presidência da República

Apesar disso, parecia namoro de antigamente o encontro entre os casadoiros ontem, no Palácio do Planalto, antes de subirem para o encontro de Dilma com o governador e bancada federal para tratar de questões relacionadas às enchentes. Testemunhado por Valdir Raupp e Anselmo de Jesus, o encontro entre Confúcio e Padre Tom foi pleno de sorrisos, como registra a foto de Mara Paraguassu. Tal circunstância pode (e deve) provocar choro e ranger de dentes entre os adversários, que vão procurar por todos os meios afogar sua consumação nas águas turbulentas do Madeira.
E não lhes resta alternativa, pois os benefícios são inequívocos para ambos os partidos. Confúcio será acusado por abrigar em seu palanque nomes como Roberto Sobrinho, Epifânia Barbosa e Cláudio Carvalho. Pode ser que sim, mas pode ser também que nenhum deles consiga registrar candidatura no TER. Epifânia e Cláudio por terem sido condenados em decisão colegiada na Assembleia. Roberto, pelo conjunto da obra. É claro que os adversários vão espargir acusações como água benta.

A reeleição, que era uma certeza do blogueiro, passa a trafegar por um novo cenário, embora não se possa falar sobre trafegabilidade nesses tempos alagados. Mas basta fazer as contas para verificar que os resultados das eleições estão definidos desde já. Não se pode desconsiderar o significativo o contingente eleitoral do PT – militância mais beneficiários do Bolsa Família (convenhamos que ninguém duvida de que o cartão do Bolsa Família é uma declaração de voto no PT). Ou seja: o PT tem previamente assegurados pelo menos 25% dos votos no estado. Pode não passar disso, mas é muita coisa. De olho nessa fatia é que Valdir Raupp exigiu a adesão petista para acalmar a base aliada.

Por outro lado, o candidato à reeleição, qualquer que seja ele, tem assegurado um mínimo de 30% de apoio do eleitorado. Basta lembrar o exemplo do poste colocado por Cassol no governo. Cahulla obteve, segundo o TRE, 297.674 votos no segundo turno das eleições de 2010, 41,33% dos votos válidos. Isso significa que a composição PMDB/PT pode garantir a reeleição de Confúcio Moura no primeiro turno com pelo menos 55% dos votos válidos antes mesmo no início da campanha.

Não se pode, contudo, desconsiderar o imponderável, como o agravamento das relações conflitantes entre os dois partidos no Legislativo, a partir da rebelião liderada pelo PMDB. Pode até ser de caráter meramente casuístico, mas a possibilidade de uma ruptura irreversível seria muito boa para o País. Imagine o leitor que o PMDB decida romper definitivamente com PT e finalmente lançar candidato próprio. Um nome o partido já possui: Michel Temer que, comparado aos dois antecessores é um estadista de primeira plana. Ele pode não vencer as eleições, mas o PMDB não perde, já que o vencedor, mesmo que seja a própria Dilma, jamais poderá governar sem seu apoio. E terá que entregar um monte de ministérios e outros cargos. O mesmo vale para qualquer outro que chegue lá.

E mais: caso isso aconteça e o PT venha a ser defenestrado, o país ficará historicamente endividado com o PMDB por seu heroísmo. É claro que isso não vai acontecer. Apesar de sua teimosia, Dilma vai ceder, nem que para isso tenha que ultrapassar Ali Babá na quantidade de ladrões, com a criação de novos Ministérios. Posso até sugerir o Ministério de Obras contra as chuvas e outro de Obras contra a Seca. Quando as águas baixarem por aqui, para inundar o sul do país, basta cada um deles passar a fazer nada em outra região.

ABERTURA DE ESTRADA EM PARQUE ESTADUAL DE GUAJARÁ PODERÁ SER AUTORIZADA: O POVO FESTEJOU

 

DIMENSAOO resultado das ações do governador Confúcio Moura, junto ao governo federal, para viabilizar o acesso aos municípios de Guajará Mirim e Nova Mamoré através da Estrada Parque foi comemorado na noite de quarta-feira (12) por moradores do distrito de Nova Dimensão, um dos pontos de que serão beneficiados com a construção da via. Os manifestantes que estavam interrompendo o tráfego na estrada promoveram um buzinaço, suspenderam o protesto e aguardam até hoje uma resposta da Justiça Federal autorizando a obra.

