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quinta-feira, maio 14, 2026
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Quando a máscara cai: o moralismo de ocasião da extrema direita

Por Edson Silveira

 

Durante anos, venderam ao Brasil uma história simples, quase infantil:

 

De um lado, os “puros”.

Do outro, os “corruptos”.

 

Era confortável.

Era eleitoral.

Era, acima de tudo, conveniente.

 

Mas a realidade — essa inconveniente — insiste em aparecer.

 

A reportagem recente do Jornal Nacional, divulgada pelo G1, é demais sites de notícias, escancara aquilo que muitos já desconfiavam: a distância entre o discurso moralista e a prática política da família Bolsonaro.

 

Segundo as mensagens reveladas, o senador Flávio Bolsonaro teria cobrado recursos do empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, para viabilizar um filme sobre o ex-presidente.

 

Veja bem.

 

Não estamos falando de teoria.

Não é narrativa.

Não é adversário político falando.

 

São mensagens.

 

E mensagens têm um problema sério:

elas não combinam com discurso ensaiado.

 

O que aparece ali não é o combatente da corrupção que foi vendido ao país.

 

É o político tradicional, operando nos bastidores, buscando financiamento, negociando interesses — exatamente aquilo que a extrema direita diz e jurou combater.

 

E é aqui que a contradição vira escândalo político.

 

Porque o mesmo grupo que passou anos apontando o dedo, acusando adversários, criminalizando a política e vendendo a ideia de superioridade moral… agora aparece no centro de práticas que, no mínimo, levantam questionamentos éticos profundos.

 

E não para por aí.

 

Ao redor desse ambiente, orbitam figuras como Ciro Nogueira, denunciado semana passada, símbolo clássico da política de bastidor, articulação e poder — exatamente o tipo de prática que o bolsonarismo dizia combater.

 

No fim, o que se revela é algo muito mais simples do que tentaram fazer parecer:

 

Não existe “nova política”.

Nunca existiu.

 

Existe discurso.

 

E existe prática.

 

E quando a prática aparece, desmonta o discurso.

 

A família Bolsonaro construiu sua trajetória política baseada em um pilar: o combate seletivo à corrupção.

 

Acusavam os outros daquilo que, agora, começam a ter que explicar.

 

E explicar mal.

 

Porque não basta dizer que era “apoio cultural”, “projeto audiovisual” ou qualquer outro rótulo elegante.

 

A questão central permanece: por que um agente político, com mandato e influência, está pedindo recursos a um empresário ligado a um banco investigado?

 

Essa é a pergunta que destrói qualquer narrativa pronta.

 

E é essa pergunta que pesa — e muito — sobre qualquer projeto presidencial.

 

Porque eleição não é só discurso.

 

É credibilidade.

 

E credibilidade não sobrevive a contradições expostas em rede nacional.

 

O Brasil já viu esse filme antes.

 

Mas, dessa vez, com um detalhe diferente: Os que gritavam “corrupção” agora precisam responder sobre os próprios atos.

 

E, como sempre acontece nesses casos, a indignação seletiva desaparece.

 

Fica o silêncio.

 

Fica o constrangimento.

 

E fica a certeza de que, no Brasil, o problema nunca foi a corrupção em si.

 

O problema sempre foi quem podia ser acusado… e quem acreditava que jamais seria questionado.

 

Edson Silveira – advogado, administrador, professor e militante do PT/RO.

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