Por Roberto Kuppê (*)
Como diz a famosa frase, “seria cômico se não fosse trágico”, o que buscam esses movimentos que explodiram em todo o País é um paradoxo, uma hipocrisia, ou algo, digamos assim, inusitado, inexplicável.
Em primeiro lugar, são movimentos que não possuem causa, a não ser defender o indefensável. As eleições de 2022 foram realizadas na mais absoluta lisura e os resultados foram divulgados em tempo recorde e real, como vem sendo feito há pelo menos duas décadas após a instituição do voto eletrônico.
“Ah, mas houve fraude nas urnas”. Onde, quando, como? Se houve fraude ela precisa e deve ser apurada. Acontece que os movimentos surgiram no minuto seguinte à proclamação dos resultados, assim que Bolsonaro perdeu as eleições, não sendo reeleito, portanto. Nada a ver com as supostas fraudes nas urnas, que, repito, precisam e serão apuradas no seu tempo e lugar certos.
Lembrando que as urnas foram testadas, aprovadas e supervisionadas por representantes da sociedade civil e dos partidos políticos. Nada de errado foi detectado. “Ah, mas o Lula não podia ser candidato, porque é um descondenado”. Bom, isso aí nada tem a ver com os resultados das eleições. Lula foi considerado apto para concorrer, assim como Collor ao governo de Alagoas, ele que foi afastado em 1992 da presidência da República. O momento para impugnar o registro da candidatura de Lula passou há muito tempo. Não houve manifestações públicas para impedir que ele registrasse a candidatura.
Voltando às “fraudes nas urnas”, se assim o houvesse, a auditoria deveria ser provocada por partidos políticos e esta realizada dentro do território nacional e não por alguém de fora do país, “amiguxo” de Eduardo Bolsonaro.
Digamos que houve fraude. Então quem as fez, beneficiou apenas o candidato Lula, deixando de fora governadores, deputados e senadores da esquerda. Exemplo, São Paulo, a menina dos olhos do PT, não elegeu Fernando Haddad de propósito? E em Santa Catarina e Pernambuco também, deixou direita vencer? E, pior, Bolsonaro elegeu a maioria do Congresso Nacional deixando Lula refém do Centrão! Ora, me façam o favor, vão catar coquinhos.
“Ah, mas lá em Manicoré a indígena Fulana de Tal disse que Bolsonaro teve zero votos”. Mentira! Lá Lula obteve 60% e Bolsonaro, 40% dos votos. E assim por diante em outros locais que os destemidos revolucionários de Ratanabá estão divulgando como se fosse verdade.
E que raios de liberdade é essa que só serve se Bolsonaro for reeleito? O que Bolsonaro fez de bom para se reeleger?
O que está ocorrendo na verdade é o medo de Bolsonaro ser preso assim que deixar o Palácio do Planalto em janeiro de 2023. Que o será. O medo dele tem sentido porque ele sabe o que fez e o que não fez. Esses 58 milhões de eleitores que votaram nele precisam acordar do pesadelo em que estão vivendo, deste mundo paralelo no qual estão vivendo nos últimos sete dias após os resultados das eleições de 2022.
“Ah, mas os movimentos são espontâneos, é o povo que está fazendo”. Mentira. Os protestos são organizados, de forma planejada e executados com patrocínios de empresários. Não é de graça. Tem muito dinheiro investido nesta tentativa de golpe à democracia. Exemplo a foto da capa deste artigo, que mostra o quanto é “espontâneo” estes movimentos.
Bolsonaro que ainda não reconheceu a derrota, que estimulou a baderna e que ameaça as instituições, caminha para dois destinos: o isolamento numa prisão ou jogar o país numa guerra civil. A segunda hipótese está por um fio o que resultaria numa ação das Forças Armadas que tomariam o Brasil de volta, dando início a mais uma ditadura militar. Aí sim, esses cidadãos que estão protestando por “liberdade” vão experimentar o que é uma verdadeira intervenção militar.
(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político