Uma comitiva, da qual fazia parte o presidente da Câmara Municipal de Nova Mamoré, vereador Lindomar Carlos Cândido, chegou a Nova Dimensão por volta das 23h de quarta-feira e reuniu os moradores para explicar como foi a audiência do governador Confúcio Moura, a bancada federal e técnicos do governo estadual com a presidente Dilma Rousseff.

 

Foi dito aos moradores e manifestantes que a presidente Dilma concorda que a Estrada Parque é a única via possível, neste momento, para tirar Guajará-Mirim e Nova Mamoré do isolamento. Também foi explicado que a presidente prometeu
acionar a Advocacia Geral da União para atuar administrativamente nos tribunais ou judicialmente na instância superior para que o governo de Rondônia possa ter a permissão para abrir a estrada.

A população comemorou a notícia porque o distrito passará ter visibilidade e ganhará uma grande oportunidade para se desenvolver ainda mais.

Por sua vez, o movimento que manteve a estrada interditada manifestou confiança nas ações para preservar o Parque Estadual, na forma prevista em legislação vigente.

No mesmo momento, dezenas de caminhões carregados com suprimentos para Nova Mamoré e Guajará Mirim foram liberados e puderam seguir viagem.

A Estrada Parque passa por Nova Dimensão e é, neste momento, a única alternativa para tirar os municípios de Nova Mamoré e Guajará Mirim do isolamento por via terrestre. Em razão da enchente recorde do rio Madeira, a BR 425 ficou interrompida nas pontes de Ribeirão Araras, que ficaram alagadas. Pela estrada passam diariamente caminhões, que transportam 30 toneladas de suprimentos cada um. A região produz em média 135 mil litros de leite.

 

Texto: Nonato Cruz
Fotos: Ésio Mendes

ENCHENTE NO BAIXO-MADEIRA UNE CATÓLICOS, EVANGÉLICOS E GARIMPEIROS: A VIDA VALE MAIS DO QUE OURO

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Na região do Baixo-Madeira, área de várzea mais atingida pela cheia histórica do principal tributário da margem direita do rio Amazonas, há dezenas de famílias morando em balsas de garimpo, batelões – barcos típicos da região – e abrigos improvisados pela própria comunidade. A disposição em ajudar uns aos outros uniu católicos, evangélicos, entidades como a Defesa Civil e um grupo de garimpeiros. Com a suspensão das atividades de extração de ouro de aluvião (em pó)no leito do rio, por causa da grande profundidade das águas, homens como o “Ceará” lideram um movimento para ceder as balsas de garimpo às famílias interessadas em continuar morando próximo às antigas casas, com medo de serem roubadas pelos chamados “ratos d’água”. “É o nosso jeito de ajudar na hora do sofrimento dessas pessoas”, disse ele, preferindo se identificar apenas pelo apelido.

 

BA2Na maioria das comunidades inundadas, há famílias inteiras que preferem permanecer morando em balsas de garimpo, dentro de batelões e sobre estrados de madeira (maromba) construídos dentro das casas inundadas a poucos centímetros do nível da água. O pescador Thaumaturgo Ferreira Brito, 63 anos, é um dos cerca de 12 mil flagelados pelas enchentes em Rondônia. Separado da família, dorme há mais de um mês sobre um colchão protegido apenas por uma grade de madeira a poucos centímetros do nível da água, uma espécie de presa fácil para ataques de jacarés e cobras que migraram do lago do Cuniã para a margem alagada do rio Madeira. “Nunca tinha visto uma cheia tão grande como esta”, diz Brito, em tom de desilusão por ter perdido toda a produção da banana e mandioca e de ainda correr o risco de perder a casa por causa da correnteza.

 

BA3Disposto a não sair em busca de abrigo na casa dos filhos na capital, ele prefere contrariar as orientações da Defesa Civil para também não incomodar os familiares que têm hábitos e costumes diferentes dos seus. “Não posso deixar minhas coisas para trás. Mas quando o rio vazar, se eu não tiver condições de recomeçar aqui mesmo, vou para o Amazonas em busca de terra mais segura”, disse ao estender a mão e se despedir.

 

BA4Grande parte dos desabrigados foi transferida pela Defesa Civil para ginásios de esporte, salas de aula das escolas públicas das redes municipal e estadual, salões paroquiais como o do bairro São Francisco, em Calama, ou ainda acampamentos montados nas poucas áreas de terra ainda não atingidas com as barracas distribuídas pela Defesa Civil Nacional nas proximidades de São Carlos, Nazaré e Calama.

