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quinta-feira, maio 14, 2026
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O amanhã depois de ontem ( the day after) ou o apocalipse now

Por Roberto Kuppê (*)

Enquanto caminhava até à padaria para tomar café, pensava no título que daria a este artigo. Minha cabeça perturbada ainda pelos resultados nacionais das eleições de ontem, sobretudo para o Congresso Nacional, não me permitiu cunhar um título que satisfizesse o que eu estou sentindo agora. Não por mim, mas por milhões de brasileiros que necessitam de bons representantes, mas acabam mandando para o Congresso Nacional figuras que certamente vão legislar contra eles mesmos.

Começo pelo Rio de Janeiro, estado onde morei por alguns longos anos e passei os últimos meses antes das eleições de 2022. Acompanhava com especial atenção porque pretendia voltar a morar no Rio, caso o governo mudasse, com a eleição de Marcelo Freixo (PSB) para governador. Não foi eleito. Pior. O atual, Claudio Castro (PL), que é apoiado pelas milícias bolsonaristas se reelegeu no primeiro turno. Algo inimaginável aconteceu, mesmo Castro sendo alvo de denúncias gravíssimas. Além de perder o governo, a esquerda também não elegeu senador. Nem Alessandro Molon (PSB), nem André Ceciliano (PT). O péssimo Romário (PL), foi reeleito.

Sabe aquele delegado que denunciou o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (PL)? Pois é, Alexandre Saraiva foi candidato a deputado federal pelo PSB-RJ e não foi eleito. Já, Salles, foi eleito deputado federal por São Paulo. Em “compensação”, o Rio de Janeiro elegeu Marcelo Crivella (Republicanos), ex-prefeito afastado e preso por corrupção. O ex-ministro da Saúde, Pazuelo, foi eleito também deputado federal, bem como o Hélio Negão (PL), foi reeleito. Vai vendo, Brasil. A sorte da esquerda é que foram eleitos deputados federais Chico Alencar (PSOL), Glauber Braga (PSOL), Talita Peroni (PSOL), Lindenberg Farias (PT), Tarcísio Motta (PSOL), Benedita (PT) e Jandira Fegalli (PCdoB). Para deputada estadual, o PT elegeu, dentre outros, Marina do MST. Mas o RJ pode piorar? Vou provar que pode. Além do general Pazuello e Crivella, o pai e a irmã do Gabriel Monteiro, Pedro Paulo (sim, o agressor de mulher), Thiago Gagliasso, o irmão do Silas Malafaia foram eleitos pelo Rio. Por alto, foi isso aí q o Rio de Janeiro elegeu  pro legislativo…

O socialista rondoniense Mario Medeiros, fez uma observação sobre o Rio de Janeiro e DF: “É lamentável o que acontece já a algum tempo com o Rio de Janeiro e com Brasília. Não dá para entender o retrocesso que ocorre nesses estados que antes eram considerados como centro político do país”. Tem toda razão. O DF reelegeu Ibaneis (MDB) no primeiro turno, e, pasmen, a ex-ministra Damares (PL), senadora. Putz! Renato Russo deve estar dizendo lá no céu: Que país é esse?

Já São Paulo foi mais ou menos bom para o campo  progressista. O líder dos sem teto, Guilherme Boulos (PSOL) foi eleito deputado federal como o mais votado. A transexual Erika Hilton(PSOL) também foi eleita, assim como Marina Silva (Rede), dentre outros esquerdistas. Em “compensação” foram eleitos para a Câmara Federal, Ricardo Salles (PL), Carla Zambelli (PL), Eduardo Bolsonaro (PL) e até o Tiririca (PL), que de 2 milhões de votos, foi eleito agora com apenas 71 mil votos. Ah, o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) vai pegar uma pedreira pela frente. Vai enfrentar Tarcísio Freitas (PL), que teve que usar GPS  para achar a escola na qual votou em São Paulo. Tarcísio é carioca e se mudou pra São Paulo para se candidatar ao governo.

