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quarta-feira, maio 13, 2026
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8 de janeiro, o dia da insensatez para não dizer loucura

Por Roberto Kuppê (*)

Hoje faz uma semana que bolsonaristas ensandecidos atacaram e depredaram os três poderes da República (Palácio do Planalto, Congresso Nacional e STF). Um ato de coragem mas totalmente insano, uma loucura mesmo. Quem os induziram a promover tamanho terrorismo queria ter como resultado, além dos danos materiais, algumas mortes,  para se criar um clima de caos total e assim promoverem um golpe.

Mas, não deu certo. Graças a Deus. Porque Deus não aceita a violência, a barbárie e a criminalidade. O que aconteceu no último domingo vai ficar na história da política brasileira, como um dia que não deverá ser esquecido jamais. E, pelo menos 1.500 bolsonaristas não esquecerão, com certeza. Além de presos, serão condenados à prisão e a pagar pelos prejuízos materiais que montam mais de 10 milhões de reais.

Desde a derrota de Jair Bolsonaro para o cargo de presidente do Brasil e a vitória de Luís Inácio Lula da Silva por uma margem de menos de 2% em 30 de outubro de 2022, as mobilizações da extrema-direita foram escalando em proporção e em violência nas ruas. Logo após o anúncio da vitória petista, manifestantes se mantiveram acampados diante de quartéis do Exército, fechando parte de vias, contestando o resultado das eleições e clamando por intervenção militar. Muitos desses acampamentos, que contavam com banheiros químicos, barracas e cozinha, eram financiados por empresários e políticos alinhados ao bolsonarismo e à extrema-direita que, posteriormente, tiveram contas bloqueadas e mandados de busca e apreensão ordenadas pelo Superior Tribunal Federal em novembro.

A invasão à Praça dos 3 Poderes contou com a total conivência e colaboração da Polícia Militar do Distrito Federal, comandada pelo governador Ibaneis Rocha (antigo aliado de Bolsonaro), não havendo qualquer oposição ou repressão policial por pelo menos 3 horas. Policiais facilitaram a entrada dos invasores, e somente às 18h a polícia decidiu tomar alguma iniciativa e cercar os prédios. Diversos vídeos mostram policiais tirando selfies e rindo enquanto manifestantes invadiam o Congresso e outros flagram policiais sendo elogiados e confraternizando com os “manifestantes” dentro dos prédios invadidos.

Ontem a PF prendeu um dos responsáveis, o principal elo do terrorismo praticado na Praça dos 3 Poderes, o ex-ministro e ex-secretário da Segurança Pública do DF, Anderson Torres, ligado ao ex-presidente Bolsonaro que até o presente momento ainda não reconheceu a derrota em 30 de outubro de 2022.

Poxa, Lula perdeu três eleições e foi para casa chorar. Haddad perdeu para Bolsonaro em 2018 e foi para casa lamentar. Só isso. Lula tentou de novo em 2002 e venceu as eleições. Se reelegeu em 2006. Elegeu e reelegeu Dilma em 2010 e 2014. Tudo dentro da democracia, sem relatos de fraudes nas urnas eletrônicas. Por que só agora, na vez de Bolsonaro que foi expulso do Exército por indisciplina (tentou explodir o quartel onde trabalhava), as urnas não prestam?

Bolsonaro precisa ser preso, condenado por tudo que fez de ruim no país, não só pela responsabilidade pelos atos do dia 8 de janeiro. Bolsonaro adoeceu uma geração de pessoas com uma espécie de lavagem cerebral. Transformou pessoas de bem (ah, vai) em zumbis de verde amarelo. Pessoas que eram normais antes de 2018, hoje estão irreconhecíveis, ameaçando quem professa ideologia esquerdista. O pior de tudo é que eles estão usando o nome de Deus e dizendo que esses atos terroristas são em favor da família e dos bons costumes.

Quando retornar ao Brasil para responder pelos seus atos, Bolsonaro vai ter muito que se explicar. E deve pagar por induzir milhares de pessoas à insanidade, à insensatez, à loucura.

 

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político

 

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