 

BA5Jucelena Miranda é uma das sete famílias abrigadas na escola municipal Drª Ana Adelaide Granjeiro, em Calama. Muito tensa, após constatar que a correnteza quebrou todas as paredes de tábua e destruiu o telhado da sua casa no bairro São Francisco, ela reclamou da falta de distribuição regular de água mineral e da pouca quantidade de gêneros alimentícios da cesta básica, entregues a cada 15 dias às famílias. “Onde, por exemplo, eu vou conseguir sobreviver a metade de um mês com 2 k de açúcar e 250 gramas de pó de café?”, frisou.

 

BA6No início da semana, a Defesa Civil, que mantém três barcos grandes e voadeiras de apoio às comunidades do Baixo-Madeira, recebeu mais 294 fardos de água mineral com seis galões cada para distribuição aos desabrigados cadastrados. Junto com mais 25 tendas cedidas pela coordenação Nacional para ampliação dos acampamentos em “Terra Firme” e Demarcação, e o abrigo da escola estadual de Calama, General Osório, as equipes locais distribuíram quinta-feira última 350 cestas básicas e receberam na terça-feira mais 300.

 

Cultura local

BA7A cultura dos ribeirinhos incorporou outros hábitos e costumes e rechaça o rótulode desabrigado. Muito religiosos e com uma forte ligação em tudo o que o fazem com o rio terminam desobedecendo, mesmo em situação de risco, às orientações das equipes da Defesa Civil. Um dos exemplos é a improvisação de moradias em cima de balsas de garimpos, dentro de batelões e em marombas dentro das casas parcialmente inundadas.

 

BA8Na comunidade de Papagaio, os desabrigados se reuniram e abriram uma trilha com extensão de 1 hora de canoa por entre as árvores para transportar da área inundada para terra firme o pouco que conseguiram retirar de dentro de casa. Por esse caminho, transitável apenas em canoas com “motor rabeta”, os flagelados ainda conseguiram retirar e guardarem acampamento improvisado as geladeiras, fogões, freezer, televisão, aparelhos de som e outros objetos.

 

BA9O aposentado Raimundo Rodrigues de Araújo, 71 anos, estava ansioso para chegar logo à comunidade de Papagaio, de onde saiu em busca de abrigo na casa de familiares na capital.Contava os minutos para verse a casa inundada não tinha sido totalmente destruída pela correnteza do rio. Mas foi obrigado a esperar o dono de uma voadeira no flutuante de São Carlos para prosseguir viagem.

A bordo, ele contou que o número de desabrigados é bem maior do que os 10 mil divulgados pela mídia e admite que a divulgação constante de notícias sobre mais enchente espalha o medo e a desilusão entre os ribeirinhos. Para salvar a criação de aves ele improvisou um galinheiro flutuante, mas com o transbordamento do lago do Cuniã, segundo ele, o jacaré já devia ter comido as 39 galinhas, pois a água estava a poucos centímetros do assoalho da pequena maromba.

 

A desilusão de quem perdeu tudo

BA10Desanimado com os prejuízos que não consegue nem contabilizar, o homem ribeirinho revela toda a sua desilusão com o flagelo da maior cheia do rio Madeira. Muito religioso,chega a implorar pela clemência de Deus para fazer o rio vazar e, principalmente, para que os agricultores possam recomeçara vida e voltar a plantar. Outros culpam a construção das duas usinas e possíveis erros nos estudos de impacto ambiental pelo drama que estão vivendo e cobram das autoridades em todos os níveis governamentais providências para que não fiquem sem trabalho.

Osvaldino da Silva não tem dúvidas: foram os erros no passado dos estudos de impacto ambiental para construção das duas usinas no rio Madeira. As hidrelétricas ainda irão prejudicar muito mais a população ribeirinha. Segundo ele, vem aí o assoreamento de todo o trecho da parte baixa do rio, como já aconteceu no verão passado, na desembocadura do rio Jamari – afluente do rio Madeira – “onde só passava canoa e a gente conseguia ver a areia no fundo do rio”, lembrou.

 

BA11Valdomiro Ferreira da Silva, 64 anos, pediu um batelão emprestado de um amigo e mora dentro do barco há dois meses, próximo à comunidade de Santo Antônio do Amparo. É mais um ribeirinho que perdeu toda a plantação com as enchentes e não sabe ainda como recomeçar. “Só eu perdi 600 pés de bananeira, 6 mil pés de mandioca e um plantio (roçado) com 10 k de milho plantados. Era minha fonte de renda”.

