Candidato do PSB ao Governo do Estado apresenta proposta de até R$ 200 milhões para ampliar a estrutura do João Paulo II, defende concursos, formação de especialistas e descentralização da saúde
O candidato ao Governo de Rondônia pelo PSB, Samuel Costa, elevou o tom das críticas à saúde pública estadual durante entrevista ao programa Papo de Redação, da Rádio Parecis FM. Ao abordar a situação do Hospital João Paulo II, em Porto Velho, Costa afirmou que a unidade se tornou um símbolo do abandono histórico da saúde pública no estado e apresentou uma série de medidas que pretende implementar caso seja eleito.
Assista a entrevista completa: https://www.youtube.com/live/jgE0srw0roA?is=fh30NRzYpL2NDCSr
Em uma das declarações mais contundentes da entrevista, o candidato comparou a situação enfrentada pelos pacientes do João Paulo II a um cenário extremo de desumanização.
“Nem Adolf Hitler fez com os judeus no campo de concentração o que o governo do estado de Rondônia, ao longo das últimas décadas, fez com os rondonienses do João Paulo II”, afirmou.
Apesar da declaração contundente, Costa concentrou sua proposta em soluções estruturais para a saúde. Segundo ele, o objetivo é romper com décadas de problemas acumulados e estabelecer uma rede mais descentralizada, humanizada e capaz de atender a população também no interior.
“Vamos fazer em quatro anos o que não foi feito em 40”
Samuel Costa afirmou que pretende apresentar um plano de governo baseado em propostas com indicação das fontes de financiamento e metas de execução.
“Diferentemente de muitos candidatos que apresentam discursos perfumados, nós falamos o que vamos fazer, de onde tiramos os recursos e, com o tempo, nós vamos ter efetividade”, declarou.
Para o candidato, a mudança na saúde não pode ficar restrita à construção de prédios. Ele defende uma reorganização de toda a rede, com investimentos em infraestrutura, contratação de profissionais e descentralização dos atendimentos.
Projeto prevê cerca de R$ 200 milhões para ampliar atendimento
Uma das principais propostas apresentadas por Costa envolve uma área onde existe uma obra abandonada que, segundo ele, seria destinada à sede da Superintendência Regional da Polícia Rodoviária Federal, em Porto Velho, localizada a aproximadamente 500 metros do João Paulo II.
A área teria sido recentemente doada à Prefeitura de Porto Velho para a implantação do Centro Político Administrativo (CPA). Costa propõe um novo arranjo entre União, Estado e município para utilizar a estrutura em um projeto de expansão da saúde.
A proposta prevê convênios com o Ministério da Justiça e Segurança Pública e com o Ministério da Saúde, além da utilização de recursos destinados à construção do novo João Paulo II.
Segundo o candidato, seriam utilizados mais de R$ 70 milhões disponibilizados pelo Tribunal de Contas do Estado de Rondônia, somados a R$ 50 milhões da Fonte 500 do Governo do Estado e aproximadamente 10% das emendas individuais dos 24 deputados estaduais.
Na avaliação apresentada por Costa, o conjunto de recursos poderia alcançar aproximadamente R$ 200 milhões.
A intenção é utilizar o montante para concluir a estrutura e ampliar a capacidade hospitalar, com aumento da oferta de leitos de enfermagem e clínicos, além de centros cirúrgicos e leitos de UTI.
Concurso público e especialistas para enfrentar gargalos
Além da infraestrutura, Costa defende a abertura de concurso público de provas e títulos para todas as áreas da saúde.
O candidato também aponta a falta de profissionais especializados como um dos principais gargalos da rede estadual. Entre as áreas citadas estão neurologia, oftalmologia, cardiologia, ortopedia e anestesiologia.
Para enfrentar o problema, a proposta é estabelecer convênios com o Instituto Federal de Rondônia, a Universidade Federal de Rondônia, instituições privadas e outros estabelecimentos públicos de ensino superior.
A estratégia, segundo Costa, seria ampliar a formação de médicos especialistas e fortalecer posteriormente o quadro permanente do Estado.
“Teremos centenas de médicos especialistas e, em definitivo, servidores comprometidos em cuidar dos rondonienses”, afirmou.
“Média e baixa complexidade não terá necessidade de vir para Porto Velho”
A descentralização é outro eixo central da proposta apresentada pelo candidato.
Costa defende o fortalecimento das estruturas de saúde existentes nas regiões de Rondônia e uma atuação integrada entre Governo do Estado e prefeituras. A ideia é reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes para Porto Velho em atendimentos que poderiam ser realizados nos próprios municípios ou polos regionais.
Na visão do candidato, a capital deve concentrar principalmente procedimentos de maior complexidade.
“Média e baixa complexidade não terá necessidade de vir para Porto Velho. Aqui iremos cuidar da alta complexidade e da demanda de todo o eixo do Madeira”, declarou.
Saúde como prioridade de governo
Ao longo da entrevista, Samuel Costa sustentou que a mudança na saúde pública exige mais do que novas obras: seria necessário combinar investimentos, planejamento, contratação de profissionais, formação de especialistas e descentralização dos serviços.
A proposta apresentada pelo candidato tem como objetivo reduzir a sobrecarga sobre os hospitais da capital e ampliar a capacidade de atendimento nas diferentes regiões de Rondônia, criando uma rede estadual mais integrada e próxima da população.
Assessoria