Rondônia

Rondônia, ah, Rondônia. Situado na região Norte do país, ou seja, na Amazônia, o estado elegeu uma bancada extremamente do agronegócio e frontalmente contra a defesa do meio ambiente. A bancada de deputados federais eleita é 100% bolsonarista, sem exceção. O senador eleito, que não escondeu essa condição durante a campanha dele, pecuarista Jaime Bagatolli (PL), é pelo agronegócio, segundo ele, a favor de um desenvolvimento respeitando as leis ambientais. Vamos cobrar dele uma atuação à altura dos votos que recebeu. Qualquer um, porém, seria melhor do que eleger Mariana Carvalho (Republicanos), que, graças a Deus não foi eleita. Obrigado, Bagatolli, por ter superado Mariana. Ufa! P.S. É bom que se frise, se destaque: Bagatolli não usou nenhum centavo do fundo eleitoral. Parabéns.

Marcos x Marcos

Vão disputar o segundo turno para o governo de Rondônia, o atual governador Marcos Rocha (União Brasil) e o senador Marcos Rogério (PL), ambos bolsonaristas. O eleitor rondoniense deu provas de que é 70% bolsonarista e não tem jeito. Será assim por umas boas décadas, mesmo Bolsonaro não sendo reeleito no segundo turno. O status tanto faz Marcos Rocha quanto Marcos Rogério foi atualizado com sucesso com relação ao futuro governador de Rondônia.

Lula X Bolsonaro

E a presidência da República? Deixei para o final uma análise nada confortável para Lula. Ele vai enfrentar a pior de suas campanhas eleitorais. Ele vai enfrentar Jair Messias Bolsonaro, que não tem compromisso nenhum com a ética, com a democracia e totalmente sem escrúpulos. Bolsonaro tem uma máquina robusta, elegeu uma grande bancada federal e, pior, o pesadelo de Lula, o ex-juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, foi eleito senador pelo União Brasil do Paraná. Embora brigado com Bolsonaro, os dois vão se unir contra a eleição de Lula, o que será uma dose fatal de veneno político. É o pior dos mundos o que vem por aí contra Lula. E ele sentiu a porrada, ao ficar em primeiro lugar no primeiro turno, mas, praticamente empatado com Bolsonaro. Vai ser pedreira. Bolsonaro vem com tudo, sem freios, ladeira abaixo, atropelando tudo pela frente em prol da reeleição. Eu, particularmente falando, não estou otimista. Finalmente eu percebi que Bolsonaro é um político muito ardiloso, maquiavélico, porque encontrou uma boa parcela de eleitores que possui o mesmo DNA, ou a mesma composição química da pólvora. Que Lula lute o bom combate, sem baixar o nível, mas respondendo à altura aos ataques de Bolsonaro, que não serão poucos. Não será fácil, mas não impossível vencer a poderosa máquina destruidora montada por Bolsonaro.

Boas notícias

Depois de assustá-los, finalizo com boas notícias. Resumindo, não foi tão ruim, mas poderia ter sido melhor.

1. PT saiu de 54 pra 80 deputados federais.

2. PSOL elegeu a maior bancada da sua história, com 14 deputados federais.

3. São Paulo elegeu Erica Hilton; Minas Gerais elegeu Duda Salabert, duas mulheres trans novas deputadas federais.

4. Fabio Felix do PSOL foi o mais votado para a câmara legislativa do DF.

5. Somente em SP não se elegeram alguns grandes expoentes da direita:
Joice Hasselman
Janaína Pascoal
Cel. Telhada
Fernando Holiday
Sérgio Camargo
Douglas Garcia
Nise Yamaguchi
Adriles
Eduardo Cunha
Felipe Folgosi
Cristiana Brasil

6. O irmão de Michele Bolsonaro foi derrotado no DF.

7. Fabricio Queiroz NÃO se elegeu no Rio.

8. Guilherme Boulos teve mais de 1 milhão de votos em São Paulo e agora vai ocupar Brasília.

(*) É jornalista e articulista político

(**) O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Mais Rondônia não tem responsabilidade legal pela “OPINIÃO”, que é exclusiva do autor.

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