 

Prejuízo incalculável

BA12O prejuízo com a cheia histórica do nível do rio Madeira chega a ser “desanimador”, admitem entre si vários passageiros do barco “Caçote”,com capacidade para 60 pessoas e que realiza duas viagens por semana a Calama, último distrito de Porto Velho, na divisa com Humaitá (AM).

 

BA13Proprietários da embarcação também começam a contabilizar os prejuízos da cheia, com a redução do número de passageiros e no transporte de produtos agrícolas. Poucossão os embarques de produtos como açaí e côco verde, em comparação com aos grandes carregamentos de mandioca, melancia, cupuaçu, laranja, banana e farinha antes da cheia. A expectativa, no entanto, é de que aumente o transporte de peixe, principalmente jaraqui e jatuarana que iniciou o período da “piracema” com a migração das áreas alagadas para o rio.

Pelos cálculos da comerciante Maria Edite Ferreira dos Santos, proprietária de um mini mercado no bairro São Francisco, em Calama, e do clube local, houve uma queda de 60% nas vendas. “Não estou mais nem fazendo novas encomendas de Porto Velho, porque o movimento caiu muito”, acrescentou: “sem contar com a falta de energia para manutenção dos produtos congelados”.

 

BA14Os postos de saúde da rede básica, escolas, ginásios de esporte e outros prédios públicos, bem como os serviços de telefonia, abastecimento d’água e de energia não funcionam e os prejuízos, somente no entorno do município de Porto Velho, podem alcançar R$ 900 milhões. Não foram incluídos nesses cálculos, o valor médio de uma moradia com pouca benfeitoria na área ribeirinha.

Valor da moradia

De acordo com Raimundo Ferreira Ramos, 73 anos,o valor médio de uma casa em “Ilha Nova” onde mora há anos é de cerca de R$ 50 mil. Mas depende muito das benfeitorias, como é o caso da sua que tinha 10.000 covas de mandioca plantada e era bem melhor avaliada. “Agora tudo estáno fundo. Quando o rio baixar, vou procurar uma área mais alta para reiniciar a vida. Só depois mudarei para lá”.

 

BA15O ribeirinho José Sodré, 49 anos, acolhido no Centro Catequético de Calama, lamenta que a maioria das pessoas esteja na eminência de perder suas casas e o trabalho, fatores que têm afetado a estima dos flagelados. Ele defende a concessão de auxílio temporário alimentação, pois estão sem a fonte de renda gerada pela comercialização da banana e do pescado, já que também perderam os equipamentos de pesca.

 

BA16A moradora de Santa Catarina, técnica em enfermagem Doriana Nobre, considera inaceitável os atrasos na distribuição de água mineral e das cestas básicas aos flagelados. Principalmente o fato de não estarem cadastrando todas as famílias atingidas. “Eu acho que ao invés de abrigo, o governo deveria era conceder uma espécie de auxílio aluguel e moradia, As pessoas ficariam muito mais satisfeitas”.

Maior índice de abrigados em balsas

BA17As comunidades com maior índice de famílias morando em pequenas balsas flutuantes e dentro de batelões são as localidades de Santa Catarina, Papagaio e Calama. Mas em toda a extensão da zona ribeirinha é possível ver até cinco famílias dividindo o mesmo espaço, com no máximo 8 metros quadrados. Em Santa Catarina, segundo Osvaldino Soares da Silva, 71 anos, moravam na comunidade 41 famílias. Com a cheia, a maioria decidiu abrir um caminho de 1 hora de canoa na mata até alcançar área mais segura para instalar um acampamento onde foi abrigada a maioria das pessoas. “Mas uma boa parte está morando em cima de balsa de garimpo”, disse.

“Ceará”, um dos garimpeiros que ganha a vida com a extração de ouro de aluvião nas proximidades da comunidade Papagaio, explicou que, se não fosse a solidariedade dos garimpeiros que emprestam suas balsas para ajudar às vítimas da enchente, o problema estaria muito mais grave. “Nós preferimos emprestar nossas balsas porque há muitas famílias que não querem deixar para trás o pouco que ainda lhes resta”.

 

Reportagem: Abdoral Cardoso
Fotos: Marcos Freire
Decom – Governo de Rondônia